
As mulheres tomariam vinhos apropriados para ocasiões como: depois do sexo, um jantar romântico, para sucesso nos negócios? Pois uma empresa francesa, a WineSight, tem 30 rótulos da marca Sublimelle (nada com a lingerie do mesmo nome).
As mulheres acreditariam que existe mesmo um vinho feito para elas. Ou que possamos definir as bebidas por sexo?
A empresa francesa argumenta que numerosos estudos demonstram que as papilas femininas reagem de modo diferente das masculinas em relação aos vinhos e cita o guia "Gault Millau" para afirmar que, em outros estudos, "as mulheres preferem vinhos macios, fáceis, com pouca acidez e taninos, em lugar de vinhos muito encorpados". Daí, decidiu-se oferecer ao mercado feminino vinhos mais "sutis e elegantes". A WineSight dispõe de 30 rótulos da linha Sublimelle via internet.
A empresa francesa não está sozinha nessa história de oferecer vinhos exclusivos para mulheres. Até uma das mais famosas lojas de departamento do mundo, a inglesa Marks & Spencer, vai lançar um vinho do Porto rosé, segundo a loja, um "novo estilo de Porto dirigido às bebedoras mais jovens desse vinho". A M&S pretende "transformar a categoria do Porto" (1970 foi a última vez em que um novo estilo de Porto foi lançado: o Late Bottled Vintage, mas por vinicultores portugueses).
Pelo que li, a loja quer pegar uma carona na onda de sucesso que os vinhos rosados vêm conseguindo em todo o mundo. Só que Guy Woodward, editor de vinhos da revista "Decanter", não ficou nada impressionado com a nova bebida. Disse que seu sabor está distante do vinho do Porto e mais parece vodca com suco de cranberry (oxicoco ou uva-do-monte ou arando). A M&S pensou nas mulheres como público-alvo dessa nova bebida porque "ela é leve e saborosa".
Lembro de vinhos, como o Seduction, White Lie, Mad Housewife e a linha Working Girl, lançados há anos no mercado norte-americano e dirigidos exclusivamente ao público feminino. Quase todos ofereciam um vinho "leve", com teor calórico e alcoólico baixos, pois achavam que esse é o estilo de vinhos que as mulheres desejam. Com exceção do Mad Housewife, quase todos os outros já saíram ou estão de saída do mercado.
O caso do White Lie ("Mentira Branca") envolve até um preconceito. Era um vinho branco, feito com a uva Chardonnay. Dizia no rótulo que "uma mentirinha de vez em quando não faz mal a ninguém". E o rótulo brincava com essas "mentirinhas", como a cor do cabelo etc. Para o produtor, a Beringer, somos todas umas hipócritas. O Seduction vinha numa bolsa transparente de plástico. Sabe como é, leitora, passamos a vida com bolsas de compra.
Em 2005 escrevi sobre esse mesmo assunto aqui (se chamava justamente "Mentiras Brancas").
O caso é que ninguém pode desprezar o poder de compra ou de decisão de compra das mulheres. Nos Estados Unidos, 77% de todo o vinho produzido é comprado por mulheres. E elas consomem cerca de 60% dele. Fora o vinho, a mulheres influenciam na compra de 80% de todos os produtos e serviços. Fazem o grupo majoritário na tomada de decisões, não apenas em áreas tradicionais como moda, cosméticos, alimentação, mas também no setor de serviços financeiros, automóveis, eletrônica, imóveis e viagens.
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