
Nasci no Rio de Janeiro, em novembro de 77. Desde então, tudo o que eu quero é ser amada. Sou devota do amor à primeira vista, do amor eterno e do amor após o matrimônio. Namorei a publicidade, depois flertei com o jornalismo e acabei subindo ao altar com a dramaturgia. Para fugir da rotina, faço aulas de jazz e dança de salão, invento moda, jogo charme e escrevo no blog Pseudônimos.
Quando a querida editora do Bolsa me convidou para ser colunista de "Amor e sexo", na mesma hora pensei: "adoro". Fora fazer, bom mesmo é falar sobre. Como não fica bem entre pessoas que não se conhecem, trato de me apresentar: oi, meu nome é Rosana, sou brasileira, carioca, casada, branca, muito branca, sardenta, muito sardenta, comprida e tudo o que eu quero é ser amada - já falei? Quando estou apaixonada, sou um fiasco: me torno imediatamente mais burra, não sossego enquanto não dou presentes mirabolantes e abraços apertados de mais de trinta segundos. Quando fico triste, não consigo disfarçar. Se preciso esquecer, dói. Quando fico nervosa, tremo e/ou gaguejo e/ou esqueço todas as palavras do dicionário. Quando estou na TPM, quero matar ou morrer. Quando choro, fico com o nariz vermelho.
Sou tímida nos três primeiros minutos de conversa. Fico sem-vergonha depois de três copos. Conto segredos depois de três parágrafos. Abaixo a guarda no terceiro beijo - caso o primeiro me faça contrair o abdome. O primeiro sutiã, a primeira transa, a primeira vez em que te disse "eu te amo" são estréias inesquecíveis. Continuo virgem de ir ao cinema sozinha, virgem de Europa (exceto Paris) e era virgem de escrever coluna, até começar o primeiro parágrafo. Ainda bem que ainda nos restam muitas virgindades, ou a vida poderia ser mais curta.
Parágrafo dos segredos: adoro enfiar a blusa do pijama pra dentro da calça; quando acho que a noite vai ser chata, viro uma dose de vodka antes de sair de casa; gosto de ler sem nada, pegando um ventinho; já traí, já fui traída e prefiro a primeira.
Já fiz uma cirurgia plástica e não escondo de ninguém. Não, não botei silicone. Gostaria de tatuar um botão de rosa fechado, com o caule comprido e coberto de espinhos, mas ainda não tomei coragem. Não sei falar sobre rock nem sobre política. Adoro dirigir e não suporto co-piloto. Gosto de pilotar o fogão e usar todas as trempes. Uma de minhas especialidades é uma bela massa ao molho gorgonzola, acompanhando um bife alto. Na Páscoa, fiz um filé de peixe com farofa de banana e batatas cozidas ao alecrim, que tive a audácia de chamar de "Peixe da Rosana".
Nunca participei de uma dinâmica de grupo, mas imagino que levantaria de minha cadeira e, gaguejando, engataria um dos parágrafos acima, que eu teria decorado no carro, na tentativa de fazer graça de mim mesma e de me fazer amável, até perceber a boca escancarada do examinador, quando então apressaria o ponto final e me sentaria encabulada, certa de ter perdido a vaga.
Já repeti para o espelho retrovisor frases que nunca usei para conquistar homens que jamais me deram bola e em tempo algum fizeram falta - salvo um domingo de chuva, debaixo das cobertas, às seis da tarde. Incrível como a temperatura lá fora interfere nos sentimentos dentro do meu peito. Hoje está nublado: dia de usar meia e sentir saudade.
Oi, eu sou a Rosana, nova colunista do Bolsa, roteirista de tevê, boa filha, boa ouvinte e amante carinhosa. Quero emagrecer dois quilos, não tenho nenhuma roupa que preste no armário, defendo que os clichês não o são por acaso, meu cartão de crédito estourou e o esmalte da unha do meu dedo indicador descascou - era vermelho volúpia.
Pronto, perdi. Essa foi a minha primeira vez. Me examino de cima a baixo e poderia jurar que estou idêntica. Primeira vez é assim mesmo: expectativa no céu, realidade nua e crua - quando eu fui pra esquerda, ele foi pra direita, eu queria fechar mas ele manteve, cheiro de saliva, tremor de vogais e consoantes engasgadas numa face rubra. Muito prazer.
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