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Estilo de Viver

Abra a sua bolsa

Você é daquelas que acha que vinho bom é vinho caro?

Por Sonia Melier • 22/05/2008

O que passa pela sua cabeça quando compra um vinho? O que pesa mais na sua decisão? Você é influenciada pelo preço, pela propaganda, pela aparência da garrafa, por indicações de amigas ou de críticos, pela origem do vinho?

Em princípio, o conjunto de fatores que nos leva a decidir pela compra de sapatos, bolsas, roupas, sucos, comida, CDs, carros, pelo que fazer para o almoço ou o que escolher num restaurante, entre outras coisas, não deveria ser muito diferente quando nos decidimos pela escolha de uma simples garrafa de vinho.

Mas o que nos leva a escolher um entre produtos ou marcas que têm preços e qualidades idênticas? Parece que nossa cabeça é uma bolsa de mulher mesmo, um emaranhado que nem nós mesmas sabemos desenredar. Ela guarda milhares de informações e centenas de listas de compras, uma para cada necessidade ou desejo (roupas, comidas, remédios, vinhos etc.). E essas listas possuem escalas de preferências. De repente, no supermercado, diante da prateleira de artigos de limpeza, por exemplo, essa relação assume o controle e sabemos exatamente quais os produtos são os nossos preferidos e quais os secundários e assim por diante.

Qualquer sommelier sabe que num restaurante, o vinho mais pedido é o mais caro, tal a imagem ainda dominante do vinho como artigo sofisticado, de luxo, "para poucos"

O pessoal de marketing e publicidade não se cansa em criar mecanismos para descobrir como isso funciona, de modo a fazer com que os produtos de seus clientes fiquem no topo de nossas listas de preferências.

No caso do vinho, já fizeram até pesquisas utilizando até equipamento de ressonância magnética de imagem (MRI). A Universidade de Stanford, através da Escola de Comércio Avançado, reuniu 11 estudantes que provaram, cada um deles, cinco garrafas de vinho, todas com preços alterados (por exemplo: uma garrafa de 90 dólares com o preço de 10 dólares) e apenas três das cinco garrafas eram de vinhos diferentes (as outras duas eram do mesmo vinho, claro).

O resultado foi de que quanto mais caro o vinho, o equipamento de ressonância magnética mostrava mais atividade na área do cérebro indicativa de prazer.

Numa outra pesquisa, também recente, uma colunista especializada em gastronomia, a americana Robin Goldstein, reuniu 500 voluntários (pessoas comuns e profissionais) para provar 540 vinhos, com preços variando entre US$ 1,50 e US$ 150,00. Foi um teste cego, as pessoas não sabiam que vinho estavam experimentando. Todos bicaram 6000 taças e registraram suas impressões numa escala de Ruim, OK, Bom e Ótimo. Cada um desses itens tinha um valor numérico: um para Ruim, quatro para Ótimo. E o resultado foi que os vinhos mais baratos se saíram melhor na pesquisa.

Na primeira pesquisa, de Stanford, concluiu-se que na nossa mente a experiência com os vinhos estaria modulada pelo preço. Vinho melhor é vinho caro. Já no trabalho da jornalista, o preço não tem importância. A pesquisa parece festejar o triunfo do vinho popular.

Só que os dois trabalhos, para mim, comprovam que para o consumidor neófito em vinhos o apelo é bem diferente do que aquele que atrai os profissionais ou os mais experimentados com a bebida. Aliás, nem precisa muito de pesquisa. Qualquer sommelier sabe que num restaurante, o vinho mais pedido é o mais caro, tal a imagem ainda dominante do vinho como artigo sofisticado, de luxo, "para poucos". O neófito não tem a mínima idéia da variedade de sabores, aromas, prazeres que essa bebida pode oferecer. Para conhecer esse mundão é preciso ter paciência e não parar de experimentar.






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