Índias do Brasil

Em Abril, a coluna História Feminina vai trazer para as leitoras um pouco da vida das mulheres indígenas brasileiras e com isto revelar a riqueza de nossa cultura antepassada. Este Brasil feminino de que vamos falar é um país do interior, de florestas e onças, animal que é o símbolo de beleza para a mulher indígena, ainda deslumbrantemente desconhecido.
por admin

Antes de tudo, é preciso dizer que há no Brasil mais de 200 povos indígenas, cada um deles uma nação, com universo mitológico próprio. Hoje, estes povos contabilizam 300 mil pessoas, quatro milhões e 700 mil a menos de quando o Brasil foi descoberto. Isto quer dizer que, ao longo de nossa história muitos povos foram exterminados, principalmente no Sul do país, onde a invasão estrangeira foi mais determinante.

O Tupi é o maior tronco lingüístico do país e é falado pelas tribos litorâneas. As palavras indígenas mais conhecidas são derivadas destas tribos, como:

- Ocas: casas, Ipanema: água pútrida, Bangu: barreira escura, Guanabara: o seio do mar, etc...Se falarmos tupi na Amazônia, estamos em maus lençóis, por que eles não vão entender nada.

Cada nação possui características próprias. Por exemplo: as casas e a maneira como estão dispostas variam de região para região e revelam o papel que cada um ocupa na sociedade. O casamento, que este mês é o assunto da imagem social da mulher, é um ritual bem diversificado, mas tem uma coisa comum entre os povos, os índios se casam com parentes. Muitas tribos permitem a poligamia, ou seja um homem com várias mulheres ou uma mulher, com vários homens. Aliás, para os Bororo, é a mulher que pede o homem em casamento. Ela o escolhe e se declara para ele, levando uma boa comida em sua casa. Se ele quiser, come a comida e leva para moça uma boa caça, caso contrário, nem toca no prato e sequer dirige o olhar à ela. Esta autonomia da mulher Bororo, está refletida em sua arte principal: a pintura corporal. Feita pelas mulheres, esta pintura é tão maravilhosa que bota qualquer tatuagem ou estampa do Dolce &Gabana no chinelo.

Bom, se as mulheres ficaram milênios fora da história oficial imaginem as índias. Elas começam a aparecer no cenário mundial pelo relato dos viajantes e colonizadores em nossas terras. Neste mesmo momento, se inicia um dos piores preconceitos contra a mulher nacional, de que as índias estavam sempre dispostas ao sexo, por se sentirem confortáveis com a própria nudez. Durante anos,a violência sexual contra índias brasileiras foi desprezada e ainda hoje, em casos bastante recentes, vemos a escuridão do preconceito. As mulheres indígenas normalmente cuidam da casa, são responsáveis pela culinária, artesanato como a cestaria, plumária, colares, brincos, trançados e pinturas corporais, ainda hoje desprezados como fonte de beleza para a nossa moda.

Conhecer um pouco da história destas mulheres é recuperar o nosso lado onça, um feminino astucioso e com uma ferocidade pra ninguém botar defeito.

Categoria:

Matérias Recomendadas

Facebook Comments