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"O bom design é inovador. O bom design é o menos design possível". É com esta definição - pintada em uma de suas paredes - que o mais novo espaço português dedicado às artes recebe os seus visitantes. Recém-inaugurado, o Museu do Design e da Moda (MUDE) está instalado em pleno coração de Lisboa, no edifício do antigo Banco Nacional Ultramarino. Lá, lisboetas e turistas podem conferir a exibição Antestreia - Flashes do Museu do Design e da Moda - até outubro (!).
"O lugar pretende ser uma casa do design. Um marco da cidade devido à importância da sua atual coleção e das outras que irá receber", afirma a diretora do museu Bárbara Coutinho, em entrevista à edição de maio da revista lisboeta Agenda Cultural.
A inaugural Antestreia abrange elementos da moda e do design do início do século XX até a atualidade. Dividida em 15 módulos, a coleção apresenta vestidos, móveis, objetos de decoração, utensílios de cozinha e aparelhos eletrodomésticos dentro de uma lógica open-space, o que permite ao visitante manter contato visual com diversas peças ao mesmo tempo.
O edifício que abriga o museu é, por si só, um dos protagonistas da exposição. O ambiente luxuoso e a personalidade arquitetônica do prédio dos anos 50 deslumbram quem visita o MUDE. A construção semidestruída aproveita elementos originais do antigo banco para criar um bonito contraste com o design moderno das peças expostas no local.
Fazendo arte
Antestreia foi escolhida por mostrar elementos da moda e do design que trouxeram à tona desafios técnicos e culturais. Peças representativas do seu tempo que provocaram mudanças na mentalidade, na cultura, nos hábitos e no aproveitamento dos espaços. O Brasil não podia ficar de fora. Nossos artistas Fernando e Humberto Campana marcam presença com a cadeira Banquete, de 2004, toda feita com bichos de pelúcia - motivo de orgulho para os turistas brazucas que passam pelo MUDE.
Confira alguns dos módulos expostos nesta exibição:
- Tradição e modernidade: No final dos anos 70, os japoneses conquistaram os holofotes da alta costura partindo da reinterpretação das suas tradições. O estilista Kenzo provocou escândalo no mundo da moda com silhuetas inesperadas, volumes espaciais, tamanhos extralarge e muita assimetria. Neste módulo estão expostas as túnicas de formato abstrato do compatriota nipônico Issey Miyake.
- Para lá das definições: O designer Tejo Remy faz renascer objetos descobertos ao acaso. Suas peças são experimentais, únicas e produzidas em pequenas edições. O armário You can't lay down your memories (1991) foi construído a partir de gavetas velhas encontradas na rua. O artista holandês é um dos expoentes do Droog Design (desenho seco), movimento que valoriza o humor inteligente e a imperfeição artística.
- Sonho espacial: Com a chegada do homem à lua em 1969, os objetos de decoração ganham uma nova identidade. A cadeira Bubble, do artista finlandês Eero Aarnio, é um dos exemplos do design futurista que começa a surgir nessa época. Materiais como o acrílico e a espuma dão vida a esse conceito inovador.
- Tecnologia e consumo: A exposição The World of Tomorrow (Nova York, 1939) é o ponto de virada da imagem industrial. Protótipos de máquinas seduzem o consumidor e prometem mudar o futuro. Neste módulo são exibidos rádios, aquecedores, secadores de cabelo, batedeiras e outros aparelhos eletrodomésticos dos anos 40.
- New look, elogio à feminilidade: Aqui são expostos alguns vestidos da primeira coleção do estilista francês Christian Dior. Criada em 1947, o New Look exala beleza e feminilidade com suas roupas de cintura fina e saias rodadas abaixo dos joelhos. Além de Christian Dior, outros estilistas famosos possuem algumas de suas peças exibidas em Antestreia. São eles: os franceses Jean Paul Gaultier e Givenchy, além do britânico John Galliano e do espanhol Paco Rabanne.
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