Dionísio, Valentim e Antônio

Já escolheu o presente para o namorado? Que tal livros sobre vinho?
por admin

Uma amiga pediu dicas para o Dia dos Namorados. Naturalmente, relacionadas ao vinho - até porque o seu parceiro atual, segundo ela, é um honesto interessado em saber mais sobre a bebida. Recebo muitos pedidos como esse e costumo responder com indicações de rótulos que possam garantir o sucesso de um encontro no dia de hoje.

Mas minha amiga estava mais interessada em livros. Ela queria algo que pudesse sobreviver a uma data, que pudesse se eternizar. Embora um vinho, dependendo da ocasião, possa ter essa capacidade (e penso também que o amor seja uma símbolo de eternidade), acho que minha amiga queria algo que desse alguma base ao interesse de seu namorado pelos vinhos.

O vinho sempre esteve ligado de alguma maneira ao amor, a felicidade, ao prazer, ao convívio prazeroso dos casais

O vinho sempre esteve ligado de alguma maneira ao amor, a felicidade, ao prazer, ao convívio prazeroso dos casais. E há milhares de anos, desde quando Dionísio foi empossado como deus do vinho, da alegria e dos ciclos vitais, as mulheres vêm desempenhando uma parte fundamental nesse convívio. Afinal, nós éramos as únicas a participar dos ritos religiosos que aconteciam, entre dezembro e fevereiro, no monte Parnaso, próximo a Tebas, Grécia. Milhares de mulheres se vestiam como mênades, as sacerdotisas do deus, e dançavam durante dias num frenesi que chegava à histeria coletiva, em torno de um falo gigantesco (komos, talvez a raiz da palavra comédia). Elas procuravam ressucitar Dionísio. Pois no inverno do hemisfério norte, o deus estava simbolicamente morto, desmembrado e esmagado na vindima, as videiras estavam estéreis.

Mas logo, com a chegada a primavera, Dionísio e suas uvas voltariam à vida, tornariam-se férteis. Esses ritos, ou festas, que em Roma eram chamados de Saturnália, estão na origem do Carnaval. Não espanta que o Dia dos Namorados na América e na Europa seja celebrado em fevereiro. Lá chamam o 14 de fevereiro de Dia de São Valentim. Diz a história que um imperador romano, Caldeus II, proibira os casamentos de modo a formar um grande exército, acreditando que jovens solteiros se alistassem com mais facilidade. Contudo, Valentim, um bispo romando, continou a celebrar casamentos. Foi preso e condenado à morte. Enquanto na prisão, jovens jogavam flores e enviavam bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro de 270 d.C.

Outras histórias falam que a data foi associada a romance na Idade Média, possivelmente em razão do início da primavera e da estação de acasalamento dos pássaros. Só no século 18 é que começaram a acontecer a troca de chocolates, jantares à luz de velas etc. que conhecemos hoje.

No Brasil, comemoramos hoje, na véspera do Dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro - possivelmente pela importância que dava à união familiar. O hábito de "ficar" ainda não era admitido nas aventuras românticas (mas que era praticado, isso era).

Mostrei para a minha amiga indicações de livros que tinha feito a um leitor da coluna, que também queria aprender mais sobre vinhos. E ela aparentemente gostou.

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