Ni Bernardes comentou:
30/12/2009 | 16:51
Sou negra e ADORO minha pele que, segundo meu marido \\\" é de um tom terracota que por si só já é um traje de gala\\\".
Declarações de marido apaixonado, envaidecem, mas não podem ser critério para muita coisa, porquanto o amor, ainda que não seja cego, enxerga sempre o que melhor lhe convém.
Fato é que não somos americanos, judeus, negros, árabes, chineses, afrodescendentes... No cerne de nossa essência, jamais fomos divididos: somo a ESPÉCIE HUMANA.
A luta contra o preconceito ou qualquer outra grande miséria universal não pode ser um problema de \\\"raça\\\", mas uma responsabilidade da espécie.
Um catedrático de Harvard passa, por exemplo, pelos mesmos fenômenos construtores de pensamento que uma criança etíope castigada pela fome.
Ambas possuem um rico universo interior a ser explorado e merecem a mesma dignidade.
Nossa ruína está no fato de que, historicamente, ainda não adquirimos o sentimento de espécie.
Nós nos fragmentamos, nos agrupando pela cultura, religião, cor da pele, posição social...
Segmentamos a vida.
Dividimos o que é indivizível, porém se honrássemos na plenitude nossa capacidade de sentir e de pensar, nos conscientizaríamos de que todos somos mais parecidos do que imaginamos.
Já irritei ( e continuarei irritando) muitos representantes dos chamados \\\"movimentos negros\\\".
Pessoas amargas e desonestas intelectualmente que tentam criar no Brasil um \\\"apartheid\\\" às avessas.
Alimentam velhos preconceitos, inaceitáveis intolerâncias, odeiam mais de meio mundo.
Mais difícil que tirar o negro da senzala no século 19 é tirar a senzala do negro em pleno século 21.
A atividade mais simples dos computadores, deletar, é impraticável na história humana.
Temos de conviver sim com nosso passado histórico de humilhações e dor.
Passado não se deleta, mas, perdendo velhos preconceitos e antigas mágoas, ganhamos novos e mais belos horizontes.
Escrevemos outra história. Dessa vez, mais feliz!
Bjs,
Ni
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