Estilo de Viver

Cinturas em alta

por Helena Schneider | 22/10/2006

Nas passarelas, o cós aparece lá em cima. Mas será que essa moda pega?




Cinturas em alta

Durante séculos e séculos, uma mulher que desfilasse por aí com o umbigo de fora era motivo de um tremendo escândalo. Hoje em dia, escondê-lo é que parece uma loucura. Há algumas coleções, estilistas do mundo inteiro estão fazendo a cintura alta ressurgir nas passarelas, mas isso não tem sido o suficiente para que ela emplaque nas ruas. Entre as discussões sobre valorização das formas ou mera cafonice, o fato é que pouca gente teve coragem (ou corpo?) para subir o cós.

Veja as fotos dos modelitos com as cinturas em alta nas passarelas.

Quando calça ainda era exclusivamente coisa de homem, lá pelo século XVII, os vestidos, entre os nobres, eram feitos com muito pano e apertavam as cinturas, destacando os seios com sufocantes corseletes. Só depois da Revolução Francesa, no século seguinte, a moda ficou mais simples e solta: vestidos leves marcaram o surgimento da cintura império, logo abaixo do busto. O umbigo só deu as caras no século XX, ao final da Primeira Guerra. É a época das melindrosas, quando subiram os comprimentos das saias e desceram as cinturas.

De lá pra cá, a moda marcou-se por esse sobe-e-desce. Nos anos 70, foi a vez do saint-tropez. Nos 80, cinturas lá em cima com as calças baggy e clochar: quem não se lembra dos modelos da Philipe Martin e da M. Officer? "Ai, traumatizante! Eu era adolescente nessa época e, quando eu vejo fotos, me acho sempre um palmito", define a produtora cultural Sandra Motta. Ela é uma das que não têm mais coragem de entrar numa cintura alta. "Hoje em dia, só se fosse uma coisa muito delicada", comenta.

A publicitária Mônica Pettini é da mesma turma. "Valoriza a cintura, as pernas, mas eu não usaria. Eu também tenho uma certa implicância com o cós muito baixo, só gosto se for uns dois dedos, no máximo, abaixo do umbigo. Mais do que isso, deforma", defende. Quem também impõe restrições é a figurinista Arlene Fernandes. "Acho um look jovem, por natureza. Numa mulher mais velha, como eu que já passei dos 40, não fica bonito, só se tiver um corpão e muito estilo, como uma Silvia Pfeifer", diz.

Já entre as entusiastas, a produtora de moda Juliana Salgado acredita no poder de renovação da cintura alta. Ela acha que já está mais do que na hora de mudar a silhueta. "Os estilistas estão tentando ressuscitá-la há algum tempo, mas não pega por nada. O cós baixo está estacionado e eu acho que ele tende a se vulgarizar. Já está assim quando faz dobradinha com o indefectível piercing no umbigo", diz ela, que arrisca uma previsão. "Eu tenho visto nas ruas que as batas estão se acinturando debaixo do busto e isso, eu acho, já é um reflexo de que a coisa pode pegar", acredita.



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