Uma das mulheres mais bonitas do cinema está no Brasil. A musa francesa
Catherine Deneuve veio ao Rio de Janeiro para a abertura do Festival Varilux de Cinema Francês e concedeu uma entrevista coletiva, onde falou sobre a carreira, a ditadura da beleza e o filme "Potiche: esposa Troféu", que está na mostra. O festival, aberto em São Paulo na noite de quarta-feira, acontece em 22 cidades simultaneamente.
Com uma hora e meia de atraso - ela chegou de Sâo Paulo no início da tarde - Catherine falou de tudo um pouco com os jornalistas, inclusive do destaque que a imprensa deu ao cigarro que fumou durante a entrevista em São Paulo ("Se eu soubesse que era proibido, não teria fumado").
Veja os principais trechos da entrevista.
Cinema transgressor"Eu não fiz filmes considerados transgressores [como "A Bela da Tarde"] por causa de seus diretores ou por eles serem transgressores. Eu os escolhi por causa de sua qualidade. De qualquer maneira, é preciso transgredir, mas pelo que vale a pena".
Personalidade forte"Interpretei mulheres de personalidade forte ao longo de minha carreira e isso de alguma maneira fez com que as pessoas pensassem que sou assim. Mas não sou Catherine Deneuve, sou apenas Catherine. Sou apenas uma atriz. Mas é pesado viver com esse estigma. Mas há mais vantagens do que desvantagens".
Cantar no cinema"Não sou cantora. Por mais que goste de cantar. Em 'Guarda-chuva do amor' fui dublada, como os outros atores. Em 'Les Bien-aimés', o Christoph Honoré [o diretor do longa] quis que todos cantassem. Cantar é uma das coisas que todos os atores gostam de fazer".
'Potiche: Esposa Troféu'"O fato de haver uma fábrica de guarda-chuvas no longa é apenas uma coincidência, não uma homenagem 'Guarda-chuva do Amor'. O roteiro é adaptado de uma peça, no original é assim e o diretor [François Ozon] manteve igual".
Ditadura da magreza"Hollywood é Hollywood, é muita imagem. O culto da beleza é limitador para uma atriz jovem. Eu lamento muito isso. Sobretudo, o culto da juventude. Nos países latinos, aceitamos melhor o fato de envelhecer. Envelhecer em Los Angeles é mais difícil do que na Europa. Mas é preciso aceitar os novos papéis. Uma mulher de 60 nunca vai poder interpretar uma mulher de 25".
Mulheres poderosas"Há muitas mulheres no poder, mas ainda não o suficiente. Os salários, por exemplo, ainda são desiguais".
A relação com a filha, Chiara Mastroiani"Viremos ao Brasil no fim do ano, para divulgar o filme 'Les Bien-aimés'. Atuar junto com ela foi como se fosse uma continuação da vida. Mas não somos nada parecidas, ela é muito mais italiana do que eu'. [Chiara é filha de Catherine com Marcelo Mastroiani, ator italiano, falecido em 1996].
Cigarro"Fiquei muito chocada de como os brasileiros são formais. Na França, eu fumei na coletiva, se eu soubesse que aqui era proibido eu não teria feito. Não quero ficar conehcida como uma fumante compulsiva. Isso é uma das coisas da internet. Você fica 45 minuitos falando de um filme e tudo o que resta é que você fumou na entrevista. Parece muito com o livro '1984', vivemos na época do terceiro olho".
Diva"É um termo para ópera. Não acho que seja muito bom para as atrizes. Acho pejorativo, dá a impressão de que as pessoa tem muitos caprichos e requisições. O que falta no cinema é o mistério. Mas acho que muito disso é culápa da mídia, que banalizou tudo. Eu não tenho interesse em saber que um ator vai à feira. Eu acho um horror, por exemplo, a revista "People".
Cinema"Adoro ir ao cinema, compro dvds e vejo filmes antigos, mas não os meus porque não tenho muito tempo para isso. Gosto sempre de descobrir algo novo. Não penso em ser diretora, sou intérprete. Conheço pouco do cinema brasileiros, alguma coisa do Walter Salles. Mas lamento que os filmes brasileiros fiquem tão pouco tempo em cartaz na França".
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