Balzaquianas

Há quem empregue a palavra balzaquiana de forma pejorativa e até negativa. Mas, na realidade, é com 30 anos que as mulheres chegam ao seu ápice: mais maduras, realistas e vividas, elas esbanjam sensualidade e realização.

por Redação

Elas são mais maduras, sensuais, menos tímidas, mais realistas e, principalmente, vividas. As balzaquianas, como ficaram conhecidas as mulheres de 30 anos, já suportaram muitos preconceitos pelo estigma que essa palavra trazia. Com tom pejorativo, muitas vezes eram rotuladas como “balzaquianas encalhadas”, já que, antigamente, para se viver um romance era preciso ter no máximo uns 20 e poucos anos. O escritor francês Honoré Balzac, que viveu no início do século XIX, foi o primeiro a falar da incompatibilidade de casais e trazer à tona a discussão sobre a idade feminina. Foi ele quem considerou as de 30, mulheres no ápice da sua vida sexual, que conhecem como ninguém a arte de seduzir e encantar, e têm muitas histórias para contar.

Quando se está na faixa dos 20, há um certo temor em chegar aos 30. Muitas idéias na cabeça, sonhos, desejos e o medo de não alcançá-los. Mas até lá falta muito, é o que se pensa. A estrada parece ser longa. Então, o negócio é aproveitar. Nenhuma preocupação com o corpo, muito menos com a mente. E como o tempo não pára, os 30 chegam. “Antes eu fantasiava demais, vivia no mundo dos sonhos e ilusões. E é impressionante a mudança que aconteceu quando entrei nos ‘inta’”, declara a produtora de moda Flávia Dantas, de 31 anos, que passou a perceber com mais nitidez o mundo à sua volta. “Luzes acenderam na minha cabeça, idéias clarearam, fiquei mais intuitiva e, o que é melhor, passei a ter orgasmos múltiplos. Agora me conheço, estou mais solta, faço o que gosto com menos pudor, mesmo nas vezes em que encano com minhas celulites e a bunda caída. Isso é que dá sair com garotinhos de 20″, diverte-se.

Mas nem tudo são flores. Flávia se encontra numa tardia crise dos 30, como define. Está vivendo sobre pressão, pois não tem lugar para morar, está abrindo uma empresa sem dinheiro e não tem namorado. “Há uma cobrança muito grande da sociedade para você dar certo profissional e socialmente e isso significa bom emprego e casamento. Então, me sinto devendo. Recomecei minha carreira agora, numa idade que sempre me imaginei bem resolvida”, lamenta ela, que pelo menos se sente mais capaz em fazer acontecer. Flávia confessa que não tem mais o gás de anos atrás, mas a maturidade e os pés no chão lhe dão mais segurança de seguir o caminho que realmente quer, preocupando-se, é claro, com sua saúde. “Penso duas vezes antes de cair na noite. Amanhã não quero acordar com ruguinhas e olheiras”, brinca.

O tempo passa, mas parece que os valores continuam os mesmos. Não faz muito tempo que o casamento deixou de ser visto como prioridade pelas mulheres, ou pelo menos por algumas delas. No entanto, no livro ‘A Mulher de Trinta anos’, de Balzac, a psicologia feminina é retratada com muita coerência e atualidade. Sua personagem principal, Júlia d`Àiglemont, é o primeiro retrato da mulher mal casada, consciente da razão de seus sofrimentos e revoltada contra a instituição imperfeita do matrimônio. A única coisa que a psicóloga Laura Rosa imaginava era estar casada aos 30. Nem passava na sua cabeça a profissional, a mãe ou a solteira. Tinha o sonho e correu atrás. “Casei aos 27 anos e por pressão minha. Tinha medo de ‘chegar lá’ sem marido. Na virada das décadas eu ainda estava casada, mas já começava a ser infeliz. Com 31 não agüentava mais a monotonia e o tédio do meu casamento e me separei”, lembra ela, que revolucionou a vida depois do divórcio. Fez uma pós-graduação, emagreceu, conheceu pessoas e passou a ter prazer na própria companhia. “Me acho tão interessante, madura, agradável e inteligente que estou bem só. Mas essa clareza me veio aos trinta”, afirma essa balzaquiana feliz, que pelo seu julgamento, não tem mais a beleza óbvia dos seus 20 e poucos, mas tem o que falar e muito a fazer.

Como na adolescência, a mulher desabrocha depois dos 30 anos. Adquire um ar mais sensual e os hormônios, mais harmonizados, borbulham diferente. A pele tem outra textura, o cheiro fica mais forte e elas, mais sensíveis. “Me sinto mais mulher. Já casei, separei e minha filha já tem 10 anos. Já pude sentir no meu corpo muitas sensações femininas intensas. Tenho uma história que não se compara a nada, mas o melhor seria ter o mesmo corpinho e carinha dos meus 20 anos e a cabeça dos 38″, deseja a empresária Silvia Freitas, que confessa ter medo de envelhecer apesar de estar trabalhando bem essa questão. “É difícil notar e aceitar algumas mudanças, do tipo abaixar e perceber que meu rosto dá uma despencada, mesmo que sutil. Mas como isso não é tudo, vou buscar desenvolver meu lado espiritual e concretizar meus projetos de vida”, ensina ela, que ainda se considera uma perdida profissionalmente apesar de saber do que gosta. Silvia explica que só começou a viver mesmo aos 29, quando se separou e ficou encantada. Segundo ela, nessa fase, engolia a vida e os homens, é claro.

Para o psicólogo Paulo Próspero, as balzaquianas realmente vivem um florescimento de valores intelectuais e espirituais. “É uma conjunção imbatível: elas aliam belos dotes físicos, a maturidade pessoal e encontro espiritual”, define. Mas, para ele, há uma mudança no padrão das ‘balzacas’. Diferente do início do século XIX, quando Balzac escreveu seu livro e trouxe uma nova realidade para a sociedade, hoje ele vê esse período mais alongado, com mulheres de 40 e 50 anos vivendo na sua plenitude. “Elas se cuidam mais e têm a possibilidade de fazerem uma manutenção física melhor. Fora a experiência de vida, pois o tempo é uma grande escola para quem quer aprender. E além de bonitas, elas têm bagagem”, avalia.

Parece que a vida começa aos trinta. Ou pelo menos um novo sentido de vida, onde as dúvidas vão se modificando, os medos são substituídos e os valores aperfeiçoados. Aos 36 anos, a jornalista Cristina Fernades não tem mais ‘aquela’ ansiedade. Sabe esperar, entender e procurar. “Sei a hora de caminhar e voltar e faço as coisas acontecerem. Não tenho mais aquele corpinho de uma gatinha. Mas sei como ter e dar prazer. Aprendi a cobrir e despir com classe e segurança. Dane-se os peitos caídos ou as celulites que cismam em se instalar nas minhas coxas”, revela. Cristina tem o rosto ainda sem marcas, fruto dos cremes milagrosos e de sua disciplina árdua. Mas os olhos são expressivos e com bolsas que carregam a bagagem do que viveu e, segundo ela, das mágoas que chorou.

E como já dizia Balzac em seu livro: “Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis para um rapaz… obedece a um sentimento consciente. Escolhe… dando-se. A mulher experiente parece dar mais do que ela mesma, ao passo que a jovem, ignorante e crédula, nada sabendo, nada pode comparar nem apreciar… Uma mulher… se esconde sob mil véus… Afaga todas as vaidades… Chegando a essa idade, a mulher sabe consolar em mil ocasiões em que a jovem só sabe gemer. Enfim, além de todas as vantagens de sua posição, a mulher de trinta anos pode se fazer jovem, desempenhar todos os papéis, ser pudica e até embelezar-se com a desgraça “, finaliza.

Comentários

  1. disse:

    com 30 anos eu quero estar mais realizada , quero estar mais bonita e quero estar com uma vida sussegada !!!!!que maravilha será!

  2. disse:

    ESPERO CHEGAR LA COM A CABEÇA MAIS TRANQUILA, MAIS SOLTA, RELAXADA E FELIZ!

  3. disse:

    Bem, pra mim aconteceu exatamente aos 30 anos, a minha independência e liberdade… Tive um cantinho só meu e foi uma experiência muito importante. Estava madura o suficiente para morar sozinha.

  4. disse:

    Espero fazer mais cursos, mestrado doutorado, ter uma casa confortável, livros e cds. Além disso, viajar, ser uma espécie de Orlando by Virgínia Woolf. Fazer quem sabe um curso de dj e descotecar por aí… Ah! As os homens se vierem, os com perspicácia serão bem recebidos!

  5. disse:

    Espero continuar sendo linda e tendo esse corpinho.
    Como tambem conhecer alguem que possa ser amigo intimo e dividir momentos de tristeza e alegrias, experiencias etc.

  6. disse:

    Já tenho 31 passados, mas digo de carteirinha , acho que é a melhor fase da vida, onde mudamos alguns conceitos, somos mais maduras para administrá-los e vivemos muito mais felizes assim.

  7. disse:

    O texto é bárbaro e condiz absolutamente com a verdade. Tenho o livro de Balzac e como está em ingles, ate hoje tive preguiça de ler, devo confessar! Mas, chegar aos 30 foi maravilhoso. Na verdade, mudei muito aos 28 e de la pra ca me sinto feminina demais, capaz demais, sensivel demais. E delicioso. Claro que me grilo com flacidez, rugas, celulite, mas o conceito do corpo e da cabeça e espirito estao bem mais claros.

  8. disse:

    E verdade, hoje com 32 anos me sinto mais mulher, mais segura, mais cobiçada e o que é melhor com mais tesão na vida a dois!!!!
    Amei fazer 30 anos!!!!!!
    Que delícia!!

  9. disse:

    Com certeza. Eu ainda estou nos 29 e meio, mas já me considero nos trinta. E realmente é verdade, me sinto mais madura, e com a minha separação pude ver tudo aquilo que imaginava não existir, ou medo de saber. Tenho confiança em mim, na minha capacidade profissional e pessoal, como mulher. Isso é ótimo, sentir-se viva mesmo com a idade chegando. As celulites como disseram. Mas isso é besteira, hoje sei seduzir, encantar mostrar o que sou realmente e o que espero.
    E espero continuar assim, descobrindo meus valores e buscando os meus ideais que antes deixava engavetado.

  10. disse:

    Completei 32 anos no dia 26/02 e digo conscientemente que nada mudou em minha vida, a maturidade e experiência vem com o tempo, independe da idade. Sou madura para o que devo ser (minhas responsabilidades com trabalho, estudos, relacionamentos), mas me sinto uma menina em meu espírito, em minha alma. Acho que já basta o tempo passar e envelhercermos fisicamente com ele. Nosso espírito, nossa alma, pode ter a idade que você quizer. É só tentar!
    E olha que funciona como um meio de rejuvenescimento, pois o máximo que aparento ter é 25 anos.

  11. disse:

    Já fiz bem mais que 30 (50) vivi os 30 como se tivesse 20,os quarenta como se tivesse 30 e pretendo viver os 50 como se tivesse 40 e assim por diante. Isso facilita tudo , você nunca se sente com a idade que tem, com a vantagem de se achar competente para trabalhar, estudar, viajar etc. esse é o grande segrêdo, no meu modo de encarar a vida. Aproveite!!! Ela passa pode ter certeza. DeusAfrodite

  12. disse:

    No meu modo de entender a vida, contribuir para a proliferação da raça é a consequência natural por ter nascido. O que você faz da tua vida é o que conta, como por exemplo: Estudar, viajar, realizar-se na profissão, amar e ser amada reciprocamente, galgar degraus na vida afora. Realizar-se!!! DeusAfrodite

  13. disse:

    Só depende de você!!! Vá em frente e seja feliz!! Se ame bastante, esta é a peça chave !!! DeusAfrodite.

  14. disse:

    Com esse codinome fica difícil ser feliz, concorda? Muda isso, não atrai bons fluidos!!Vamos combinar?! Que tal o nome de alguma rainha egipcia? DeusAfrodite

  15. disse:

    tenho 41 anos, sou viuva ha 10 anos, e so agora com 40 anos que encontrei um moço de 31 nos que consegui chegar ao tao faldo orgasmo, porisoo para mim ser balzaquiana foi otimo.

  16. disse:

    C@armen,

    e’ muito prova’vel que eu tenha “mulher”ou a
    “a m. de 30 anos” (tenho bem mais…) em portugues. Caso v. se interresse , escreva-me.

  17. disse:

    Ja tenho 35 anos, bem vividos maravilhosamente com 2 filhas e 1 neto, e ainda tenho o prazer de ter um namorado de 25 anos super apaixonado alem de extremamente ciumento.

  18. disse:

    Tô chegando lá! Mais madura e experiente? Talvez! Espero continuar levando minha vida numa boa sem encanações, amar muito e intensamente!

    Vc gosta de Fóruns? Dê uma passadinha no Sem-Teto: http://www.semteto.hpg.com.br. Beijos!

  19. disse:

    Tenho 50 anos e me sinto como se tivesse 30. é uma questão de cabeça!

  20. disse:

    Há quem se encante com as “balzacas”, mas não podemos ignorar as alfinatadinhas que recebemos por sermos da casa dos 30. Fazer o quê?

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