Fazer crítica gastronômica é uma atividade quase sempre, digamos, ingrata. A leitora pode até achar que estou dizendo isso de barriga cheia - e, de fato, estou. Afinal, sair por aí em restaurantes, comendo dos melhores pratos e voltar em seguida para a redação dando sua "opinião especializada" para o público é algo que tem o seu glamour.
Mas, esse não é o meu caso. Como você, provavelmente, não sou um gourmet renomado e minhas papilas gustativas têm uma sensibilidade nem acima, nem abaixo da média. Isso, no entanto, não me impede de encontrar um incomparável prazer em degustar (ou, por que não, comer?) um bom prato e reconhecer neles alguns segredinhos que lhes fizeram a diferença. Foi assim quando fui experimentar o novo Menu Experimente, do restaurante Gula Gula, no Rio.
O "Gula" já é considerado um restaurante tradicional na zona sul carioca. Aliás, ele sintetiza bem esse espírito leve e informal e seu cardápio, que serve de inspiração para outros estabelecimentos que passaram a seguir uma linha semelhante, é uma amostra do que poderia ser chamado de gastronomia carioca. O Menu Experimente é uma espécie de anexo ao cardápio fixo, que traz, a cada temporada, novas criações da cozinha das chefs Nanda de Lamare, Ciça Roxo e Ana Salles, competentes não só no que fazem. Durante o almoço, conversamos bastante com Ciça Roxo e ela, além de linda, é uma mulher muito inteligente. Além de simpaticíssima.
Mas, como o Cotação não é da chef, vamos aos pratos. O Menu Experimente "em cartaz" no Gula Gula foi preparado para a temporada de primavera-verão e a marca dos pratos são os ingredientes da época, usados em pratos leves, refrescantes e coloridos. Nosso almoço foi aberto pela Taça de Camarão, com legumes crocantes, pesto de salsinha e o acompanhamento de tortilhas de milho. A entrada é realmente irresistível: leve, muito leve, com sabor de volta da praia e sábado ensolarado.
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Em seguida, foi a vez da Salada de Sete Grãos, que leva castanha do Pará torrada, frango desfiado, funcho, rabanete e vinagrete de tangerina. Esse é, para mim, o grande destaque do menu. O colorido de sabores conseguido na combinação, em que principalmente se destacam os contrastes do funcho e do vinagrete de tangerina, é surpreendente. Outro prato levíssimo, com uma apresentação maravilhosa, que enchem os olhos e o paladar. Eu e Andiara, diretora executiva do Bolsa que me acompanhou no almoço, elegemos essa salada como a nossa preferida. "Apenas algumas castanhas do Pará talvez não precisassem estar tão torradas. Senti alguns amargos", comentou ela comigo, enquanto voltávamos do restaurante.
A Tigelinha de Caranguejo é outra maravilha. Segundo Ciça, é uma receita muito antiga do pai de uma das donas do restaurante e que fez tanto sucesso na temporada passada do Experimente, que foi mantido nessa. A carne do caranguejo temperada com precisão com pimentões e alguns mistérios é servida acompanhada de uma farofinha de dendê - uma perdição minha, em particular. A porção não é grande, ao contrário da Salada de Sete Grãos e mesmo da tradição bem-servida do restaurante. Mas essa pequena delícia vale, por si só, o almoço.
Encerramos o almoço com o Tostex de Broa de Milho, um sanduíche feito a partir da broa selada, com mascarpone e recheado com peito de frango, tomate e berinjela grelhados. O prato é ótimo, mas quando vai para a competição com os demais, acaba ficando aquém do que o cardápio em geral oferece. Nada de extraordinário, na verdade, exceto pelos chips de cará, uma ótima surpresa que me fez questionar muito seriamente o monopólio da batata frita.
No mais, é claro que vale experimentar o Experimente, do Gula Gula. O restaurante segue na sua tradição de qualidade, sofisticação informal, bons preços e acertadas surpresas.
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