Antonio Bernardo, há 35 anos pensando em jóias, é um daqueles joalheiros discretos que mantém o requinte e a simplicidade nas suas peças com o mesmo despojamento e charme do lifestyle carioca. Ele acaba de lançar uma linha de peças especialmente para o ano 2010. São pérolas, pedrarias, ouro branco, ouro amarelo e uma nova versão do clássico anel de serpente, o anel dragão.
O designer, que um dia pensou em ser engenheiro, não gosta de chamar os seus lançamentos de "nova coleção", não se prende a tendências e desenvolve as peças como se fosse um desdobramento entre uma e outra. "Não chamo minhas novas peças de coleção porque não tem um tema específico como a moda segue. Minha jóia não tem moda. Ela é uma peça que está em eterna reprodução", diz o joalheiro que citou o desenvolvimento de uma nova versão do famoso anel Puzzle em curva como exemplo da liberdade de pensamento em seu trabalho.
"A joia me instiga permanentemente"
As formas são arredondadas, côncavas, convexas com criações em situações diferentes aprofundadas na própria forma. Os brincos de pérolas são como esferas e o de pedra, como o anel ação, parece ter impulsionado a pedra no ouro e cavado o espaço para ela. "Este anel sugere que a pedra, quartzo rosa ou leitoso, tenha sido pressionada contra o metal. Movimento que fica marcado em sua forma. Um anel poderoso para mulheres poderosas, mas que remete à brincadeira infantil de massa de modelar", explica.
Confira AQUI peças da nova coleção
Antonio surpreende escondendo pérolas, equilibrando pedras e brincando com diamantes e chama de íntimo a vontade de esconder os diamantes em pulseiras e aneis. "Você só enxerga com uma certa aproximação", diz. Um exemplo é a pulseira Íntimo, onde as peças se complementam com inclinação simétrica, mostrando a ligação e o contato entre as partes. Já o anel Janela faz parte da eterna pesquisa de entrar na forma do objeto, de abrir passagens, túneis e investigar os espaços tridimensionais explorando o dentro e o fora. "Como se a fonte de inspiração não se esgotasse. O meu desafio é retirar novas formas das antigas", conta o joalheiro, que revela: uma peça o instiga permanentemente. "É um processo, desenvolvimento de criação". Tenho a sensação de que todas as minhas joias derivam da primeira que criei. De uma, penso em outra e outra e outra", revela Antonio Bernardo.
Entrar na forma
O joalheiro começou a sua pesquisa das formas quando viu pela primeira vez o trabalho do escultor Henry Moore, modernista que trabalhou o abstrato figurativo, e se apaixonou pelo objeto que atravessa com o olhar. "A escultura monolítica de Henry Moore me despertou esse interesse de atravessar a forma e de criar novas situações", diz.
Do casamento a um coquetel, a joia criada por Antonio Bernardo pode ser usada em uma variedade de situações. "Sou conhecido por criar uma joia informal que deixa de ser circunstância para fazer parte do seu dia a dia", conta.
O joalheiro chama o rosado de ouro calmo como complemento da joia de uma mulher muito feminina e acredita que o ouro branco já foi forte tendência apontando o ouro amarelo como o eterno.
A seguir, conheça as criações de Antonio Bernardo