Estilo de Viver

Alexia Dechamps sem rótulos

por Renato Damião | 28/09/2011

Atriz leva aos palcos vida de Gabriela Leite, fundadora da ONG DaVida, da grife Daspu




Alexia Dechamps sem rótulos

"Eu queria um desafio grande, não queria fazer nada que eu já tivesse feito antes", é assim que Alexia Dechamps explica o motivo pelo qual escolheu levar aos palcos a vida da fundadora da ONG DaVida, que ficou conhecida pela grife Daspu, Gabriela Leite. Na peça "Filha, Mãe, Avó e Puta - uma entrevista", em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, a atriz fala sem tabus sobre sexo e, principalmente, liberdade de escolhas.

Para encarar o "desafio", Alexia se aprofundou na história de Gabriela e precisou lidar com os próprios preconceitos: "Eu tenho alguns poucos preconceito, mas luto para não tê-los", afirma ela que encabeçou o projeto desde a compra dos direitos até a montagem final. "Desde 2006 eu só vinha fazendo participações. Queria voltar a trabalhar em alguma coisa realmente diferente", diz.

Para garantir uma caracterização perfeita, a atriz descoloriu os cabelos - uma de suas marcas registradas -, conversou horas com Gabriela, para observar seu modo de falar e se expressar, e visitou as profissionais da Praça do Lido, famoso reduto de prostituição em Copacabana. "O que conheci lá foram moças de todos os tipos, algumas muito tímidas, recatadas, algumas casadas e com filhos. Pessoas como qualquer outra", comenta Alexia.

Em cena, dirigida pelo amigo Guilherme Leme, Alexia divide o texto de Marcia Zanelatto com Louri Santos, que dá vida a um jornalista que ajuda a personagem Gabriela a relembrar os fatos mais marcantes de sua trajetória. "Na adaptação perde-se muito, por isso optamos por alguns pilares: a vida pessoa, a militância política e luta pela liberdade", revela Alexia que "mergulhou de cabeça" nos ensaios que chegavam a ter 10 horas de duração até aos finais de semana.

"Seria fácil fazer uma peça de modelo, de mulher loura, chique, como a maiorias dos trabalhos que eu fiz, mas nada disso que interessava mais. Estou disponível para novidades, se precisar raspar a cabeça, eu raspo", desabafa Alexia, que recebeu elogios rasgados da própria Gabriela. "Ela disse para mim: 'Alexia, você vai calar a boca de muita gente'", revela. A dedicação parece estar dando certo, as sessões estão lotadas e a peça ganhará sessões extras. "Se eu conseguir quebrar alguns preconceitos por meio da peça eu já tive um grande ganho", prossegue.

Indagada sobre se está assistindo à reprise de "Mulheres de Areia", onde aparece ainda no estereótipo "linda, loura e chique", ela diz que não tem tido tempo, mas também não tem tanto interesse. "Eu era muito adolescente naquela época, hoje eu estou no meu momento certo", finaliza.

Serviço

CCBB - RJ

Rua Primeiro de Março, 66, Centro do Rio de Janeiro

Ingressos: R$ 10, inteira e R$ 5, estudante

Quarta à Domingo às 19h30

Nos dias 01, 08, 15 e 22 de outubro sessão extra às 17h30

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