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"Eu queria um desafio grande, não queria fazer nada que eu já tivesse feito antes", é assim que Alexia Dechamps explica o motivo pelo qual escolheu levar aos palcos a vida da fundadora da ONG DaVida, que ficou conhecida pela grife Daspu, Gabriela Leite. Na peça "Filha, Mãe, Avó e Puta - uma entrevista", em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, a atriz fala sem tabus sobre sexo e, principalmente, liberdade de escolhas.
Para encarar o "desafio", Alexia se aprofundou na história de Gabriela e precisou lidar com os próprios preconceitos: "Eu tenho alguns poucos preconceito, mas luto para não tê-los", afirma ela que encabeçou o projeto desde a compra dos direitos até a montagem final. "Desde 2006 eu só vinha fazendo participações. Queria voltar a trabalhar em alguma coisa realmente diferente", diz.
Para garantir uma caracterização perfeita, a atriz descoloriu os cabelos - uma de suas marcas registradas -, conversou horas com Gabriela, para observar seu modo de falar e se expressar, e visitou as profissionais da Praça do Lido, famoso reduto de prostituição em Copacabana. "O que conheci lá foram moças de todos os tipos, algumas muito tímidas, recatadas, algumas casadas e com filhos. Pessoas como qualquer outra", comenta Alexia.
Em cena, dirigida pelo amigo Guilherme Leme, Alexia divide o texto de Marcia Zanelatto com Louri Santos, que dá vida a um jornalista que ajuda a personagem Gabriela a relembrar os fatos mais marcantes de sua trajetória. "Na adaptação perde-se muito, por isso optamos por alguns pilares: a vida pessoa, a militância política e luta pela liberdade", revela Alexia que "mergulhou de cabeça" nos ensaios que chegavam a ter 10 horas de duração até aos finais de semana.
"Seria fácil fazer uma peça de modelo, de mulher loura, chique, como a maiorias dos trabalhos que eu fiz, mas nada disso que interessava mais. Estou disponível para novidades, se precisar raspar a cabeça, eu raspo", desabafa Alexia, que recebeu elogios rasgados da própria Gabriela. "Ela disse para mim: 'Alexia, você vai calar a boca de muita gente'", revela. A dedicação parece estar dando certo, as sessões estão lotadas e a peça ganhará sessões extras. "Se eu conseguir quebrar alguns preconceitos por meio da peça eu já tive um grande ganho", prossegue.
Indagada sobre se está assistindo à reprise de "Mulheres de Areia", onde aparece ainda no estereótipo "linda, loura e chique", ela diz que não tem tido tempo, mas também não tem tanto interesse. "Eu era muito adolescente naquela época, hoje eu estou no meu momento certo", finaliza.
Serviço
CCBB - RJ
Rua Primeiro de Março, 66, Centro do Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 10, inteira e R$ 5, estudante
Quarta à Domingo às 19h30
Nos dias 01, 08, 15 e 22 de outubro sessão extra às 17h30
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