Desde março, acompanhamos passo a passo a história da conquista da mulher brasileira por um espaço político. Seguindo uma cronologia, já falamos da primeira prefeita do Brasil e nas próximas semanas vamos destacar a história de algumas deputadas que abriram o caminho para os dias atuais.
Com a década de 40, começaram a surgir algumas líderes ligadas ao Partido Comunista do Brasil. Apesar de várias não serem filiadas, a primeira preocupação destas mulheres era a luta pela paz. Em segundo lugar, a luta contra o aumento do custo de vida e em defesa do abastecimento e finalmente, em terceiro lugar, a defesa pelos interesses das mulheres. Assim, em 1949, foi fundada a Federação de Mulheres do Brasil, órgão que orientava várias associações de bairros e outras organizações menores. Nesta época, circulou nacionalmente o jornal “Momento Feminino”, dirigido por Arcelina Mochel.
Nascida em 28 de julho de 1907, na zona rural de Canhotinho, Agreste, filha de pequenos criadores e proprietários de terra, perdeu a mãe aos 11 meses e foi criada por tios. Do seu pai adotivo, recebeu as primeiras influências de vida. Ele era comerciante, ateu e gostava de política. Entretanto, Adalgisa só cursou o primário: seu primeiro emprego foi numa casa comercial de rádios e fogões.
Com a eclosão do movimento da Aliança Liberal, em 1930, Adalgisa apoiou o movimento e passou a se interessar pela política. Participou da comissão de solidariedade aos presos políticos, após o levante comunista de 1935. No ano seguinte, foi presa pelas forças policiais e permaneceu quatro meses detida na Colônia Penal do Bom Pastor.
Em 1945, com o fim do Estado Novo e a legalização do Partido Comunista Brasileiro (PCB), filiou-se a este partido, integrando a Célula 13 de Maio.
Candidatou-se à Câmara Federal e à Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco na eleição de 2 de dezembro de 1945, concorrendo pela legenda do PCB. Embora não tivesse obtido votos suficientes para se eleger deputada federal, Adalgisa Cavalcanti chegou ao cargo estadual, sendo a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Assembléia Legislativa da história do estado. Durante o seu mandato, Adalgisa propôs que a Assembléia autorizasse o Estado a conceder abono familiar às mães que exerciam cargo público.
Contudo, a sua promissora carreira política foi abortada em maio de 1947, quando o Supremo Tribunal Federal, decidiu cassar o registro do Partido Comunista Brasileiro. Em janeiro de 1948, completaram-se as medidas que levaram o PCB à clandestinidade.
Nos anos que se seguiram à cassação, Adalgisa foi presa nove vezes, mantendo-se firme nas suas convicções. Participou do amplo movimento social contra a carestia e pela paz, que eram bandeiras comunistas. Faleceu no Recife, no dia 26 de abril de 1998, em conseqüência de uma isquemia cerebral, aos 96 anos de idade. O seu velório foi um dos mais solitários, segundo o escritor José Mário Rodrigues. Apenas três sobrinhos e duas senhoras amigas. Foi enterrada no Cemitério de Santo Amaro, com a bandeira do PC em cima do caixão.
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