Dia das Mães

Profissão: mãe

por Fernando Puga | 01/05/2011

Elas fizeram a opção de se dedicar integralmente aos filhos


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Profissão: mãe

A liberação sócio-comportamental da mulher transformou o mundo: introduziu a mão de obra feminina definitivamente no mercado de trabalho, deu-lhe independência financeira e colocou-a eventualmente no cargo de chefe de família. E modificou a maternidade. Gostar de trabalhar, muitas gostam. Gostar de ser mãe, também. Mas essa dupla jornada é muito complicada. Tanto que algumas abdicaram de suas carreiras para assumir a função mais antiga da mulher: gerar, parir e criar. Mas quais serão as conseqüências, para mães e filhos, dessa decisão?

A arquiteta Rosa Branca Sampaio, 31 anos, viu-se nessa encruzilhada. Quando engravidou de Cecília tinha em seus planos afastar-se por seis meses do escritório de projetos que divide com uma sócia - entre gestação e primeiros momentos do bebê - e depois retornar ao batente. Mas a chegada da filha lhe cutucou para outra realidade.

"Eu sofro para sair de casa todo dia. Fico querendo estar com ela o tempo todo. Ligo para mais de oito vezes por dia para saber se está tudo bem. Apesar de ter plena confiança na babá, que cuidou do meu irmão quando era criança e conhece minha família há muito tempo. Mas sinto que estou deixando de ser testemunha integral de um momento maravilhoso da vida dela e, portanto, da nossa vida. Quando ela falou a primeira palavra, 'batata', e eu não estava em casa com ela e sim visitando uma obra, fiquei arrasada", lamenta-se.

“Estou desestimulada no trabalho, chego com vontade de ir embora ver a Ciça.”


O desejo de estar ao lado da filha em todos os momentos está transformando a maneira como Rosa Branca vê o seu trabalho. Com oito anos de carreira, ela é dona de um apartamento de dois quartos na Gávea, na zona sul do Rio, um carro e paga todas as suas contas sem dificuldade. Ela planeja uma mudança para um apartamento maior junto com o pai de Cecília, o também arquiteto João Flores. Mas seu trabalho, que antes era uma fonte de prazer, tem se transformado em suplício. "Na hora de vir pro escritório, depois de dar o almoço pra ela, eu fico de coração partido. E percebo que ela sente isso porque, se ela me vê indo embora, chora. Estou desestimulada no trabalho, chego com vontade de ir embora ver a Ciça", confessa.


Ela e João têm conversado bastante sobre sua possibilidade de parar, mesmo momentaneamente, de trabalhar para dedicar-se à maternidade. "Nós temos condições de manter nosso padrão de vida e os custos da Ciça, mesmo se eu parar com o escritório. O que tenho medo é que, depois que ela cresça, eu me arrependa do que fiz: perca uma carreira que está se sucedendo bem e fique sem rumo. Tenho um pouco de medo do futuro, mas meu coração, no momento, pede isso", comenta Rosa Branca.


A jornalista Inês de Castro, autora do livro "Mamãe Vai Trabalhar e Volta Já" (Editora Original), considera legítimo o medo da arquiteta. Para ela, abdicar da carreira em nome dos filhos pode gerar uma frustração irrecuperável. "A não ser que isso esteja muito amadurecido, como um ciclo que termina, um trabalho de que não se goste, essa decisão pode ser bastante comprometedora. Porque nós gostamos de trabalhar e gostamos de ser mães, mas não o tempo inteiro, nenhuma das duas coisas", comenta ela.

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últimos comentários (12)

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  • ninhanola
    ninhanola comentou:
    09/05/2011 | 18:58

    Eu parei tudo que fazia antes por causa da minha filha! vi os primeiros passos ,a ida para escola ,etc...
    o tempo passou e hoje ela está com 8 anos,dependente totalmente de mim!!!
    não sei se foi uma boa,pois larguei minha profissão para me dedicar exclusivamente a ela!
    Hoje as mães estão ,modernas trabalham,se divertem ! os filhos crescem,sempre crescem e sempre partem para uma vida independente,não sei se valeu apena! vou saber mais tarde quem sabe?
    Mas no momento oque mais me emociona é poder todos os dias das mães eu estou lá firme e forte vendo como a minha presença é importante naquele momento....
    Mas falhei isso eu sei quando deixei ela depender tanto de mim!
    quando protegi demais....
    quando deixei de me ver para só ver ela....
    Por isso afirmo ser mãe para mim é tudo nesse mundo,mais não deixe de viver ou de trabalhar,pois os filhos sempre crescem e não nos pertence!!!
    lembrar isso é fundamental para uma vida feliz.


  • Genne
    Genne comentou:
    09/05/2011 | 11:40

    Gyslane, que lindo seu comentário. Realmente ser mãe é uma especialidade. Somos doutoras em educação, psicólogas, médicas e outras coizitas mais. Um grande abraço.


  • T3r3za
    T3r3za comentou:
    04/05/2011 | 19:53

    É complicado aconselhar alguém a largar o emprego para dedicar-se unicamente ao filho...pois esse vem com tantas necessidades que só amor e nenhum dinheiro não basta.
    E vale comentar, depois de ler um post desses aí embaixo, que é duro mesmo para algumas mães colocarem seus filhos em creches, mas há mães que fazem melhor deixando seus filhos nessas instituições por não ajudar em nada o desenvolvimento dele. É discurso acreditar que toda mulher nasceu para ser mãe, é um pensamento equivocado. Sou educadora e vejo muita coisa na escola onde trabalho. Portanto, planejem seus filhos, busquem mesmo a independência financeira e sejam felizes com o que desejaram verdadeiramente.
    Abraços


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