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O dia 8 de março é uma data que nos enche de orgulho. Nos faz pensar que tudo valeu a pena. Nossa luta, nossas conquistas, nossos méritos. Apesar das bonitas homenagens, o Dia Internacional da Mulher, é dia de nos perguntarmos: qual o nosso papel no mundo?
Veja nosso Especial Mulher, uma homenagem a você!
Esta é uma pergunta que todas nós, mulheres, já fizemos algum dia. Quem não fez, prepare-se: você ainda vai pensar muito sobre isso. Porque somos, por natureza, seres mutáveis. Somos geradoras, inclusive de dúvidas. Quando a pauta para esta reportagem - sobre o percurso que trilhamos depois da década de 1960 - foi passada, imediatamente pensei: "É fácil. Tenho 44 anos, sou jornalista, dona do meu nariz, fiz minhas escolhas conscientemente, sei do meu papel na sociedade. Escrever sobre mulheres, para a mulher, é como escrever sobre si mesmo."
Terrível engano. Escrever sobre mulheres, para a mulher, é descobrir um pouco mais sobre si mesmo. É pensar em aspectos nunca antes pensados. É reformular nossa condição de liberdade, refletir mais profundamente sobre nosso papel. É desafiar-se em nossa própria sexualidade. No fim das contas, escrever sobre como as mulheres chegaram aonde estão hoje é ouvir coisas que não estamos acostumadas a ouvir. Pensar mais profundamente sobre nossos "segredos", sobre os quais não temos nem tempo de pensar. É um desafio.
A trilha que percorremos em tão pouco tempo é pontuada por vitórias. Em menos de meio século, saímos do "por trás de um homem há sempre uma grande mulher" para termos uma posição individual no mundo. Nem sempre temos homens. Nem sempre temos filhos. Adquirimos o direito de competir no mercado de trabalho. Estamos inseridas em um período de transformação da sociedade e do próprio núcleo familiar - e somos parte ativa neste processo.
Três respeitadas profissionais - e mulheres fantásticas - vão nos acompanhar nesta trajetória do pensar as questões femininas: a antropóloga Mirian Goldenberg, a sexóloga e psicanalista Regina Navarro Lins e a psicanalista Malvine Zalcberg. Elas próprias exemplos da expansão do pensamento e do comportamento feminino em tão poucas décadas.
Falamos para um universo enorme - dados do IBGE comprovam: segundo a Síntese de Indicadores Sociais, de 2007, a população brasileira em 2006 era de 187,2 milhões de habitantes. Destes, 96 milhões são mulheres. Em 10 anos - de 1996 a 2006 -, o número de mulheres responsáveis pela chefia da casa aumentou de 10,3 milhões para 18,5 milhões, um aumento de 79% - no mesmo período, o número de homens chefes de família aumentou em 25%.
A pergunta é: como nós, 96 milhões de mulheres brasileiras, chegamos até aqui?
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