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A família no Século XXI

por Patricia Paladino | 07/03/2009

Entrevista especial com a Dra. Malvine Zalcberg sobre a nova família


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A família no Século XXI

As transformações pelas quais o mundo passou nas últimas décadas atingiram em cheio a forma como as relações amorosas se constituíram. Homens e mulheres precisaram redefinir seus papéis - não só na sociedade, mas principalmente na relação um com o outro. Esta nova constituição amorosa - que pode ser sintetizada pelo declínio da figura paterna e a ascensão do feminino - refletiu diretamente na maneira como as famílias vêm se delineando. As novas formações do núcleo familiar são o tema do curso A família no século XXI, que a psicanalista Malvine Zalcberg ministrará, durante o mês de março, na Casa do Saber. E desta entrevista.

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Bolsa de Mulher - Em linhas gerais, quais são as características desta "nova família"? Quais os novos modelos de núcleo familiar que estão surgindo, como alternativa ao núcleo tradicional (pai, mãe casados e filhos do mesmo casal)?

Dra. Malvine Zalcberg - Não há bem "uma" nova família. Há várias formas de se constituir família hoje em dia, o que indica que a família não é algo natural e sim uma invenção simbólica da sociedade. Nesta qualidade, por contingências históricas, sempre foi se transformando para se ajustar às novas condições sociais, econômicas, políticas, culturais das sociedades das quais faz parte. Os efeitos da globalização não poderiam deixar de repercutir nas novas formas de a família se apresentar. Nesta transitoriedade, certos modelos mais tradicionais de composição familiar vão se constituindo paralelamente a tantos outros modelos que, embora pareçam romper completamente com os tradicionais, procuram manter algumas de suas características fundamentais. Como bem sugere o título do filme francês Comme les autres ("Como os outros"), no Brasil intitulado Baby love, tratando da aspiração de um pediatra homossexual, há uma aspiração a ser "como os outros", que constituem família. A família é amada, sonhada e desejada por homens, mulheres, crianças de todas as idades, orientações sexuais e condições. A diversidade das uniões - família nuclear tradicional, família reconstituída, família monoparental, família homossexual, família adotiva, família por fertilização assistida - atesta a permanência da família como instituição.

Sabemos que mudanças de comportamento não têm uma data específica para começar - nem podemos dar as transformações da sociedade por finalizadas. Entretanto, em que época da história recente essa nova configuração familiar começou a se delinear?

Dois fatores são fundamentais para tecer esta consideração: a decadência da figura paterna e a ascensão do feminino. Desde o final do século XIX, quando as mulheres começaram a questionar a relação estabelecida entre um propalado "eterno feminino" e o lugar que lhes era reservado, no epicentro da vida doméstica, como esposas dedicadas, mães de família, os padrões tradicionais da masculinidade forma afetados. Neste movimento das mulheres para uma maior independência, devido, principalmente, ao seu ingresso no mercado de trabalho que modificou em larga escala a posição das mulheres na sociedade, houve um deslocamento dos homens de seus lugares e de suas certezas.

O filme De olhos bem abertos, de Kubrick, ilustra bem este abalo que o homem sofreu em suas certezas em relação à mulher e em relação a si mesmo. Inclusive, de suas certezas de seu lugar como Pai. Aliás, as grandes fraturas que a história da família conheceu atestam a influência da história do pai. O pai que tradicionalmente, na orientação judaico-cristã, tinha adquirido um "poder sagrado" foi, ao longo dos últimos séculos, perdendo esta prerrogativa de ser o responsável único pelo funcionamento da família. A ele cabiam as funções de procriação, educação e transmissão, funções que hoje ele compartilha com outros parceiros: a mulher, o Estado e a Ciência. É sobre a transmissão, que é mais do que transmissão de um saber, mas de uma subjetividade, que se concentra a função do Pai hoje, que ele tem de criar. Um Pai é também algo que deve ser "inventado", tanto quanto a família.

Cabe a cada homem inventar-se na forma de ser pai. A perspectiva de um futuro em que a figura paterna seria banida está causando um efeito contrário: há um apelo ao pai. Alguns filmes, como procuro ilustrar no curso que estou dando na Casa do Saber sobre A família no século XXI, destacam esta busca de reaproximação com a figura paterna, principalmente por parte dos homens que se perguntam "Como é ser pai?", tais como ‘O grande peixe', ‘Rumulus, meu pai', ‘O abraço partido', entre outros.

A que se deve esta "transformação" do núcleo familiar? Foi um movimento natural da evolução do pensamento feminino, a partir da revolução sexual?


É muito acertada esta sua referência a respeito da "transformação" do núcleo familiar. Muitos se referem à crise da família, desconsiderando que a família sempre esteve em "crise" porque ela precisa evoluir tanto quanto a sociedade. A família, mais do que em crise, se transforma para acompanhar os novos tempos. Sem dúvida, existe uma tendência à democratização e à liberalização dos vínculos, um aumento do individualismo, uma fragilidade dos ideais, uma maior tolerância à satisfação de cada um, aspectos que tornam mais difícil a manutenção estável dos vínculos familiares. Tornamo-nos uma sociedade de consumo, uma sociedade do espetáculo, dando lugar a personalidades narcísicas e estabelecendo relações "líquidas" - em expressão cunhada pelo sociólogo Zygmunt Bauman -, aspectos para os quais a família pode oferecer um contrapeso importante. Para tanto, é preciso atentar para o que constituem os fundamentos do funcionamento da família.

A psicanálise, sempre atenta às mudanças, pode em muito contribuir para esclarecer como homens e mulheres podem fazer face aos desafios de nossos tempos para melhor orientarem seus filhos. A capa da revista VEJA da edição de 18 de fevereiro, com o sugestivo título "Eles é que mandam", indica que há uma inversão na direção esperada na constituição da família: "Um retrato do adolescente de hoje: (...) eles estão mais desorientados do que nunca". É preciso que os pais tomem conhecimento que não basta dar amor, como se propala, ou passar valores morais e educativos - aspectos, sem dúvida, importantes, mas não suficientes. Há algo mais: há uma "função" específica de pai e há uma "função" específica de mãe. Saberão eles que funções são estas, de cujo desempenho depende realmente uma sólida constituição psíquica dos filhos?

É recomendável que os pais se interessem em conhecer que "funções subjetivas específicas" são estas para que não sejam surpreendidos num determinado momento da vida dos filhos, principalmente na e a partir da adolescência, com desequilíbrios emocionais e de conduta (como excesso de droga, de álcool, de velocidade na condução do carro, quando não de condutas francamente anti-sociais) que estes passam a demonstrar, e se perguntem angustiados "o que fizemos de errado?". Estamos habituados a ler nos jornais sobre adolescentes "de classe média" sendo detidos e sob investigação policial, apesar de terem estudado em escolas de elite, de terem lhes sido oferecidas (aparentemente) todas as oportunidades de um encaminhamento harmonioso de vida. É claro que temos de prestar muita atenção ao movimento de mulheres que acreditam "não precisarem" do concurso dos homens para conceberem ou educarem filhos, desconsiderando que uma relação com o pai e com a mãe (mesmo que ambos não sejam casados ou deixaram de ser) é um fator muito importante para o desenvolvimento psíquico do filho. E quando não se pode contar com o concurso de um deles, como acontece freqüentemente em nossa época, ainda assim é preciso saber como lidar com a situação.




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  • lili33_libriana
    lili33_libriana comentou:
    25/05/2009 | 20:17

    OLA BOA NOITE,ESTOU ESCREVENDO PQ NAO SEIPOR ONDE ENVIAR MINHA DUVIDAS ,POIS TO COM UM PROBLEMA COM MEU FILHO,GOSTARIA DE SABER SE VOCES PODEM ME AJUDAR,ME SEPAREI MAIS MEU FILHO DESDE ANTES ELE TEM MUITO CIUMES DE MIM,AGORA PIOROU ,POIS ELE PENSA QUE AMULHER DEL ,ELE NAO QUER QUE EU SAIA E NEM NAMORE OUTRA VEZ,TO PRECISANDO QUE ME AJUDEM A RESPEITO COMO DEVO FALAR PRA ELE QUE ARRANJEI UM NAMORADO,E COMO DEVO LHE DAR COM POIS NAO TO CONSEGUINDO,ME DECULPEM SE ENTREI NO LOCAL ERRADO ,MA S EUMA MAE QUE ESTAR DESESPERADA.POR FAVOR ME AJUDEM,MEU EMAIL É ALICEMENEZES33@YAHOO.COM.BR,UM ABRAÇO AGRADECO


  • lili33_libriana
    lili33_libriana comentou:
    25/05/2009 | 20:16

    OLA BOA NOITE,ESTOU ESCREVENDO PQ NAO SEIPOR ONDE ENVIAR MINHA DUVIDAS ,POIS TO COM UM PROBLEMA COM MEU FILHO,GOSTARIA DE SABER SE VOCES PODEM ME AJUDAR,ME SEPAREI MAIS MEU FILHO DESDE ANTES ELE TEM MUITO CIUMES DE MIM,AGORA PIOROU ,POIS ELE PENSA QUE AMULHER DEL ,ELE NAO QUER QUE EU SAIA E NEM NAMORE OUTRA VEZ,TO PRECISANDO QUE ME AJUDEM A RESPEITO COMO DEVO FALAR PRA ELE QUE ARRANJEI UM NAMORADO,E COMO DEVO LHE DAR COM POIS NAO TO CONSEGUINDO,ME DECULPEM SE ENTREI NO LOCAL ERRADO ,MA S EUMA MAE QUE ESTAR DESESPERADA.POR FAVOR ME AJUDEM,MEU EMAIL É ALICEMENEZES33@YAHOO.COM.BR,UM ABRAÇO AGRADECO


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