Dia das Mães

A beleza plena

por Patricia Paladino | 01/04/2009

Há três estados de beleza: ser bonita, estar bonita e sentir-se bonita


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A beleza plena

Nas duas partes anteriores da reportagem, "A beleza utópica" e "A beleza real", mostramos como os atuais padrões de beleza podem ser inalcançáveis para a maioria da população. E como o estudo promovido pela Dove em dez países mostrou que a insatisfação feminina advém, em grande parte, do modelo transmitido pela mídia e por valores culturais. Mais importante, o relatório apontou para um caminho: as mulheres querem que beleza esteja dissociada de atratividade física. Buscam ampliar o conceito, e, aprofundando-o, dar sentido a uma filosofia de "beleza plena" - que se consegue trabalhando a autoestima.

O psicólogo clínico e psicoterapeuta Marco Antonio De Tommaso é especializado em Psicologia Clínica Geral, transtornos de ansiedade, de personalidade e alimentares. É também psicólogo das agências de modelos Elite e L'Equipe. Para ele, o início da conversa é que não existe um "padrão" de beleza. "Nem existe um aparelho para medir se esta mulher é mais bonita do que aquela, um ‘belezômetro'. Uns podem achar que Ana Paula Arósio é mais bonita que Gisele Bündchen. Aí outro chega e diz: ‘prove'. Como fazer isso?", afirma Tommaso.

“Há três estados de beleza: ser bonita, estar bonita e sentir-se bonita”


De qualquer forma, são a estes padrões - inatingíveis, não custa lembrar - que as mulheres se referem quando, diante do espelho, se vêem diferentes. Não há como negar a influência da mídia ao alimentar este ideal. "A mulher virou refém disso. É um movimento da cultura ocidental, e onde chega o movimento, chega o problema", diz Tommaso, que cita um caso bastante esclarecedor. "Houve recentemente um estudo de Harvard nas Ilhas Fuji, local onde, até 1995, não havia televisão. Pois bem: três anos após a chegada da TV, 69% das mulheres faziam dieta e 1/8 das mulheres pesquisadas tinha bulimia".

Mesmo entre os chamados "padrões", as modelos, o grau de exigência beira o insano: "Fiz um levantamento com 140 modelos. Absolutamente todas questionam a própria beleza e o próprio corpo", conta Tommaso.

Só resta a pergunta: o que fazer? O psicólogo explica que há três estados de beleza:

O SER bonita, que é um fator genético. A pessoa se adapta naturalmente ao modelo porque nasceu assim.

O ESTAR bonita, que é a beleza potencializada pela roupa, pela maquiagem, pelo cuidado com o corpo, tratamentos e cirurgia.

E o SENTIR-SE bonita, que é onde entra a autoestima. A autoestima é um potencializador da beleza.

É aí que está o caminho. Autoestima, conhecimento de nós mesmas, valorização do que temos de melhor. Tommaso conta que o ícone máximo de beleza, Gisele Bündchen, logo que chegou a São Paulo no começo da carreira, passou os primeiros nove meses ouvindo, nos castings, que era nariguda, sardenta e feia. “Ela ouvia, levantava a cabeça e seguia adiante para outro casting. O que é isso? Ela passava por cima do que diziam, acreditava nela. Isso é autoestima elevada. Não importa o que digam, importa como você se vê.”

Se a iniciante Gisele tivesse acreditado em seus primeiros testes, hoje não teríamos Gisele Bündchen. Quem sabe, as mesmas pessoas que a criticaram no início seja aquelas que hoje não acham Gisele Bündchen apenas lindíssima, mas a mais linda de todas.


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últimos comentários (7)

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  • Cidinha*1966
    Cidinha*1966 comentou:
    28/11/2010 | 11:20

    Concordo plenamente com a matéria.O mais importante é nos sentir-mos bonitas.Tenho uma aparencia normal.Assim como a maioria,se olho,vejo mulheres muito mais bonitas que eu ,e o outro lado mais ainda.Mas quando me arrumo prara sair,quando faço o que gosto ,a dança é minha paixão,me sinto outra pessoa.Todos me dizem o quanto sou bonita ,simpatica alegre ,que irradio uma luz ,que as pessoas se sentem atraidas a mim,e eu sei que iso é verdade.Pois eu me sinto assim,pq sou bonita?,não,pq sou feliz comigo mesma,pq me olho no espelho toda mañhã e digo a mim mesma o quanto me amo e o quanto sou bonita..Não há nada mais valioso que nossa auto estima ,o valor que nós nos damos ,valor que alguem pode não dar.Asim me sinto feliz,me sinto bem e vejo as pessoas bem ao meu lado!!Então amigas olhem-se no espelho e apesar do que verem ,olhem para dentro de vcs,e amem o que verem ,isso é que vale!!bjsss


  • LuzaLeal
    LuzaLeal comentou:
    11/05/2009 | 20:59

    Às vezes quando a gente está "em baixa" é dificil acreditar que se vc se sentir "bela" logo as coisas vão mudar... Não digo que é errado ou certo, apenas digo que para tranformar a atitude devemos ter muita dedicação... as vezes escorrego... acho que a coisa nao vai dar certo... dai tento de novo.... e logo começo a me sentir melhor, porém é um processo longo (e as vezes até dolorido)... sei lá por que tô falando isso... meninas me perdoem apenas estou desabafando... até.


  • estelinhaaquariana
    estelinhaaquariana comentou:
    25/04/2009 | 18:20

    Realmente não temos como negar quando a pessoa é bonita logo de cara nós percebemos, mentamente vem aquela frase que pessoa bonita ou que pessoa feia. Algumas pessoas não tem a beleza fisica,mas tem um charme que contagia tem uma luz que irradia. Beleza hoje em dia passou ser requisito básico para ser feliz, se não esta encaixada no padrão de beleza é infeliz. Na busca da perfeição algumas pessoas se perdem, e a insatisafação está sempre presente . Eu acredito que cada um tem sua beleza basta saber aprimora-la. Cada idade tem seu encanto e beleza, não querer ter a cara de 20 anos se tem 40 anos. Beleza pode ser fundamental para alguns, mas não é para todos, se fosse assim pessoas feias não conseguiriam casar. Eu acredito que a embalagem é importante,mas que o conteudo continua sendo essencial.


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