Dinheiro

Turismo dá trabalho

por Maíra Donnici | 09/05/2005

Falar que alguém veio ao mundo a passeio sempre carrega uma conotação negativa. No entanto, ao proferir essa sentença, não se leva em consideração que quem viaja faz bem não só a si próprio, como também para a economia do país.




Turismo dá trabalho

Fulano veio ao mundo a passeio. Sempre que é emitido, esse discurso carrega uma conotação negativa. Ora, é o mesmo que dizer que esse alguém passa a vida como turista, enquanto os outros suam a camisa na clausura de um escritório ou qualquer outro ambiente de trabalho. No entanto, ao proferir essa sentença, não se está levando em consideração que, através do turismo, a pessoa está fazendo um bem não só a si própria, como também para a economia do país. Isso mesmo, além de mudar de ares, conhecer novas culturas, se inteirar da história de uma região e, de quebra, descansar, quem viaja ainda contribui para a criação de empregos, a melhoraria da infra-estrutura da região de destino - que se organiza para receber os visitantes –, entre outros fatores. Então, para os que pensavam que o turismo era apenas lazer, é bom saber que a atividade dá trabalho.

Mapa em punho, máquina fotográfica, dinheiro convertido na moeda local – caso a viagem seja internacional –, atrações e muitas, mas muitas regalias. Essa é a vida de quem sai de casa de malas prontas e parte para uma outra cidade, estado ou país em busca de sossego (ou não!). Só que, para tudo correr às mil maravilhas, um verdadeiro contingente de pessoas é acionado para fazer da estadia a mais agradável possível. O turismo é responsável pela criação e manutenção de empregos, ligados direta ou indiretamente a ele, já que envolve uma vasta cadeia produtiva. "O turismo oferece uma margem considerável de recepções de negócios. Quando a cadeia turística é acionada, envolve não só empresas que prestam serviço direto, como também indústrias de alimentos, fornecimento de roupas e o que mais eles utilizarem. A ocorrência do turismo movimenta em torno de 56 indústrias", explica a diretora de Marketing da Riotur, Glória B. Pereira, que ensina que o turismo consiste em uma atividade dentro do setor de serviços, e não em uma indústria, como muitos pensam.

Seguindo esse pensamento, quanto mais pessoas viajarem para determinada região, maior será o número de empregos criados. A consultora de Recursos Humanos da Catho Patrícia de Mônica explica que, com o aumento do fluxo de turistas, é possível observar o investimento em novos postos de emprego. “O turismo movimenta tanto o mercado formal – como as práticas relacionadas a hotéis, pousadas, restaurantes, transportes (portos, aeroportos, estações de trem ou rodoviárias) e centros turísticos –, como também o informal, através da especialização de comidas típicas em pontos estratégicos e da exploração do artesanato”, exemplifica Patrícia. Assim sendo, ele está no topo do ranking das atividades que mais geram empregos em todo o mundo. “A cada nove pessoas, uma trabalha para o turismo, direta ou indiretamente. Só em um hotel, você tem gerentes, camareiras, recepcionistas... É por isso que é tão importante para um país em desenvolvimento como o Brasil incentivar o turismo”, alega Glória Pereira, da Riotur.

Nesse ponto, parece que estamos com sorte. De acordo com a diretoria de Estudos e Pesquisas da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), no ano passado, mais de 4 milhões e 220 mil turistas estrangeiros visitaram o país, um aumento de 15,49% em relação ao ano passado. Mas o turismo não se faz importante economicamente apenas pela geração de empregos. Basta pensar que, cada “gringo” ou pessoa de outra região que resolve fazer uma visita, inevitavelmente, abre a carteira. “O turismo injeta dinheiro na economia local. A nível internacional, ele traz moeda forte, como o dólar e o euro”, coloca Glória. E parece mesmo que o aumento do fluxo de turistas é diretamente proporcional à entrada de capital. Novamente, vamos aos números: dados da Embratur revelam que a renda gerada pelo turismo teve um aumento de 15,56% se comparada ao ano passado. Mais precisamente, a Embratur calculou a entrada de 3,913 bilhões de dólares no ano passado (resultado obtido pelo gasto médio do número de turistas que visitaram o Brasil em 2004).

Além de gerar receita, o turismo contribui para o fortalecimento da arrecadação de impostos para o governo. Isso porque, cada vez que o turista faz uma compra, o produto embute impostos no seu preço. Pensa que parou por aí? Pois os benefícios para os habitantes do local visitado também se revertem em melhor qualidade de visa. “Para atrair visitantes, o local tem que oferecer infra-estrutura, segurança, limpeza. Elementos que vão atender ao turista, mas principalmente ao habitante que vive ali. O que é bom para o turista, fica melhor ainda pro cidadão”, afirma Glória Pereira. Não é à toa que tantos locais têm o turismo como sua principal atividade econômica. De fato, sendo um pólo de atração turística, uma região pode muito bem viver da atividade, que passa a ser responsável por aquecer toda a economia dela. O motivo é simples: se a prática gera uma boa receita para a cidade, sobrará mais dinheiro pra investir em outros setores.

No entanto, não é sempre que se recebe um grande fluxo de pessoas de fora. Existem épocas mais propícias. Nesse período, é natural que menos gente viaje, o que não torna necessária a existência de tantos profissionais. “A procura por serviços é irregular durante o ano, concentrando-se nos períodos de férias escolares e feriados longos. Em geral, varia de acordo com as condições climáticas e políticas dos locais de destino”, comenta Patrícia de Mônica. Em outras palavras, como a incidência de turistas ocorre em determinada época do ano, grande parte dos empregos para recebê-los é temporária. “O turismo é uma atividade sujeita à sazonalidade. No Brasil, a alta estação começa em dezembro e vai até o início de março. Para manter os empregos e demais benefícios, todo o empresariado do turismo cria promoções e eventos, de modo a captar mais visitas”, aponta Glória Pereira, lembrando que, em baixa temporada, as cidades oferecem mais espaço e melhores instalações por preços baixos.

E parece que as investidas têm funcionado. “Hoje, o Rio de Janeiro, que é a capital do turismo brasileira, consegue trazer pessoas em setembro, outubro, mantendo uma ocupação razoável. No ano passado, nessa época, o percentual de visitas foi acima de 50%”, esclarece Glória. Quem não gostaria de passar um tempo a caminho do mar, no Rio de Janeiro, descer o Pelourinho na Bahia, desfrutar de toda a beleza dos Lençóis Maranhenses, Fernando de Noronha, Floresta Amazônica? Sem falar no pão-de-queijo mineiro, o churrasco gaúcho e, claro, da variedade gastronômica de São Paulo!!!  Entre outras atrações... E com um povo alegre, receptivo, bonito etc, etc, etc. Sem querer fazer propaganda, mas já fazendo, porque, afinal, quem ganha mesmo é a gente.



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