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Treinamento experiencial

por Clarissa Martins | 18/11/2009

Cursos com atividades ao ar livre melhoram o desempenho profissional


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Treinamento experiencial

Pode parecer estranho chegar ao trabalho e receber um convite para um treinamento onde é necessário levar roupas confortáveis e tênis para passar dois dias fora da cidade junto com toda a equipe. Começam as perguntas: o que farão conosco? Por que dois dias fora? Como vou organizar meu dia a dia com filhos e marido? Tudo isso é necessário para sairmos da "zona de conforto", ficarmos atentos ao desconhecido e expandir nosso conhecimento: o chamado 'processo educativo para adultos', androgogia ou ainda 'treinamento experiencial ao ar livre'.

Um novo olhar

Para algumas mulheres parece tortura se imaginar sem salto, brincos, colares, pulseiras, celulares. Segundo Marco Vidon, há 17 anos sócio da Experiencial Outdoor Training, é o início do processo de se despir das vaidades e começar a fazer diferente. "Essa é uma das idéias do treinamento, fazer coisas aparentemente diversas da nossa realidade com a equipe com a qual passamos tanto tempo juntos, para aprender a enxergarmos a nós mesmos novamente, sem os egos ou "saltos altos" tão costumeiros", diz Vidon.

“Ajudar os participantes a superarem seus medos, limites e barreiras pessoais são alguns dos objetivos”

Esse processo diferenciado de aprendizagem funciona como um colírio. São atividades ao ar livre com cordas, tocos de madeira, calhas, bolinhas coloridas e até tirolesas e saltos de árvores com objetivos, tempo e regras claras. No final de cada etapa entra em cena uma figura importantíssima: o facilitador. Ele conduzirá o processamento da atividade e ajudará os participantes a tirarem a 'areia' que, por pressão, cobranças e problemas na comunicação, vai se instalando nos nossos olhos no dia a dia de trabalho. E que torna relações profissionais tensas, indelicadas e o pior: desmotivantes.

Para Cristina Olival, consultora da Dinsmore Associates, o método é eficaz desde que não haja amadorismo na aplicação. "A condução de uma atividade experiencial é o grande diferencial para as empresas que contratam. A qualidade conceitual e a administração dos riscos também são itens valiosos", explica. Cris, como é conhecida, compara que a diferença entre um processo de aprendizado e uma simples recreação depende dos facilitadores experienciais: "Afinal, a reflexão e a sua transferência para o dia a dia nas organizações faz toda a diferença no resultado do treinamento", observa.

Superando limites

Ajudar os participantes a superarem seus medos, limites e barreiras pessoais são alguns dos objetivos. Para Neyse Ferreira, analista sênior do grupo Acergy, o que marcou foi a potencialização da confiança mútua, reforçada pelos laços do trabalho em equipe durante as atividades. "Gostei bastante da experiência. Achei que não participaria de nada, pois sou medrosa, tenho receio de altura e não tenho muito 'espírito aventureiro', mas lá acabamos nos envolvendo no clima e quando vi fiz coisas que nunca imaginava capaz de fazer", conta.

Você é motivada? Faça o teste!

Para Carla Coelho, supervisora de RH da Nasajon Sistemas, o treinamento experiencial é uma experiência única, mesmo que se faça mais de uma vez. "A maior vantagem de um treinamento como esse é que se vivencia a situação, deixa-se as emoções, conceitos e preconceitos muito aflorados", constata Carla, que adorou participar do curso.

Tipos de cursos

Há vários tipos de atividades experienciais no mercado: modelos mais clássicos com dois dias de duração e saltos de árvores; circuitos de arvorismo em hotéis ou até mais ousados. "Podemos fazer intervenções como um grande jogo, utilizando os recursos da própria cidade para pequenos circuitos de aventura com atividades de canoa hawaiana, rapel, ciclismo, caminhada e escalada", descreve o facilitador Marco Vidon, que já teve a oportunidade de fazer evento nas lagoas dos Lençóis Maranhenses.

Segundo Vidon, o mais importante é entender a necessidade do cliente e formatar um programa adequado ao objetivo proposto, somado ao perfil dos participantes. "Não adianta pegar 30 executivos sedentários e levá-los para fazer aventuras. Por mais que o facilitador seja bom, os participantes ficam muito cansados e traumatizados com a metodologia", explica.


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