Falar todo mundo sabe, mas o difícil mesmo é se comunicar. Explicar claramente os objetivos, de forma que toda a equipe entenda e parta para a ação, requer uma excelente habilidade de comunicação. E não para por aí. É muito importante que todos os seguimentos - funcionários, diretoria, fornecedores, clientes, familiares e sociedade - conheçam os valores, a missão e a visão das empresas com que de certa forma estão envolvidos. Nos tempos de hoje, em que o capital intelectual e o conhecimento estão cada vez mais valorizados pelo mercado e as mudanças ocorrem freneticamente, mais importante do que transmitir informações é incentivar o seu compartilhamento. Como já dizia o Velho Guerreiro: "Quem não se comunica, se trumbica".
As empresas perceberam que a comunicação interna é uma vantagem competitiva que deixou de ser responsabilidade de apenas uma área específica e tornou-se uma estratégia que deve ser administrada por todos, principalmente por quem está no comando. Então, quem é responsável por esse setor? Essa é a grande questão, que atormenta muitas chefias. "O que proponho é a reflexão sobre um caminho alternativo, que passe por todas essas opções, e inclua outras menos convencionais, como as áreas comercial, financeira e tecnológica, por exemplo. Precisamos olhar a comunicação como uma área itinerante pela empresa", explica a superintendente da Fundação BankBoston Sônia Favaretto, que implementou o desafio e hoje vê esse setor sendo administrado por diversos departamentos. "É uma forma de contaminação, de plantarmos sementes. É fundamental que as pessoas saibam se comunicar e percebam que esse é um valor pessoal que traz um grande diferencial a qualquer profissional, independente de seu foco de atuação", completa.
Mas isso não é nada fácil. A proposta de Employee Relations adotada pelo banco alcançou pelo menos três objetivos. "Cada funcionário passa a ser um comunicador, os profissionais da área de comunicação se tornam efetivamente consultores, norteando, orientando e suportando as ações e, dessa forma, honramos uma das melhores definições que já ouvi para comunicação, que é: tornar comum", diz Sônia, garantindo que o maior entrave na troca de informações é a falta de habilidade de ouvir os outros. Para ela, o valor está em criar empatia com seu interlocutor, entendendo o que ele tem para acrescentar, pois a verdade está na soma dos conceitos de todos.
Para facilitar a vida de quem não é muito chegada a falar e trocar informações, a Neurolingüística é uma ferramenta que ajuda, e muito, no processo comunicativo. É um campo novo da psicologia que avalia como a mente humana funciona para atingir seus objetivos. Segundo o master trainer em programação neurolingüística Jairo Mancilha, essa é uma ciência que estuda a estrutura da experiência subjetiva. "Através de dinâmicas e exercícios, a pessoa aprende a se conhecer, a perceber os problemas e como fazer para contorná-los de forma rápida. É um processo de comunicação interna, em que você aprende a se ouvir, a se compreender e a dialogar melhor com seus pensamentos, respondendo suas dúvidas e agilizando soluções", explica. E é claro que o ganho não é apenas pessoal e interno. Quanto mais você se compreende, melhor vai assimilar os outros, daí a facilidade de se criar empatia. "A Neurolingüística aumenta a capacidade de entendimento do outro. Você percebe como seu receptor gosta de falar, qual o tom da voz, as palavras que gosta de usar, que ritmo ele tem, a forma como gesticula etc. E a partir dessas observações você se encaixa ao jeito dele e assim facilita o processo de comunicação", orienta.
Para obter resultados e conseguir excelência, os departamentos de uma empresa precisam estar bem afinados. Para o jornalista Paulo Nassar, diretor-executivo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), comunicação interna é a ferramenta que vai permitir que mensagens destinadas a motivar, estimular, considerar, diferenciar, promover, premiar e agrupar, atinjam todos os integrantes de uma organização. "A administração da comunicação para os recursos humanos deve ser atividade e pensamento que tenha a capacidade de estabelecer pontes entre indivíduos, colaboradores da organização, diferentes em nível social, cultural, econômico e político. Hoje, sem isso, não se consegue mudar o modelo organizacional", define. Ou seja, para ele, é fundamental se preocupar com o material humano. As pessoas precisam ter acesso a todas as informações que dizem respeito à empresa onde trabalham de forma transparente e rápida. Os canais de comunicação devem estar ao alcance dos olhos. Dessa forma, fica mais fácil ter uma visão global do negócio e estar apto a representar e vestir a camisa da empresa. Segundo Nassar, numa pesquisa feita pela Aberje com as 150 maiores empresas do Brasil, os executivos já investem 80% do seu tempo em comunicação. Esse percentual envolve atividades que vão da leitura de correspondências e clippings, atendimento de telefonemas, a encontros com acionistas, jornalistas, autoridades e clientes.
Para se conseguir o tão almejado sucesso, é importante que se pense nos funcionários. Eles são os atores protagonistas das mudanças. "Qualidade de vida no ambiente de trabalho é comunicação. Quanto mais envolvido na estrutura e mais bem informado, mais orgulho e motivação ele terá para desenvolver seu trabalho", esclarece a superintendente da Fundação BankBoston, Sônia Favaretto. Além de incentivar a equipe, a clareza nos negócios evita mal entendidos que comprometam os objetivos. "Tudo precisa estar claro para não haver perda de tempo. Refazer trabalhos é chato, desgastante e compromete as metas", diz o consultor de empresas Marco Antônio Donato. Ele sugere algumas ações para manter diálogos mais eficientes: repita o que a pessoa disse, de modo que ela se sinta compreendida; sempre cheque o seu entendimento ou peça para clarificar o que foi dito e, no final da conversa, faça um resumo de tudo que foi falado. "Na minha experiência, o pior vírus na comunicação é a vaidade. Muitas pessoas, por insegurança e egotrip, ainda acreditam que quem detém a informação tem o poder e, assim, não querem compartilhar seus conhecimentos. Dessa forma, acabam comprometendo o macroobjetivo da empresa", finaliza Marco.
Mais do que checar informações e estar por dentro da realidade da empresa, se comunicar bem é um exercício de cidadania. "No meu entendimento, a importância da boa comunicação dentro de uma empresa é análoga a do sangue para o corpo humano. É a essência do exercício da ética em absolutamente todos os ambientes do contexto empresarial. Há uma correspondência direta e evidente entre estas duas componentes - comunicação e ética - em qualquer tipo de organização", define o consultor Carlos Goldenberg, que acha perfeitamente possível observar uma através da outra. Entretanto, para que haja a verdadeira troca de informações é necessário que as empresas desenvolvam bons mecanismos operacionais.
A comunicação interna não é simplesmente uma ferramenta para atingir objetivos, mas serve também para ajudar o ambiente de trabalho a ficar mais agradável e interessante. E nessa constante transformação que é o mundo corporativo, a importância de se comunicar será sempre permanente, pois é fruto de uma necessidade básica do ser humano.
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