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Diz a história que em 6 mil a.C. surgiram os primeiros artesãos, profissionais que transformaram materiais retirados da natureza como pedras, cerâmica e fibras, em objetos de uso doméstico. Milênios depois, a essência do trabalho permanece a mesma, embora as técnicas tenham evoluído e se multiplicado. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 8,5 milhões de artesãos. Além disso, desde 2009 a classe já conta com uma instituição representativa, a Confederação Nacional dos Artesãos do Brasil (Cnarts), e até um dia especial: 19 de março.
Nos últimos 20 anos, profissionais artesãos ganharam um aliado importante: a internet. Com ela ficou mais fácil aprender novas formas de criar, repassar novos materiais. Tanto é que, no Projeto Viva Arte, por exemplo, a palavra de ordem é inovação. Criado há dois anos pela empresa de produtos escolares Mercur, o grupo conta atualmente com 19 instrutores que capacitam e selecionam profissionais de todo o Brasil para ministrarem aulas de artesanato em diversas cidades do país.
Para os professores do Viva Arte é preciso buscar cada vez mais informação e conhecimento para as aulas, incentivando a criatividade e proporcionando a aquisição de conhecimentos que poderão gerar uma nova fonte de renda para quem se dedicar.
Segundo Eliane Moutinho, artista plástica e professora do projeto em São Paulo, há aulas em que são passados dez assuntos diferentes ao mesmo tempo. "Temos de saber desde como demonstrar a primeira pincelada de tinta até ensinar nomes e técnicas de utilização das ferramentas para artesanato importadas. Nunca sabemos qual é o nível de conhecimento dos alunos quando chegam às lojas ou ateliês pela primeira vez", conta a artesã, que leva todo o conhecimento de pintura em telas para os ateliês e oficinas de artesanato. "Em minha opinião, toda peça artesanal é uma obra de arte, mas para isso precisa ser muito mais do que uma simples pintura e um papel colado, tem que ter um diferencial, uma identificação com seu criador", diz.
Já a professora Patrícia Macedo busca atender as necessidades e interesses de suas alunas, no Ceará, questionando o que querem aprender na próxima aula. "Percebemos no estado uma frequência regular dos alunos nas oficinas e aulas de demonstração. Ao término das lições sempre pergunto o que eles gostariam de fazer no próximo encontro e diante disso monto minha grade de assuntos", destaca.
Patrícia conta que se encantou pela pintura ao ver os trabalhos realizados pela sogra há oito anos. Em sala de aula, ela procura observar os motivos que mais chamam a atenção dos aprendizes. "Aqui na região a procura por temas florais é muito grande. Os artesãos também se preocupam bastante em fazer presentes personalizados. No momento, o que está em alta são as lembranças para padrinhos matrimoniais", conclui
Mercado em crescimento
Para os profissionais cariocas, o momento é de crescimento. A realização dos campeonatos internacionais no Rio de Janeiro já movimenta os artesãos da cidade. Para atender ao aumento da demanda de suvenires, um grupo de artesãos lançou a linha Caras do Rio, produtos artesanais com referências à Cidade Maravilhosa. As peças são o resultado do projeto de mesmo nome, desenvolvido pela ONG Atoar, Associação para o Desenvolvimento Humano e Social, com recursos da Eletrobras Furnas.
O Caras do Rio reúne, inicialmente, 40 artesãos, que produziram 85 souvenires inspirados na cidade, entre vestidos bordados, bolsas, mochilas, relógios, jóias, objetos decorativos, além de uma linha infantil. "Há uma carência no mercado turístico de produtos originais, modernos e de qualidade inspirados na cidade. O projeto foi criado para suprir esta demanda" explica a presidente da Atoar, Leila Victor.
Os produtos podem ser encontrados no site da Atoar e na feira do Lavradio, realizada no primeiro sábado de cada mês, na Lapa. Os artesãos da cidade interessados em participar do projeto devem procurar a Atoar através do email atoar@atoar.org.br.
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