comentários (0)Entretanto, para esta inclusão criativa se estabelecer desde os estagiários até a diretoria, deve partir de alguém, certo? Acertou quem pensou no presidente. Uma empresa só vai adotar o perfil de inovadora com o aval do chefe. Porém, só este apoio não é suficiente. Ele deve ser o primeiro a dar o exemplo, para que os funcionários sintam-se à vontade para prosseguir.
Daniele Mendonça diz que conforme o profissional vai evoluindo na carreira, acumula soluções e idéias. Ao chegar a sênior, deverá ter o perfil ideal para gerir um negócio. "É claro que os campos mais competitivos sofrem maior pressão e acabam exigindo muito dos funcionários, mas atualmente a capacidade criadora é fundamental em qualquer área. E o presidente deve ser o mais criativo de todos. Ele sabe olhar além do ambiente interno e faz a ligação entre o que o mercado precisa e como sua empresa vai fornecê-lo", ressalta.
Então, se você pensa em alçar vôos mais altos e sonha com a liderança, pare de reclamar das novas tarefas que surgem no seu cotidiano! Nenhum aprendizado deve ser depreciado, pois pode ter uma utilidade no futuro, nem que seja como referência. Daniele confirma: "O verdadeiro gestor é um estrategista, pois sabe aonde quer chegar e influencia toda uma cadeia de pessoas para isso. Mas este conhecimento foi adquirido com a experiência, na circulação inter-departamentos".
O outro lado da moeda
Bem, tudo parece ótimo até chegar à prática. É que muitas empresas ainda estão longe de aceitar este perfil de funcionário cheio de idéias para dar. O publicitário Alessandro Faria, que trabalha com planejamento e execução de websites, diz que, apesar de o marcado transpirar criatividade, ela ainda não é bem aceita por muitos chefes por aí. "Meus superiores atuais são bem caretas e nunca aceitam nada novo. Há um tempo, trabalhei em outra companhia que também não permitia mudanças nas criações, era tudo padronizado", reclama.
O engenheiro Jairo esclarece esta conjuntura. "As corporações não reconhecem que para inovar é preciso experimentar. Experimentar envolve riscos e alguns fracassos no caminho. Muitas empresas não sabem lidar com essas possibilidades. Com isso, as pessoas se intimidam, se recolhem e evitam pensar. Elas sabem que neste tipo de firma, o reconhecimento do sucesso é passageiro, mas ser taxado de fracassado é definitivo" explica.
Eventualmente, o funcionário pode se ver em uma situação contraditória bem desagradável: a criatividade é discutida no processo seletivo e enfatizada nas dinâmicas de grupo como item imperativo na lista de requisitos básicos exigidos. Só que, depois da contratação, o discurso muda e "as normas da companhia funcionam há anos e devem ser mantidas". É confusão na certa!
Alessandro que o diga. "A partir do momento em que criatividade passa a ser essencial, qualquer tarefa que você realize de forma inovadora vira obrigação. Não tenho reconhecimento pelo meu trabalho. E muitas vezes, a criatividade é barrada. Mesmo assim, se não sou criativo, reclamam. Dá para entender?", questiona.
O mundo corporativo é mesmo capaz de enlouquecer profissionais menos preparados. No entanto, a gerente Daniele assegura que quem realmente tiver o verbo ‘criar' correndo nas veias encontrará outra forma de extravasá-lo. "Seja no tempo livre, através de atividades artísticas, literárias, criação de produtos, ou até em outra empresa. Quem é muito criativo encontra seu espaço. É ótimo ter excelentes gestores, mas nem sempre é possível. O importante é não ficar parado", comenta.
Jairo Siqueira faz coro. "Todos nós, de alguma forma, somos criativos. Uns nas artes, outros na engenharia, nos esportes, na dança etc. Um passo importante é o conhecimento dos nossos talentos. É em sua exploração que podemos aplicar e desenvolver a criatividade", diz ele.
Desta forma, a observação é um ponto de partida significativo. Assim como a curiosidade e o questionamento, sendo que este último deve ser feito com cuidado. Jairo e Daniele concordam que, além da criatividade, é vital desenvolver ainda a diplomacia. "Visões e interesses de outras pessoas não podem ser ignoradas. Antes de apresentar uma idéia, prepare-se para responder com firmeza aos questionamentos. Uma boa dica é identificar possíveis aliados que possam apoiá-lo", aconselha Jairo.
Ser cauteloso e saber escolher o momento certo são outras atitudes que contam pontos. Alessandro foi ousado e colheu os louros de sua vitória. "Em uma situação, resolvi agir ignorando o padrão. Poderia ter arruinado o projeto, mas confiava nos meus conceitos. Arrisquei mais ainda e decidi realizar a apresentação para o cliente antes de passar pelos meus chefes, pois sei que seria barrado por eles. O cliente adorou e consegui desenvolver o plano do meu jeito. Levei uma bela bronca depois, mas valeu a pena", comemora.
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