Dinheiro

Pós no exterior

por Renata Agostini | 05/09/2005

Um livro na mão e uma aventura na cabeça. São essas as premissas de quem quer fazer uma pós-graduação no exterior. E, sem dúvida, para o currículo profissional, é um status e tanto. Mas, antes de carimbar o passaporte, alguns pontos devem ser estudados.




Pós no exterior

Fazer uma pós-graduação no exterior enche os olhos de qualquer um que está em busca de maior qualificação profissional. Além da excelência dos cursos, o desafio de estar em um lugar diferente e levar a vida sozinho por uns tempos seduz muitos profissionais. Fora que há sempre a idéia de que este tipo de experiência já traz um status instantâneo ao currículo. Não se pode negar o peso de tal qualificação no histórico profissional, mas é preciso medir os prós e os contras deste investimento. E bota investimento nisso! Afinal, contabilizar os gastos em dólar não anda tarefa muito fácil. Em euro então, nem se fala!

Livros e aventura

Um livro na mão e uma aventura na cabeça. Essas foram as razões que fizeram a paulista Juliana Caetano arrumar suas malas e aportar em Londres para começar,  no início deste ano, sua pesquisa na área de arte e tecnologia na London College of Music and Media, na Thames Valley University. "Decidi fazer o curso fora por procurar uma junção entre desenvolvimento profissional e independência, sonho, e aventura. Diferentemente de outras áreas, a minha seria muito bem amparada por instituições no Brasil. Mas a chance de desenvolver, concomitantemente, uma outra língua e o prazer de conhecer e viver em outro país e cultura foram determinantes na minha escolha", revela Juliana.

Foi, também, em Londres que a engenheira Gabriela Panza encontrou o lugar ideal para fazer sua pós-graduação. Atualmente cursando o Master Business Administration Technology and Management, na University of East London, ela luta para gerenciar a carga de estudos, entre trabalhos provas e dissertações exigidas, e sonha em conseguir tempo para trabalhar no mercado de trabalho britânico, o que, em sua opinião, seria uma grande experiência.

Realmente, a vivência extraclasse é um dos aspectos mais valorosos de se fazer pós-graduação em outro país, como analisa Gilberto Guimarães, diretor da multinacional francesa BPI no Brasil e consultor da FGV e do IBMEC. Segundo ele, conhecer outras pessoas, outra cultura e estar sozinho durante esse período permite uma evolução no caráter e na maturidade do profissional. “As empresas valorizam a maturidade do candidato. Na análise de dois profissionais com as mesmas qualificações, se escolherá o que possui indicadores extras superiores”, observa o executivo. Ele ilustra o pensamento ao lembrar o propósito da teoria que define o coeficiente de inteligência de uma pessoa: “O QI mede, na verdade, a maturidade intelectual do indivíduo em relação à sua idade. Nós, latinos, temos a mania de proteger demais nossas crias. Na Europa e nos EUA, é diferente. O jovem ingressa na faculdade e vai morar sozinho, já tem sua vida própria”, completa.

Ensino que vale... dólar!

A qualidade dos centros de pesquisa no exterior, principalmente no que se refere à Europa e Estados Unidos, é louvável. Mas é importante não perder de vista o nível das instituições brasileiras, que, em sua maioria, nada deixam a desejar para as estrangeiras. No caso de Juliana, a universidade londrina lhe proporciona maiores subsídios para a pesquisa, só que, na hora da decisão, este não é o fator mais relevante: “Creio que o status ainda fica em primeiro plano. As áreas devem ser muito bem analisadas, pois não existe regra para determinar que outros paises são melhores que o Brasil em termos de pesquisa. Cada um possui uma potencialidade diferente, que deve ser levada em conta. Comigo esse abismo existiu. Mas, acredite, surpresos ficaram eles ao perceber a preparação para a critica e análise e a cultura geral que nós, brasileiros, temos”, afirma Juliana.

Gilberto Guimarães também sai em defesa dos centros de pesquisa nacionais. Para ele, não existe um desnível entre a qualidade do ensino brasileiro e o de instituições estrangeiras, já que os cursos são ministrados a partir de teorias já escritas. “No exterior, você pode ter a oportunidade de ter aulas com o próprio autor da tese. Mas você pode encontrar aqui um palestrante com talento superior para ensinar”, esclarece o consultor.

Prós e contras

A engenheira Gabriela Panza lista as três maiores dificuldades encontradas para realizar o projeto de estudar fora do país, o que serve de aviso para quem está planejando investir na idéia: aprender o inglês acadêmico, conseguir a extensão do visto e financiar o curso. Se os três itens são de fácil resolução, é importante ainda levar em conta sua estrada profissional. Gilberto Guimarães explica que investir em pós-graduação vale a pena quando o profissional ainda é jovem, com dois ou três anos de carreira. Caso contrário, a melhor opção é buscar cursos rápidos e específicos. “Se o profissional não fez nada em dez anos, não é um título acadêmico que irá ajudar. Um curso amplifica a qualidade já existente, não diminui fragilidades”, conclui.



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