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Fim de ano, compras de Natal, ruas e shoppings lotados... Só de pensar em ter que enfrentar uma multidão na hora de escolher presentes, já bate aquele desânimo, não é? Mas tem muita gente que prefere não perder tempo com isso e resolveu se render à comodidade das compras online. Na Grã-Bretanha, um levantamento da INRG (associação de e-commerce) mostrou que 77% dos britânicos planejam fazer pelo menos metade das compras deste Natal pela internet. O mesmo acontece nos Estados Unidos, que teve um aumento de 15% nas vendas eletrônicas este ano. Mas o Brasil não fica atrás: segundo relatório do Ibope/NetRatings, cerca de 12 milhões de brasileiros visitaram sites de comércio eletrônico só em dezembro do ano passado - 56% a mais do que o mesmo período de 2006.
Para se ter uma idéia, , de acordo com o site e-bit, o faturamento com vendas pela web em 2007 foi de R$ 6.40 bilhões, passou para R$8,20 bilhões em 2008, e estima-se que chegue a R$ 10 bilhões em 2009. Seja fazendo compras ou apenas pesquisando preços, 57% dos internautas do país acessam as páginas de e-commerce. A publicitária Camila Lourenço, de 28 anos, é uma dessas pessoas que estão descobrindo as maravilhas das compras online. "Acho muito mais prático e cômodo procurar e adquirir produtos pela internet. Ainda mais nessa época do ano, em que todo mundo corre para as lojas. Eu poupo tempo, paciência, gasolina, dinheiro de estacionamento e minhas pernas!", garante ela, que já comprou boa parte dos presentes que dará sem sair de casa.
E foi justamente a conveniência um dos fatores que têm atraído tanta gente e alavancado este tipo de comércio no país. É o que confirma Dailton Felipini, administrador, professor de Comércio Eletrônico e editor do site E-commerce.org.br. "As pessoas podem localizar produtos rapidamente, comparar preços, pagar e receber o que quiser em casa mesmo. Além disso, há outro ponto atraente: os produtos na internet costumam ser mais baratos. A economia de custos para o vendedor (manter uma loja física é bem mais caro) e a maior competição entre a concorrência (já que o consumidor pode pesquisar várias lojas mais facilmente) acabam diminuindo os preços", esclarece.
Para ele, outro fator de peso que explica esse constante aumento de compradores online é o crescimento na quantidade de brasileiros que acessam a internet (cerca de 50 milhões, segundo o DataFolha). Até janeiro deste ano, o número de internautas residenciais ativos cresceu 50% em apenas um ano. "O brasileiro está se acostumando com esse ambiente, está criando um novo hábito. Quando alguém resolve comprar alguma mercadoria pela web e o é bem sucedido, naturalmente comprará de novo", observa Dailton.
Mas é claro que há pessoas que ainda relutam em incluir este hábito moderno ao seu dia-a-dia. É o caso de Maristela Dias, de 35 anos, que não abre mão de uma visita ao shopping na hora de escolher os presentes para a família. "Prefiro ver, tocar, manusear o produto que pretendo comprar e saber que vou levá-lo para casa no dia em que paguei. Dá mais segurança, pelo menos para mim", diz ela, que morre de medo de digitar seus dados bancários no computador. O receio talvez seja conseqüência de uma compra que seu marido fez há dois anos, que lhe rendeu muita dor de cabeça: "Ele viu uma câmera num site de compra e venda, negociou e pagou, mas a encomenda não chegava. A entrega só foi feita quase um mês depois, quando meu marido ameaçou botar o vendedor na Justiça", conta.
Especialistas no assunto, porém, são incisivos ao afirmar que casos com o de Maristela não refletem o que acontece com a maioria. Dailton Felipini destaca que a tecnologia de segurança avançou muito nos últimos anos, e tanto as lojas virtuais quanto as operadoras de cartão de crédito e os bancos se preocupam cada vez mais com a proteção dos dados do consumidor e o andamento da compra. "O importante é certificar-se de que a loja é reconhecida e tem referências, que ela oferece todos os meios de pagamento, e que a página que coleta seus dados é encriptada (há um cadeado na barra inferior do navegador). Hoje, as transações nas principais lojas virtuais geralmente são feitas diretamente com a operadora ou o banco", frisa o especialista.
No mais, é só ficar atenta. Lembre-se de que a verdadeira ameaça pode estar no seu computador! Por isso, instale um bom antivírus e mantenha vírus e spywares longe de sua máquina. "Comprar numa boa loja virtual é tão seguro quanto comprar numa boa loja convencional. Só é preciso tomar alguns cuidados, como já fazemos no nosso cotidiano", acrescenta Dailton.
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