Orçamento doméstico

Luz, gás, telefones, transporte, aluguel e lazer (afinal, você é filha de Deus). São tantas as despesas mensais... No fim das contas, literalmente, sempre tem mais mês do que salário. A solução? Ainda é o velho e bom planejamento financeiro.
por admin

Supermercado, luz, gás, telefone(s), transporte, aluguel, condomínio, cartão de crédito, diarista... E bota reticências nisso! Pra quem tem família, então, o leque fica ainda mais diversificado (ou será dispendioso?): escola das crianças, aulas extra-curriculares, plano de saúde, lazer (indispensável à vida), entre outro gastos. Arf! São tantas despesas que fica impossível ter um momento de sossego, sem ficar pensando se há dinheiro suficiente para saldar todas as dívidas. Até porque, no final das contas - literalmente nessa situação –, você nem sabe ao certo o quanto terá que desembolsar. Definitivamente, está faltando um planejamento financeiro. Uma forma de controlar seus gastos e usar melhor o dinheiro para não correr risco de ficar apertada no fim (ou em todos os dias) do mês.

Suponha que você ganha X e tem que pagar Y em despesas imprescindíveis (o que já representa quase todo o seu salário), fora aqueles outros gastos que você também faz, porque, afinal, também é filha de Deus. O problema é que você não consegue contabilizar e gasta mais do que tem, certo? Começa o mês fazendo contas, promete que vai se controlar, só que, quando vê, entrou em cheio no cheque especial e saiu com juros exorbitantes no cartão. O pior é que não quer nem saber o tamanho do rombo. É aí que se encontra um dos principais problemas: a falta de conhecimento do seu próprio orçamento. O consultor financeiro Cláudio Boriola, autor do livro ""Paz, Saúde e Crédito", explica que o planejamento é essencial para uma vida financeira saudável. “É uma ótima opção para quem quer organizar suas receitas e despesas. A partir do controle de ganhos e despesas, as pessoas passarão a valorizar o dinheiro", diz Boriola.

O dinheiro é a base de troca para bens e serviços. Querendo ou não, precisamos dele e, por isso, não podemos usá-lo de maneira leviana. A economista Sandra Blanco, do Mulherinvest, autora do livro “Mulher inteligente valoriza o dinheiro”, acredita que as pessoas devem planejar para ter segurança e viver bem com sua rentabilidade. “Elas precisam estar preparadas para eventuais emergências, gastos sazonais e para as grandes conquistas, sonhos e desejos”, coloca. Segundo a economista, uma boa alternativa para quem quer ter noção do custo de vida é anotar absolutamente tudo, desde as pendências financeiras essenciais à sua sobrevivência aos supérfluos. “Passe alguns meses anotando tudo o que pagar, fazendo o registro no ato”, recomenda Sandra, que também recomenda diferenciar a separar as despesas fixas das variáveis, ou seja, as quantias previamente definidas, como prestações e tarifas, e o que se desembolsa conforme o uso.

Assim, ao final de cada período, será possível comparar gastos e começar a pensar em uma forma de controlá-los. Para isso, o primeiro passo é separar as despesas por itens, como moradia (tudo o que você gasta na sua casa: aluguel ou prestações, luz, gás, telefone, empregada, condomínio, manutenção, limpeza), alimentação, saúde, transporte, vestuário e lazer, entre outras categorias, dependendo do seu estilo de vida. “Para ter noção de para onde o dinheiro está indo, é fundamental incluir as pequenas despesas. A pessoa tira dinheiro e não lembra como gastou. Nossa memória com dinheiro é curtíssima. Anotar é uma forma de policiamento”, aponta Sandra Blanco.

Fica mais fácil se tudo estiver organizado. Só não fique pensando que o dinheiro não dá! Provavelmente, você está administrando mal o que ganha. É sempre possível, e recomendável, procurar alternativas mais baratas para todos os custos. Cláudio Boriola recomenda que se comece cortando os gastos supérfluos, e compre o necessário para a sobrevivência. Você pode, por exemplo, procurar um supermercado um pouco mais longe, mas que ofereça os mesmos produtos por um menor preço, evitar muitas luzes acesas sem necessidade, o excesso de conversas por telefone, aliás, os excessos em geral. “Pense que tudo em demasia é prejudicial ao seu bolso. Economizar faz bem para o futuro financeiro de qualquer ser humano. Em pequenos itens, percebemos, no final do mês, a grande diferença do esforço efetuado”, recomenda Boriola. É tudo uma questão de hábito e conscientização própria e de toda a família.

Um fator que vai contra qualquer forma de planejamento financeiro é o impulso. De nada adianta conter os gastos diários com elementos desnecessários se você compensar tudo na primeira loja que ver na frente. Se o dinheiro permitir, separe uma quantia para comprar roupas, hobbies e demais futilidades, sem extravagâncias e preocupando-se em guardar algum como garantia. “Quanto maior o valor, melhor. Desta forma, as pessoas passarão a comprar e investir em bens para o futuro”, comenta Boriola. Em se tratando de investimentos, Sandra Blanco assina embaixo e dá dicas do que podemos fazer com uma quantia aplicada todo mês. “A regra mais simples é ‘pague-se primeiro e separe 10% do que você recebe’. Ter objetivo e horizonte é muito importante”, avisa Sandra, recomendando que os 10% sejam investidos. Quem está começando com pouco deve ir devagar. Já que o mínimo para investir em um fundo de renda fixa é 200 reais, o melhor é colocar na poupança e depois passar para o fundo, que rende mais. “Indico investir na poupança, que paga pouco, do que não investir. Pensando em longo prazo: ações, clube de investimento”, indica a economista.

Quando se fala em orçamento doméstico, controle, planejamento e poupança representam a alma do negócio. Cláudio Boriola acredita que o segredo de uma vida financeira saudável é poupar e a abolir toda e qualquer forma de crédito, sobretudo se envolver juros. “As compras a prazo acabam influenciando o aumento nas taxas de juros, isso porque, em uma prestação fixa estão embutidas taxas altíssimas de juros. Se o consumidor poupar a mesma quantia mensalmente, na metade do tempo, terá o valor suficiente para comprar à  vista o bem e, ainda, ficar sem dívidas”, diz Boriola. Isso mesmo, fique longe de dívidas, e, claro, não gaste mais do que tem. 

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