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A grama do vizinho é sempre mais verde. No quesito trabalho, o dito popular não é diferente: resistir à tentação dos classificados de emprego é uma luta para muitos. De longe, toda vaga nova reluz como um local atraente, com colegas de trabalho interessantes: um ofício desafiador. E o vaivém nos escritórios se torna uma realidade cada vez mais comum. Certo ou errado quando se quer ter uma carreira de sucesso?
O fenômeno é oficial. Dados do Dieese, que investiga o mercado formal de trabalho no país, revelam que a taxa de rotatividade nos empregos subiu de 34,3%, em 2007, para 36%, em 2011. Priscila Portugal, 27 anos, formada em publicidade e marketing, faz parte dos números da estatística. Há apenas três meses em seu atual emprego, como assistente financeira, ela é daquelas que está sempre atrás da melhor oportunidade. "A nossa geração tem essa característica de querer logo. Você entra em um lugar onde não vê o crescimento aparecer, é natural desanimar", justifica.
O tempo recorde que Priscila se manteve fiel a um trabalho foi de dois anos. Antes de parar na área administrativa, ela já rodou nos ramos de turismo, marketing e até trabalhou em uma gráfica. Mais do que salário, a busca é por realização: "Já troquei um emprego por um estágio na época da faculdade. Não quero ter um trabalho que possa ser realizado por uma máquina", explica a publicitária, que ainda mora na casa da mãe.
QUERO AGORA
O psicólogo Fernando Elias José alerta que a inquietação pode até ser patológica. "Quando o comportamento está exagerado, é preciso investigar se a dificuldade de relacionamento não é decorrente de algumas síndromes, como déficit de atenção, transtorno bipolar do humor ou depressão", avisa.
Descartando o quadro clínico, o psicólogo faz coro de que a pressa é um dos predicados dessa nova geração Y, a tal da era da internet. Sai de cena a procura por estabilidade, para um visão que prioriza a satisfação pessoal imediata.
Segundo o profissional, eles têm menos paciência para um processo de construção: "Há uma não aceitação de hierarquias e regras. Eles se colocam em uma posição de igualdade com os chefes", explica. "Não é preciso ser um cordeiro, mas não pode ser assim 'ah, acordei com vontade largar o emprego hoje' ", complementa Elias José. Na opinião dele, a permuta contínua de escritório pode ser nociva: "Gera uma insegurança, uma sensação de incapacidade. Faltam momentos de calmaria".
CULPA DA GESTÃO
Na balança dos impulsos de mudança, a relação ruim com o chefe é outra queixa recorrente. Daniel Maldaner, consultor associado da Muttare, acredita que a alta rotatividade nos empregos não deve ser atribuída somente a um novo perfil de profissionais, mas ao gerenciamento inadequado. "O que se vê nas empresas é um regime de recompensa, mas não de reconhecimento. Você é pago para fazer isso, mas não há uma preocupação para que o processo seja prazeroso", destaca.
O especialista em formação e desenvolvimento de equipes prega a valorização das melhores características de cada um no trabalho: "É importante que se estabeleçam objetivos, mas a maneira como esse resultado será alcançado deve ser de cada um", protesta.
Segundo Daniel Maldaner, existe sim um perfil perigoso de profissional que vive de galho em galho: o que desiste do erro na primeira tentativa. "Mas novamente reitero o papel do gestor. O que ele fez para ajudar o seu funcionário a lidar com os seus receios?", pondera. Para quem não consegue domar a inquietude, o consultor aponta o caminho do empreendedorismo como solução: "Abrir seu próprio negócio para ter mais autonomia de escolha ou mesmo para ter liberdade de experimentar e errar".
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