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O profissional troca-troca

por Camila Crespo | 22/07/2011

A taxa de rotatividade nas empresas cresce a cada dia. Fomos investigar o fenômeno!




O profissional troca-troca

A grama do vizinho é sempre mais verde. No quesito trabalho, o dito popular não é diferente: resistir à tentação dos classificados de emprego é uma luta para muitos. De longe, toda vaga nova reluz como um local atraente, com colegas de trabalho interessantes: um ofício desafiador. E o vaivém nos escritórios se torna uma realidade cada vez mais comum. Certo ou errado quando se quer ter uma carreira de sucesso?

O fenômeno é oficial. Dados do Dieese, que investiga o mercado formal de trabalho no país, revelam que a taxa de rotatividade nos empregos subiu de 34,3%, em 2007, para 36%, em 2011. Priscila Portugal, 27 anos, formada em publicidade e marketing, faz parte dos números da estatística. Há apenas três meses em seu atual emprego, como assistente financeira, ela é daquelas que está sempre atrás da melhor oportunidade. "A nossa geração tem essa característica de querer logo. Você entra em um lugar onde não vê o crescimento aparecer, é natural desanimar", justifica.

O tempo recorde que Priscila se manteve fiel a um trabalho foi de dois anos. Antes de parar na área administrativa, ela já rodou nos ramos de turismo, marketing e até trabalhou em uma gráfica. Mais do que salário, a busca é por realização: "Já troquei um emprego por um estágio na época da faculdade. Não quero ter um trabalho que possa ser realizado por uma máquina", explica a publicitária, que ainda mora na casa da mãe.

QUERO AGORA

O psicólogo Fernando Elias José alerta que a inquietação pode até ser patológica. "Quando o comportamento está exagerado, é preciso investigar se a dificuldade de relacionamento não é decorrente de algumas síndromes, como déficit de atenção, transtorno bipolar do humor ou depressão", avisa.

Descartando o quadro clínico, o psicólogo faz coro de que a pressa é um dos predicados dessa nova geração Y, a tal da era da internet. Sai de cena a procura por estabilidade, para um visão que prioriza a satisfação pessoal imediata.

Segundo o profissional, eles têm menos paciência para um processo de construção: "Há uma não aceitação de hierarquias e regras. Eles se colocam em uma posição de igualdade com os chefes", explica. "Não é preciso ser um cordeiro, mas não pode ser assim 'ah, acordei com vontade largar o emprego hoje' ", complementa Elias José. Na opinião dele, a permuta contínua de escritório pode ser nociva: "Gera uma insegurança, uma sensação de incapacidade. Faltam momentos de calmaria".

CULPA DA GESTÃO

Na balança dos impulsos de mudança, a relação ruim com o chefe é outra queixa recorrente. Daniel Maldaner, consultor associado da Muttare, acredita que a alta rotatividade nos empregos não deve ser atribuída somente a um novo perfil de profissionais, mas ao gerenciamento inadequado. "O que se vê nas empresas é um regime de recompensa, mas não de reconhecimento. Você é pago para fazer isso, mas não há uma preocupação para que o processo seja prazeroso", destaca.

O especialista em formação e desenvolvimento de equipes prega a valorização das melhores características de cada um no trabalho: "É importante que se estabeleçam objetivos, mas a maneira como esse resultado será alcançado deve ser de cada um", protesta.

Segundo Daniel Maldaner, existe sim um perfil perigoso de profissional que vive de galho em galho: o que desiste do erro na primeira tentativa. "Mas novamente reitero o papel do gestor. O que ele fez para ajudar o seu funcionário a lidar com os seus receios?", pondera. Para quem não consegue domar a inquietude, o consultor aponta o caminho do empreendedorismo como solução: "Abrir seu próprio negócio para ter mais autonomia de escolha ou mesmo para ter liberdade de experimentar e errar".




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últimos comentários (1)

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  • ovelhamalhada
    ovelhamalhada comentou:
    31/08/2011 | 11:44

    Camila, adorei o artigo mas você tem razão quando diz que ás vezes não é inquietação da geração Y e sim problema com os gestores. Trabalhei numa instituição por vinte e dois anos, a mulher do chefe foi empregada e hoje é chefe, ela gostava de ser bajulada, dava maior importância a decoração do que ao trabalho e as máquinas utilizadas eram ultrapassadas, porém ela cismou e me mandou embora, sem maiores explicações. Tenho medo até que liguem pra ela e ela invente alguma mentira para o meu novo empregador, não vou falar mal dela numa entrevista mas nesse lugar só é promovido quem puxa-saco, entrega os outros ou é amante dos gestores, eu nunca concordei com isso, é chato ficar desempregado mas trabalhar nestas condições é impraticável. Um abraço


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