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Apaixonada, a bióloga Juliana Pacheco pensa em se casar em um futuro breve. Quer fazer tudo conforme o figurino: casar na Igreja, civil, com festão e tudo mais. Mas em um ponto Juliana pretende fugir do tradicional: ela não vai mudar seu sobrenome, nem adotar o do marido. "Acho que, de certa forma, isso afetaria minha identidade", avalia.
Amores à parte, manter o nome de solteira é uma sábia decisão de carreira. É o que diz um novo estudo entitulado What´s in a Name? (algo como O que está por trás de um nome?) feito por psicólogos da Tilburg University, da Holanda. Segundo a pesquisa, não mudar o sobrenome para o do marido faz com que as mulheres sejam mais valorizadas profissionalmente.
E mais: esposas que adotam o sobrenome do parceiro são consideradas mais preocupadas com o bem-estar alheio, mas menos inteligentes, competentes e ambiciosas. Além disso, é menos provável que elas sejam escolhidas para uma vaga e, aparentemente, ganham salário muito mais baixo na empresa do que aquelas que mantêm seu próprio nome.
O estudo apontou ainda que as mulheres holandesas que adotaram o nome do marido possuem características diferentes daquelas que mantêm seu sobrenome de solteira. Em média, aquelas que mudam o nome são mais velhas, têm nível educacional mais baixo, mais filhos e valores familiares mais conservadores. E apesar dessas mulheres terem tendência a ter forte ética profissional, elas trabalham menos horas por semana e recebem salário menor que aquelas que não mudam seus nomes.
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Gerente de Comunicação em instituição na área de siderurgia, Debora G. não acredita que o sobrenome influencie na contratação de uma profissional. Segundo a gestora, é uma escolha pessoal antes de qualquer coisa. "Não deixaria de contratar, nem veria a pessoa como uma profissional menos qualificada só por adotar o sobrenome do marido. Essa é uma decisão pessoal. Em famílias tradicionais, ainda é atitude comum", analisa. A executiva admite, no entanto, que não adotaria o sobrenome do esposo. "Já tenho um nome no mercado. Mudando o sobrenome eu seria quase uma outra pessoa".
A diretora de planejamento Mara Rodrigues, casada há 30 anos, optou na época por adotar o sobrenome do marido por dois motivos: para seguir a tradição e como uma forma de expressar o seu comprometimento com o amado. A profissional acredita que a decisão não afetou sua carreira, mas admite que, hoje, não faria a mesma coisa. "Na época era comum, mas hoje, quando as mulheres costumam ter uma carreira sólida antes mesmo de se casar, acho que mudar o sobrenome para o do marido pode causar estranheza no meio profissional", analisa.
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