Coisas da globalização. Vejam só, outro dia, numa sala lotada, cheia de gente para uma entrevista de emprego, foi feito o pedido: "Quem fala outro idioma, que não seja inglês, levante a mão, por favor". Poucos levantaram. O inglês era fator comum ali, como em geral tem sido no mercado profissional. A diferença estava na outra língua. São os famosos tempos modernos, caracterizados pelas empresas multinacionais e pela interatividade entre países. Quem não se adapta fica de fora da festa. E para aproveitar todas as chances, a dica é aprender novos e "incomuns" idiomas.
A importância de conhecer outras línguas é tanta que, em certos casos, a fluência em outro idioma pode ter tanto peso no currículo quanto uma pós-graduação. É exatamente o que pensa Christina Parra, gerente de consultoria da Manager Assessoria em Recursos Humanos. Segundo ela, a primeira coisa exigida de um candidato a emprego é o idioma. Por isso, dependendo da profissão escolhida ou das tendências do mercado, antes de fazer uma pós-graduação, vale investir num curso de espanhol, alemão ou de francês, visando vagas em multinacionais. "Uma pessoa que fale uma língua diferente tem muito mais chances no mercado competitivo. Aliás, quando se está fazendo uma triagem de currículo, quem não fala idiomas já fica de fora ali mesmo", explica.
A competição é cruel e força a hiperqualificação. O mercado anda exigente: não basta falar inglês bem, tem de ser fluente e, se vier acompanhado do espanhol, melhor ainda. Christina Parra admite que a língua hispânica tem sido o principal critério de desempate na hora de escolher quem contratar. "O espanhol já faz parte de uma rotina profissional, está sendo cada vez mais exigido e já é quase obrigatório", garante ela, lembrando que o boom do espanhol começou junto com a criação do Mercosul e sobreviveu até mesmo à crise da Argentina e da Bolívia.
Um reflexo disso é a multiplicação dos cursos de espanhol, cada vez mais procurados. Bruno Horta, coordenador de marketing da Wizard, acredita que as pessoas já perceberam a importância do idioma para uma carreira de sucesso e estão procurando se qualificar. "Ultimamente as pessoas estão notando que é obrigatório saber inglês, por isso o curso continua sendo o mais procurado. Porém, há quem esteja atrás de um diferencial como o espanhol, o italiano, ou o francês", comenta Bruno, contando que o curso de espanhol está crescendo demais e que, em pouco tempo, a procura poderá ser equivalente a do inglês.
Quem tem fluência em idiomas menos convencionais também tem um belo trunfo. "Nós fazemos muitos negócios na Europa, com países como Alemanha e França. Lógico que quem fala estas línguas tem mais chances de conseguir o emprego. Estamos também com alguns negócios no Japão. Nós usamos um intérprete, mas se crescer podemos contratar alguém que fale japonês", conta Ana Maria de Marchi, gerente de desenvolvimento organizacional da DPaschoal. Christina Parra também vê grandes oportunidades para quem aprender estes idiomas. É a lei da oferta e procura. Se o produto é escasso, a venda é valorizada. A dificuldade é perceber a tendência do mercado e descobrir qual idioma será a bola da vez. "O francês já está muito divulgado também, muitas pessoas já estão estudando. O alemão e o japonês são línguas diferenciais. A pessoa que fala um destes idiomas terá mais chances porque são poucos com este perfil no mercado", acredita.
Mas é bom lembrar que as oportunidades não são restritas a pessoas que têm facilidade para línguas. O bom profissional tem que antes de tudo ser bom naquilo que faz. Ana Maria de Marchi faz questão de dizer que o idioma é somente um item no currículo, faz parte da seleção, mas não é tudo. "Nós tivemos uma experiência de contratar um profissional que não era fluente inglês para um cargo em que o inglês era importante. Ele tinha outros atributos que nos interessaram muito. Contratamos e o colocamos para fazer um curso da língua", ressalta a gerente, comentando que a empresa também deve investir no aperfeiçoamento e no aprendizado de idiomas dos funcionários.
No entanto, este caso é uma exceção. A melhor coisa a fazer é olhar para frente e pensar que idioma pode trazer, além de cultura geral e conhecimento, mais oportunidades. A escolha dessa língua é quase uma aposta. Fique de olho nos jornais sempre que um grande país apontar com investimentos por aqui. Pense que, conhecendo o seu idioma, parte deste dinheiro pode vir a ser seu.
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