Dinheiro

Me dá um dinheiro aí?

por Maíra Donnici | 02/05/2005

Esse mundo capitalista... Deixa a gente com cada necessidade. E dinheiro para comprar tudo? É para isso que servem os empréstimos. Cuidado! Antes de pensar em pedir um, a gente te deixa a par de todas as informações necessárias.




Me dá um dinheiro aí?

Esse mundo capitalista... Faz a gente ter cada necessidade. É uma televisão de várias polegadas que não pode faltar no seu quarto, aquela mesa redonda que caberia direitinho na sala, o microondas pra esquentar a comida rapidinho, o carro do ano, sem contar com as roupas e acessórios que você não viveria sem. Haja grana para sustentar tantas extravagâncias. Ah, não tem problema, se faltar e não der pra bancar, é só pedir um empréstimo. Simples assim. Peralá, você está muito enganada! Apesar das inúmeras promessas de instituições financeiras, conseguir dinheiro fácil para cobrir as dívidas de hoje pode acarretar dificuldades amanhã. Uma verdadeira bola de neve de números que se multiplicam a cada mês. Antes de pensar em pedir um empréstimo, a gente te deixa a par de todas as informações que você precisa saber.

Empréstimos para dar e vender. Bom seria se isso fosse verdade. Na verdade, a expressão significa que não faltam ofertas e opções de empréstimos, provenientes de instituições de diferentes tipos. Tudo o que se adquire para pagar depois é considerado um empréstimo, desde o cheque especial nosso de cada mês ao penhor propriamente dito. Cheque especial, crédito pessoal, parcelado com desconto no próprio salário, chamado empréstimo consignativo, adiantamentos, como a restituição do imposto de renda. Também existem os financiamentos, como Crédito Direto ao Consumidor (CDC), para a compra de algum bem. Enfim, são inúmeras as alternativas. O consultor de finanças pessoais Benigno Ares diz que o tipo de empréstimo vai de acordo com as necessidades e possibilidades do freguês. "A pessoa tem que ver qual é o mais adequado para a situação. Ver para o que ela está se endividando, por quanto tempo e quanto isso vai lhe custar. Por exemplo, se for pagar em um período curto, a melhor escolha é o cheque especial. E se for fazer uma negociação, com maior quantidade de dinheiro, eu recomendo o crédito pessoal", explica o consultor.

Mas não pense você que os bancos e demais instituições financeiras concedem o dinheiro por boa vontade, pura e simples. Além da quantia disponibilizada, quem contrai um empréstimo ainda tem que arcar com os juros e demais exigências feitas no ato da operação. Segundo a economista Sandra Blanco, do site Mulherinvest, os empréstimos, que antes eram contraídos para possibilitar a compra de um imóvel, automóvel ou outro bem valioso, agora são feitos sem um motivo aparente.”As pessoas estão muito imediatistas. Todo mundo quer consumir, ter, ser igual ao vizinho e não pensa nas conseqüências”, coloca Sandra. Ela lembra que, quando se está precisando de dinheiro, para evitar endividamentos, a melhor alternativa é vender algum bem. “A gente está numa ciranda em que as pessoas usam o crédito para consumir ou comprar bens que não podem ser vendidos depois”, alerta a economista.

Hoje em dia, recebemos um bombardeio de propagandas que prometem solucionar todos os seus problemas financeiros sem burocracia. Ambos os entrevistados torceram o nariz para essa opção.  “Isso é uma ilusão. As pessoas estão precisando, mas não fazem conta, não pensam em quanto dinheiro estão perdendo. Elas ficam ainda mais pobres por aceitar essas modalidades”, alega Sandra Blanco. Benigno Ares também desaprova. “As financeiras são o pior dos mundos. Elas emprestam dinheiro e exigem garantias enormes”, diz ele. E é bem verdade que empréstimos têm os juros mais altos, geralmente com uma taxa 12% ao mês. Por isso, Sandra Blanco alerta: “Fique longe das financeiras e agiotas! Como a possibilidade de as pessoas não pagarem é grande, a taxa acaba ficando muito alta para embutir o risco”.

A menos que você tenha dinheiro para pagar a quantia emprestada - claro, com juros e correção monetária – antes de pedir um empréstimo, existem outras alternativas para recorrer. “A melhor opção para quem está precisando de dinheiro é recorrer a um amigo, uma pessoa que confie. Depois, os bancos. O empréstimo consignado tem taxas baixas também e o dinheiro sai direto do salário”, comenta Sandra Blanco. O consultor de finanças pessoais Benigno Ares lembra que, caso haja capital investido, o resgate pode ser uma boa opção.”O ideal é resgatar, porque rende muito menos do que os juros. Você só se endivida por algo que seja necessário. Se puder ser adiado, é bom ir juntando”, aconselha ele.

Se a necessidade for grande e não tiver para que lado correr, o jeito é mesmo pedir emprestado. Primeiro, veja se o empréstimo é realmente a única solução. Caso positivo, Benigno Ares recomenda procurar o banco do qual se é cliente. “Procure o gerente e busque as melhores condições possíveis. Quem possui crédito terá que recorrer a financeiras. É sempre bom ter ciência dos juros que estão dentro de cada parcela e, sobretudo, ver se a dívida cabe no salário, sem esquecer das anteriores”, esclarece ele. Depois que você se comprometeu, não há outra saída que não quitar as parcelas em dia. Ninguém quer ficar com nome sujo na praça. Sobre isso, Sandra Blanco comenta: “Pague nas datas para não perder o controle. Quem tem nome sujo não consegue comprar mais nada, sem falar que, na hora de realizar qualquer cadastro, verão que você tem problemas. Por isso, tem que ler todo o contrato, tomar cuidado, fazer contas”.

Cuidado! O obscuro mundo dos empréstimos pode piorar ainda mais a situação de quem já não tem dinheiro sobrando. De uns tempos pra cá, a prática foi tão banalizada que tem gente que pega emprestado para comprar até o mais supérfluo dos produtos. De acordo com Sandra Blanco, essa realidade se justifica pelo crescente consumismo e a falta de planejamento das finanças pessoais. “Tem que ver a real necessidade do empréstimo. Se não for tão urgente, porque não esperar mais quatro ou cinco meses? Tem que planejar, guardar, poupar... Afinal, era assim que funcionava antigamente”, alerta a economista. Agora, é por sua conta e risco.



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