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Dinheiro

Juros - 02/07/2009

Bruno Lima

Salve-se quem puder. Você pode!

Não é fácil dar as primeiras braçadas para equilibrar as contas. O processo pode demorar. Mas especialistas garantem que é possível escapar do naufrágio financeiro. Se você sente que está se afogando em um mar de juros, a gente lança o salva-vidas.

No naufrágio, a ilha não é deserta

Primeiro de tudo, você não está sozinha. A inadimplência dos consumidores no Brasil é a maior desde junho de 2000, de acordo com o Banco Central. Ela corresponde a 8,6% dos empréstimos bancários, 10,8% das contas com cheque especial e 15,8% do crédito para comprar bens.

Entre os devedores, as mulheres são maioria. É o que mostra uma pesquisa da empresa TeleCheque, especializada na concessão de crédito no varejo. Elas representam 55,57% dos que deixam de pagar suas contas em dia no país. A maior parte é casada, tem o segundo grau completo e menos de 40 anos de idade. Se identificou?

Vazamento de gastos

Em 71,75% dos casos, segundo o mesmo estudo, o principal motivo para a inadimplência é o descontrole financeiro. Sobre o guarda-roupa! As compras que mais deixam de ser pagas, seja por prestações vencidas ou por cheques devolvidos, são por roupas e acessórios.

Quem se deixou seduzir pelas vitrines e acabou levando para casa o que não precisava sabe bem o que é isso. Aquela bolsa ou aquele sapato que pareciam indispensáveis podem, sim, fazer um grande estrago no orçamento. Principalmente se a compra for feita com cartão de crédito, cheque pré-datado ou carnês de prestação.

Nadando a favor da corrente

Para sair do vermelho, a primeira providência é identificar o "vazamento". Colocar todas as receitas e despesas no papel - ou numa planilha no computador -ajuda a descobrir o que deve ser pago primeiro e onde dá para enxugar os gastos.

"Você tem que restabelecer as prioridades", afirma Janes Rocha, autora do livro "Devo, não nego: tudo o que você precisa saber para sair da dívida e tem vergonha de perguntar", da Editora Saraiva. Mais do que aumentar a renda, Janes acredita que sair do aperto é manter a disciplina nas contas.

Se não der pra liquidar a dívida de uma só vez, a recomendação é trocar os juros mais altos, de 8% a 12% ao mês, por taxas bem menores, de 2% a 3%. Mudar de banco também pode ser uma solução. "Dependendo das condições que a instituição oferece, pode ser uma boa alternativa. É preciso ler com atenção o contrato", afirma Janes Rocha. "Me lembro de um banco inglês que quitava sua dívida no outro banco, desde que você passasse a ser cliente dele".

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