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Dinheiro

Invista em você - 25/01/2008

Mônica Vitória

Depois de cursar uma universidade, muitas dúvidas aparecem sobre o que fazer e o que esperar do futuro. Procurar emprego, continuar a vida acadêmica em um mestrado, fazer uma especialização para valorizar o currículo... Com a atual competição no mercado de trabalho, fica difícil conseguir uma boa qualificação na sua área contando apenas com um diploma de graduação. Muitos estão correndo atrás de uma formação complementar. Segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Brasil tem aproximadamente 130 mil alunos matriculados em cerca de dois mil cursos de pós-graduação. O número de estudantes pós-graduandos cresceu 85% em dez anos.

Mas o que escolher? E como escolher? Para tomar a decisão certa e evitar desperdício de tempo e dinheiro, é essencial saber o que se pretende com a pós, conhecer as diferenças entre os tipos de cursos e pesquisar sobre as instituições que os oferecem. Primeiramente, é bom que fique claro que a pós-graduação se divide em duas vertentes: lato sensu e stricto sensu. Enquanto a primeira envolve cursos de especialização, a segunda tem como objetivo a pesquisa acadêmica e compreende os cursos de mestrado e doutorado. "A modalidade lato sensu é voltada para o profissional que não pretende se aprofundar nos estudos teóricos, mas que quer desenvolver competências complementares à sua formação. A variedade de cursos lato sensu é maior, e todos são focados no mercado de trabalho", explica Renata Vaz, coordenadora de pós-graduação da Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro.

[olho]É obrigatório ter um diploma de ensino superior, tanto para os cursos lato sensu como para os stricto sensu. Só que, ao contrário das especializações, os strictu não visam a uma técnica direcionada, mas ao aprofundamento acadêmico[/olho]

Um dos programas de pós mais procurados atualmente é o MBA (sigla em inglês para Master in Business Administration, ou Mestre em Administração de Negócios). Este tipo de curso lato sensu se diferencia dos demais por ser exclusivamente voltado para os negócios. "O MBA prepara o profissional para a gestão ou administração de alguma área - gestão empresarial, de saúde, de tecnologia, de finanças etc", define Renata Vaz. Apesar do direcionamento, o MBA possui um caráter generalista, valorizando uma visão abrangente do ambiente de negócios. O MBA é oferecido em escolas de administração privadas ou públicas. No caso destas últimas, alguns programas podem contar com o apoio de uma instituição particular.

Há, ainda, outras diferenças relevantes. Um curso de especialização costuma ter duração e horários mais flexíveis, podendo durar de 12 a 16 meses. O MBA tem uma duração média de até dois anos. Já um mestrado leva, no mínimo, dois anos para ser concluído, enquanto um doutorado chega a quatro anos. Os preços também variam. "Um curso lato sensu completo geralmente custa entre R$ 3 mil e R$ 8 mil. Os de medicina e cirurgia plástica são os mais caros, podendo chegar até R$ 15 mil. Um mestrado ou doutorado (em faculdade particular) tem preços mais elevados, por volta de R$ 29 mil", compara Renata, que ressalta que, mais do que os valores financeiros, o que deve ser levado em conta na escolha é o valor que será agregado ao conhecimento e ao currículo do aluno. "Não podemos nos basear só no preço, é preciso saber os diferenciais que são oferecidos pela instituição. Se isto não for considerado, o curso acaba virando uma commodity, ou seja, qualquer um pode fazer. Quando a oferta supera a demanda é sinal de que aquilo não vai fazer o seu currículo se destacar em nada", alerta.

Aprofundando a teoria

Para quem quer continuar no campo acadêmico, seja como professor ou pesquisador, a melhor opção é procurar um curso stricto sensu. A área não precisa ser necessariamente a mesma da graduação, mas é indispensável conhecer o objeto de estudo. "É obrigatório ter um diploma de ensino superior, tanto para os cursos lato sensu como para os stricto sensu. Só que, ao contrário das especializações, os strictu não visam a uma técnica direcionada, mas ao aprofundamento acadêmico", explica a coordenadora da pós-graduação da Universidade Federal Fluminense Suzana Moss. Ela esclarece, ainda, que neste tipo de programa há a divisão dos cursos em linhas de pesquisa, que se enveredam por assuntos específicos dentro de uma ciência, e é preciso estar certo do que cada linha trata para que a escolha seja bem-sucedida. "No mestrado de Física, por exemplo, você pode encontrar linhas de pesquisa sobre ótica, magnetismo etc", cita Suzana.

Em um programa de mestrado ou doutorado, deve-se apresentar, inicialmente, um projeto, que depois será desenvolvido durante o curso. Este projeto dará origem a uma dissertação (no caso do mestrado) ou uma tese (no doutorado), que será defendida no final, para se obter o diploma. Os cursos stricto sensu são avaliados pela Capes e só são reconhecidos aqueles que alcançarem um conceito mínimo. Vale a pena conferir no site os conceitos dos mestrados e doutorados que obtiveram certificação. Quem conclui o mestrado e quer acumular mais uma formação investe no doutorado, da mesma forma que alguns doutorandos seguem os estudos em um pós-doutorado, que muitas vezes é realizado no exterior.

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