comentários (3)Há ainda o mestrado profissional, que possui as mesmas características básicas de um mestrado comum, mas com foco no mercado de trabalho. "Normalmente, quem investe no mestrado sem querer ser professor universitário tem como objetivo conseguir uma qualificação mais técnica e encontrar seu espaço em empresas que desenvolvem pesquisas, por exemplo", assinala Renata Vaz. No mestrado profissional, é melhor que o aluno já tenha experiência profissional de alguns anos, para que a troca de conhecimentos seja mais enriquecedora.
Quando feitos em universidade pública, os cursos stricto sensu são gratuitos, ao contrário dos lato sensu, que são sempre pagos. Além disso, o aluno de mestrado ou doutorado ainda pode receber uma bolsa de estudo, dependendo do seu desempenho, da relevância do seu projeto de pesquisa e da disponibilidade de bolsas concedidas à instituição de ensino. Em geral, o aluno que está pleiteando o benefício em uma instituição federal ou estadual precisa comprovar que não possui nenhum vínculo empregatício, para que se dedique exclusivamente à pesquisa acadêmica. Para quem pretende sair do país, é válido consultar sobre a possibilidade de conseguir bolsas em universidades estrangeiras. Além, é claro, de conhecer bem o idioma do lugar onde quer estudar.
Como escolher?
E entre tantas alternativas, qual a pós-graduação ideal? A resposta vai depender do seu perfil e dos seus objetivos profissionais. O candidato à vaga deve fazer uma boa pesquisa sobre os cursos e a instituição em que pretende estudar. Internet, revistas especializadas e conversas com profissionais são essenciais. É indispensável, também, verificar se o curso é regulamentado pelo Ministério da Educação (MEC), órgão responsável pela fiscalização. Se for um mestrado ou doutorado, acessar ainda o banco de dados da Capes. Analisar o currículo e o histórico acadêmico dos professores do corpo docente é outra atitude que ajuda no caso de dúvidas em relação à qualidade da pós.
Caroline Castro, de 23 anos, se formou há seis meses em Enfermagem pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e já está passando por um processo seletivo para uma especialização em outra universidade pública. "Resolvi fazer logo a pós porque não queria ficar parada, sem estudar. A gente sabe que depois de um tempo torna-se mais difícil voltar aos estudos. Além disso, uma formação a mais é sempre um diferencial para quem trabalha", argumenta ela, que está tentando uma vaga no curso lato sensu de Gestão em Saúde da Família, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Caroline afirma que essa especialização vai deixá-la mais próxima dos seus dois objetivos: trabalhar na área da Enfermagem de que mais gosta e lecionar. "Depois que desenvolvi, como bolsista, uma pesquisa sobre saúde pública dentro da UNIRIO, descobri que era o que eu queria fazer. Então, antes mesmo de me formar, comecei a procurar cursos de pós-graduação que tivessem a ver com isso e estudei para as provas", conta ela, que tem como prioridade continuar os estudos até tirar o título de doutora, além de dar aulas depois de concluir o mestrado, seu próximo passo. Caroline dá dicas para quem está pensando em fazer uma pós: "A pessoa tem que estar muito certa de sua escolha, e tem que querer de verdade, porque qualquer pós-graduação demanda muito tempo e dinheiro. Este tipo de curso dá ao profissional condições de competir melhor com os outros, mas ele precisa atender às suas necessidades futuras. Não adianta fazer vários cursos que nada têm a ver uns com os outros. No currículo, uma coisa deve complementar a outra", sugere.
O administrador Carlos Freitas, de 30 anos, terminou o mestrado em uma universidade particular e engatou um MBA em gestão empresarial. Ele também acredita que, na hora de escolher uma pós, deve-se pensar bem no que se deseja, e, acima de tudo, não agir por impulso. "Depois que terminei a faculdade, vi que vários colegas meus estavam fazendo mestrados e eu acabei indo na onda, para não 'ficar pra trás'. Mas só depois percebi que não era aquilo que eu queria", confessa Carlos, que não pretende se estender na vida acadêmica, mas sim se preparar para galgar novas posições no mercado de trabalho. "Não me arrependo de ter feito o mestrado, ele me ajudou bastante. Mas quando entrei no curso, nem sabia direito o que iria aprender ou realizar com aquilo. Aos poucos fui percebendo que o que ia me impulsionar para o que eu realmente desejava era o MBA. Posso comparar a escolha da pós com a fase do vestibular: tem gente que não sabe que caminho tomar, e acaba decidindo precipitadamente. O melhor é não se guiar por 'modismos' e pesquisar muito antes", aconselha. Por último, ele lembra que, por mais que o curso escolhido tenha mil e uma qualidades, ela não vai consertar uma graduação mal feita. "Se você tem uma base fraca ou não se esforçou até agora, nenhuma pós vai fazer milagre".
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