Se você acha que o mercado de produtos eróticos é negócio para tarados e pervertidos, enganou-se completamente. O mercado de produtos eróticos está em alta e é uma boa forma de se ganhar dinheiro.
É a perfeita união do útil ao agradável; você tem a oportunidade de ganhar dinheiro suprindo uma das necessidades básicas de todo o ser humano: o sexo. E depois tem muito prazer na conta bancária. Para se ter uma idéia do mercado, a Erótika Fair, única feira sobre erotismo e sensualidade do país, atraiu 28 mil visitantes e gerou R$ 2 milhões em negócios no ano passado. Dos visitantes, 60% do total era formado por mulheres. Na Alemanha, no
ano passado foram lançadas na Bolsa de Valores de Frankfurt cerca de 8,8 milhões de ações da empresa Beate Uhse, cuja proprietária, que dá nome à empresa, de 80 anos, é a maior comerciante do sexo no país. Beate Uhse fez do sexo um mercado lucrativo e hoje o seu império inclui 50 sex shop's e outras 56 franquias, mas ela vende a maioria de seus produtos pelo correio. Para o diretor executivo do grupo, Hans Dieter Thomsen, "o sexo é como comer ou beber, faz parte das necessidades básicas da humanidade. Nós somos amplamente imunizados contra a recessão". O próximo desafio da "vovó do sexo" é se tornar a primeira "global player" (competidora global) do sexo.
Aqui no Brasil também tem quem viva da indústria do sexo. Rennê e seu marido ermbarcaram nessa e não se arrependem. A empresa Love Land foi a pioneira em vendas de produtos eróticos pelo correio.
Fundada há dezenove anos em São Paulo, com a perspectiva de ser um grande negócio, existe até hoje e conta com 140 mil clientes cadastrados que recebem periodicamente o catálogo da empresa. Rennê diz que "apesar da forte concorrência e dos altos preços dos produtos, em virtude da desvalorização da nossa moeda em relação ao dólar, o negócio é rentável e já existem produtos nacionais com a mesma qualidade dos produtos importados, com a vantagem de serem mais baratos". Quanto ganham, ela não revela, mas o tempo de permanência no mercado comprova a lucratividade.
O mercado de sex shop é muito promissor e, segundo pesquisa da Acomp Empreendimentos, é um dos investimentos que estão mais em alta no Rio de Janeiro. Em Ipanema, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, a loja A2, a maior loja de produtos eróticos da cidade, 80% de seus clientes são mulheres, o que comprova que são elas que estão mais interessadas em "apimentar" a relação sexual.
Ralf Furtado, 30 anos, casado e dono da A2 trabalhava com produtos de informática. Incentivado por seu cunhado, que possui um sex shop em Curitiba e estava tendo um bom retorno, resolveu abrir uma loja no Rio. Segundo ele, o investimento inicial para se montar este negócio está diretamente ligado ao ponto e ao local onde se pretende abrir a loja e o prazo de retorno depende do conhecimento, capacidade e know how de cada um.
Mas se você não dispõe de grana suficiente para montar uma loja, nem se interessou em mandar catálogos via correio, ainda há opções.
Um comerciante de Porto Alegre faturou bastante com a venda de produtos eróticos no estilo Avon, em sua casa ! Com uma boa idéia, Edgar Poz, 33 anos, fez algumas pesquisas e entrevistas e constatou que uma boa parte dos gaúchos tinha muita curiosidade em saber o que existia em um sex shop, mas, tinham medo de ir às lojas. Então ele resolveu montar cestas eróticas para vender para os amigos e amigas. "Dava para tirar uma grana muito boa, este tipo de negócio é excelente, fazendo compras com os mesmos fornecedores você acaba tendo descontos nos produtos e, conseqüentemente, a sua margem de lucro aumenta". A Internet também é um filão e tanto a ser explorado. Não há custos com aluguel de loja, nem com equipe de vendedores. Basta fazer um bom catálogo de produtos e click, seu público alvo fará o resto. Os produtos são comprados por cartão de crédito, o que torna a venda segura e os produtos são entregues pelo correio com total discrição. Para se ter uma idéia do que é vendido via Internet, a loja virtual Amazon lista os produtos mais procurados pelos internautas, uma espécie de Top 10 virtual. (Veja box ao lado.)
Mas, é no contato direto que surgem as histórias mais divertidas.
Alessandra Furtado, 26 anos, vendedora de um sex shop no Rio de Janeiro, faz um perfil dos clientes: "Têm os homossexuais que em geral recusam a nossa ajuda, mas não por timidez, e sim por acreditarem que estão mais por dentro das novidades do que nós. Eles se acham fashion, chiques e modernos. Têm os clientes fugitivos, que são aqueles que entram apressados, vão direto para os fundos da loja e tentam esconder o rosto. Estes clientes não nos cumprimentam, tamanha a vergonha que sentem por estarem em um sex shop. Há os clientes assíduos que compram muito e retornam à loja com freqüência para saber das novidades. Os tímidos são aqueles que dizem estar comprando um presente, mas perguntam tantos detalhes sobre o produto que se denunciam. Nós acabamos percebendo que a compra é para uso pessoal. A vergonha acaba quando o produto não funciona como esperado. Neste caso eles retornam à loja dizendo que experimentaram e não gostaram. Por último há os clientes domésticos. Estes nunca põem os pés na loja, pedem por telefone o que desejam e o vendedor vai até a casa dos clientes.".
Os produtos vendidos são os mais variáveis e exóticos possíveis. Desde camisinhas comestíveis e lingeries, produtos considerados "normais", até pênis de pelúcia e formas para fazer gelo em formato de pênis, com direito aos testículos. Alessandra conta que "certa vez, uma mulher entrou na loja, foi para a seção de produtos para a prática de sadomasoquismo e pegou um chicote. Logo depois ela se dirigiu até o centro da loja, deu três chicotadas no chão e gritou: Goza desgraçado, goza !!!!!!! Depois ela foi embora".
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