http://www.bolsademulher.com


Dinheiro

Escola de moda - 15/06/2007

LĂ­via Diniz

Não basta ter talento, tem que estudar! Foi-se o tempo em que os vestidos, blusas e saias eram feitos por modistas, aquelas costureiras de antigamente que copiavam o que as celebridades internacionais usavam. Atualmente, por trás daquele modelito lindo de morrer que você viu na vitrine, existe muito estudo de mercado, pesquisa, cálculos, planejamento e conhecimento técnico. Definitivamente, para ser um profissional de moda, hoje, é preciso muito mais que saber combinar cores, tecidos e estampas, é fundamental ter noções sobre como criar e planejar coleções de roupa. Para isso, muita gente tem sentado na carteira universitária. É... moda também se aprende na escola!

Quem vê os desfiles do Fashion Rio e do São Paulo Fashion Week não pode imaginar a estrutura industrial que está por trás dessas semanas de moda e a quantidade de profissionais especializados envolvidos. Conforme a moda brasileira toma proporções mundiais - com o sucesso das nossas top models e com a exportação de roupas - o mercado demanda pessoas que entendam bem como funciona este universo, na parte conceitual e também como um negócio.

[olho]A faculdade não cria padrões. Ela tem critérios de avaliação, sim, mas quer que a pessoa saiba criar uma coleção que atenda vários aspectos ao mesmo tempo, desde os de produção, até os de inovação[/olho]

"A moda evoluiu como qualquer outra atividade econômica dentro de uma sociedade cada vez mais consumista e exigente. Assim sendo, é natural que ocorra esse processo de aprimoramento dos profissionais que atuam no setor. Hoje em dia, o talento deve se aliar ao conhecimento, à informação e à agilidade. Um não sobrevive sem os outros", afirma a pesquisadora de história da moda Paula Acioli.

Criatividade, marketing e gestão

Luciana Casalis, coordenadora do curso de moda da Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro, concorda. "O mercado está se abrindo. A criação de moda vem antes do que simplesmente o desenho. Talvez isso seja novidade para o grande público, mas não é para quem trabalha com isso. A gente precisa se adequar aos padrões, normas e ao calendário internacional. Tem toda uma questão econômica em volta dessa produção", explica ela. É por essas razões que a faculdade de moda engloba assuntos que vão desde o conhecimento técnico, como modelagem, tecnologia têxtil, passando por matérias sobre história da moda, até chegar ao planejamento de produto, da coleção e seu posicionamento no mercado, bem como toda a estrutura de marketing necessária.

Se antes, as aulas de moda eram apenas um módulo das faculdades de design, atualmente, além dos cursos superiores, existem pós-graduações na área. Tanto no Brasil como fora do país essas escolas se reproduzem. Algumas instituições são bem conhecidas e reconhecidas mundo afora, como o Fashion Institute of Technology, em Nova York, o Istituto Marangoni, na Itália, a Esmod (Ecole de Mode Internationale), com sede em vários países, a London College of Fashion e a Saint Martin, ambas em Londres.

Já aqui, no Brasil, cursos de extensão e de graduação começam a pipocar por aí. De acordo com Paula Acioli, o crescimento dessas escolas se deve à necessidade de entendimento do que é a moda, tanto no aspecto teórico, sócio-cultural, quanto no prático, de criação, produção e gestão. "No Brasil, até bem pouco tempo, a moda era algo muito limitado: se resumia às escolas de estilismo e às passarelas de desfiles. Aqui, moda era sinônimo de glamour ou de superficialidade, frivolidade. Há dez anos não se ouvia falar em pesquisa, estudos de tendências, fashion forecasting ou algo do gênero. Atualmente só se fala em caçadores de tendências, cool hunters, trend scouts etc. A moda transita e sempre transitou livremente por vários territórios, assim sendo, nada mais justo do que tê-la finalmente inserida também nestes contextos diversos", afirma.

As vantagens

No curso superior, as vantagens são imensas. Para a estilista Athria Gomes, que participou pela sétima vez do Rio Moda Hype, desfile de novos talentos na última edição do Fashion Rio, ter feito uma faculdade foi fundamental. "Isso dá uma credibilidade maior, amplia os horizontes e é um ótimo local para fazer contatos", lista. Ela afirma que o mercado privilegia profissionais que busquem uma especialização no setor. "Hoje em dia, é necessário estudar porque você lida com muito mais questões que simplesmente o desenho de uma roupa ou a confecção dela".

Para quem acredita que o curso possa cercear a criatividade nos futuros estilistas, Athria é taxativa. "De forma alguma. Aprender como se faz uma coleção não significa perder sua identidade e criatividade, mas, sim, saber como aquilo que você imaginou pode ser aplicado no mercado", diz ela. "A faculdade não cria padrões. Ela tem critérios de avaliação, sim, mas quer que a pessoa saiba criar uma coleção que atenda vários aspectos ao mesmo tempo, desde os de produção até os de inovação", explica Athria, lembrando que os avaliadores são estilistas, produtores e jornalistas especializados, entre outros.

Trabalhar com moda não significa necessariamente ser estilista. O campo de atuação vai além do desenho de roupas: é possível atuar na indústria têxtil, virar empresário do setor, tornar-se consultor em projetos culturais e artísticos, ser figurinista em teatro, cinema e TV, jornalista de moda, professor universitário e pesquisador.

De acordo com Luciana Casalis, quem investe nesta área ainda terá bastantes oportunidades num futuro próximo. "Os outros países estão muito ligados ao que está acontecendo no Hemisfério Sul. Ainda trabalhamos muito focando o mercado internacional, mas já podemos perceber que o mercado interno tem um grande potencial. É preciso melhorar as políticas econômicas para que isso aconteça mais rapidamente. Ainda olhamos muito para fora, porém, a qualidade da produção nacional aumentou muito. Vamos precisar de profissionais bem capacitados para trabalhar com isso", finaliza.

Bolsa de Mulher ©2000/2012 Direitos Reservados