A primeira lei assinada pelo novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, refere-se à igualdade salarial entre homens e mulheres. Lilly Ledbetter, mulher que dá nome à emenda, era supervisora da fábrica de pneus Goodyear Tire & Rubber no Alabama. Ela processou a empresa por discriminação pouco antes de se aposentar, após 19 anos de serviço. Lilly ganhava U$6.500 menos que os seus colegas e pediu uma indenização de U$360.000.
Nos Estados Unidos, as mulheres recebem em média 23% a menos que os homens. Se nos causa espanto que tamanho preconceito ocorra lá, o que imaginar a respeito do Brasil? A verdade é que o nosso país está à frente nesse quesito. Segundo o artigo 461 do Decreto-lei no 5.452 da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), a todo trabalho de igual valor prestado corresponde igual salário, sem distinção de sexo, nacionalidade ou idade. Mas será que, na prática, as coisas funcionam assim? "Embora isso aconteça nas empresas de grande porte, o IBGE revela que nas pequenas e médias, a maior parte do total das cerca de 6 milhões de empresas que existem no Brasil, ainda vigora a desigualdade", explica o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Ralph Arcanjo Chelotti.
[olho]Cerca de 52% dos estudantes universitários correspondem a mulheres. Mesmo assim, são os homens quem têm mais acesso a cargos de alto escalão, além de serem mais bem remunerados nas empresas privadas[/olho]
As estatísticas
Pesquisas indicam que o Brasil conseguiu praticamente eliminar as diferenças entre homens e mulheres no acesso à saúde e à educação, mas ainda há muito caminho a percorrer no que diz respeito à participação feminina na política e no mercado de trabalho. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o maior encontro de líderes empresariais e políticos do mundo que ocorre anualmente em Davos, na Suíça, apenas 37% dos cargos de chefia eram ocupados por mulheres no Brasil em 2006.
Além disso, as brasileiras recebem em média 60% dos salários dos homens, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2006. "Em média, o nível educacional delas é 37% superior ao deles. O nível de concorrência tem se acirrado ano a ano. Isso acabou levando a uma maior ocupação feminina nos postos de trabalho, pois as mulheres se qualificaram para conquistar o seu espaço", afirma Ralph Arcanjo Chelotti.
A discriminação persiste, apesar de, atualmente, elas possuírem de um a dois anos de escolaridade a mais que os seus colegas. Cerca de 52% dos estudantes universitários correspondem a mulheres. Mesmo assim, são os homens quem têm mais acesso a cargos de alto escalão, além de serem mais bem remunerados nas empresas privadas. Pesquisas revelam que, quanto mais qualificada é a mulher, maior é a diferença salarial em relação aos homens.