comentários (1)Os motivos para tamanha discriminação do mercado de trabalho contra o sexo feminino são muitos. "Já ouvi, sem querer, em uma entrevista de emprego, que as mulheres receberiam menos porque poderiam causar prejuízo à empresa, caso ficassem grávidas. Sempre que sou entrevistada, me perguntam se sou casada e se pretendo engravidar logo", conta a jornalista Maria Gomes.
Embora a mulher conquiste cada vez mais o seu espaço, as projeções para o futuro não são das melhores. Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), revela que, se as políticas de igualdade entre homens e mulheres no Brasil não acontecerem em ritmo acelerado, os salários de ambos os sexos só serão igualados daqui a 87 anos, ou seja, em 2096. É o que aponta o estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça divulgado recentemente pelas instituições.
O levantamento, com dados colhidos nos últimos 11 anos, mostra que, apesar de terem aumentado a sua participação no mercado de trabalho de 46% para 52,4%, as mulheres continuam a ocupar a pior posição na escala social, especialmente as negras. Os resultados das pesquisas, no entanto, não podem ser desanimadores. Há um longo caminho a ser percorrido, mas os estudos indicam que o Brasil avançou bastante em alguns dos dados apresentados. O importante é que o governo faça valer a lei que protege as mulheres contra esse preconceito e que a visão deturpada de que elas valem menos acabe. Segundo Ralph Arcanjo Chelotti, educação, cultura, treinamento e desenvolvimento são as armas que o Brasil deve usar para reverter a discriminação salarial.
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