Dinheiro

Equilibrando as contas

por Laura Cavallieri | 07/11/2005

Está quase batendo na conta o tão esperado 13º salário. Mas antes de sair gastando o benefício com presentes de Natal para tias, sobrinhos e amigos, feche a bolsa! A hora é de economizar e quitar as dívidas feitas ao longo do ano.




Equilibrando as contas

Todo ano é a mesma história. Mal dezembro dá as caras, iniciamos um balanço do que se passou. Mas nada de amores, dietas e conquistas. O balanço da vez é o financeiro, de extrema importância em época de vacas magras. E, para se ver livre de contas atrasadas e pendengas acumuladas, o 13º é o salvador da pátria. Mais bondoso que Papai Noel, ele é não apenas um reforço extra para os presentes natalinos, mas uma última chance para quitar de vez as dívidas acumuladas nos cartões de crédito e cheque-especial. Se esse é o seu caso, aproveite! É hora de deixar o vermelho para trás e entrar 2006 com o pé direito, e dinheiro no bolso.

Se você cometeu alguns deslizes financeiros ao longo do ano, deixe a culpa de lado e corra atrás do prejuízo. Ainda dá tempo de fechar 2005 no azul, livre de ligações do banco, do cartão de crédito, da operadora do celular e das reclamações do maridão. A gente sabe o quanto é difícil resistir a uma vitrine repleta de modelitos da nova coleção. Só que abrir mão de algumas peças de roupa é necessário quando se trata de acabar com as dívidas. O mais difícil nesta época do ano é ser forte diante dos apelos natalinos. As ruas e os shoppings centers ficam ainda mais irresistíveis com suas lâmpadas douradas e decoração vermelha e verde. Mas o esforço, acredite, vale a pena. Não tem preço começar o ano zerada, e livre e leve, para, enfim, voltar a gastar. Afinal, com dívidas até o pescoço, não há saco de Papai Noel que agüente.

Os juros, que pareciam tão pequeninhos quando você optou por parcelar a televisão de tela plana 29 polegadas, amontoaram-se e se preparam para te derrubar como uma bola de neve em meio a uma avalanche de dívidas. Quando mais se demora a pagar os malditos juros, maiores eles ficam. Sandra Blanco, consultora financeira e criadora do site Mulherinvest, alerta: "Dividir por quê? Se você não tem dinheiro, é melhor nem comprar. Ou quer entrar o ano com uma dívida nova? Pagar à vista é sempre melhor, além de que você ainda pode pedir os 5% de desconto que o comércio sempre oferece. Juros são uma grande roubada. Se por algum motivo você não consegue pagar a parcela, eles se multiplicam rapidamente". Aprendeu a lição?

Depois de controlado o impulso consumista, que se torna voraz à medida que dezembro se aproxima, fique atenta aos gastos de início de ano. Se você pretende se livrar de uma vez por todas das dívidas, planeje o que está por vir e deixe este dinheiro reservado. “Nada de atrasar a fatura do cartão de crédito, que cobra juros de em média 10% ao mês. O cheque-especial é outra loucura, cobrando 8,5%. Essas devem ser as primeiras contas a serem pagas. E, caso você tenha algum em aberto, concentre seus esforços ali”, recomenda Sandra.

Pior do que eles, só mesmo as instituições financeiras que realizam empréstimos. Com a velha promessa do “dinheiro fácil”, elas acabam levando tudo o que você tem e um pouco mais. A mineira Rosângela de Souza, 38 anos, foi só mais uma das muitas que entraram nas furadas dos empréstimos. Há quatro meses, quando recebeu um empréstimo de R$ 200 em uma instituição, não imaginava que a brincadeira fosse terminar com o pagamento de 28% de juros. “Como precisava do dinheiro, e não tinha a quem pedir, optei por pagar em três vezes. Assim, os juros não seriam tão altos. Mas, como atrasei em cinco dias o pagamento da última parcela, aumentou bem mais do que esperava”, recorda Rosângela. Com juros de pelo menos 11% ao mês, esses empréstimos são os mais difíceis de serem pagos, e responsáveis pelo nome de muita gente ir parar no SPC. Com todas as contas pagas, Rosângela jura que não repete o erro: “Empréstimo nunca mais. Vou guardar o 13º para imprevistos, portanto, este ano, não tem presente pra ninguém”, garante.

Mas nem por isso o Natal tem que passar em branco. A época pode – e deve – ser celebrada. “Separe uma parcela do 13º para gastar com você mesma. Seja uma viagem ou aquele vestidinho. É para isso que a gente trabalha”, libera Sandra Blanco. Agora, se o salário não é suficiente para comprar presentes para a família toda, alternativas não faltam. “Temos que ser racionais. Só assim o próximo Natal será melhor. Será que há necessidade de dar presente para tanta gente? Hoje em dia o consumo é exagerado, mas quem faz questão, pode recorrer às lojas de R$ 1,99, que oferecem ótimas opções de lembrancinhas”, sugere Sandra Blanco. E o Bolsa também dá suas dicas. Saia pela tangente, preparando pequenas recordações natalinas com suas próprias mãos. Libere a artista que existe dentro de você e grave um CD, prepare biscoitinhos, crie cartões artesanais com belas mensagens ou escreva um poema. Este é o espírito do Natal, e ainda livra sua tia de trocar a camiseta PP, que ela ganhou, num shopping lotado e vendedores impacientes.




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