A combinação dá um desejo incontrolável de tirar o passaporte da gaveta: dólar abaixo de R$ 2, com tendência de queda, passagens aéreas mais baratas e férias se aproximando. Uma tentação.
Passagens mais baratas
A possibilidade de viajar para o exterior começou a ser vislumbrada no ano passado. O motivo tinha nome: crise financeira. Turistas americanos passaram a voar menos e a queda da procura por passagens obrigou empresas aéreas a diminuir os preços dos bilhetes para destinos como Estados Unidos e Caribe. O dólar estava em alta. Mas as ofertas ficavam melhores para os brasileiros.
Este ano, um empurrão: em abril, a ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil - autorizou a concessão de descontos abaixo do piso para as passagens internacionais. A partir de julho, será possível encontrar tarifas para o exterior até 50% mais baratas.
Dólar em queda
Para completar, valorização do real. Segundo informações da Braztoa - Associação Brasileira das Operadoras de Turismo -, a temporada de inverno vai ter ofertas sedutoras tanto para destinos nacionais, quanto internacionais. Como os descontos variam, é cedo para calcular o aumento das vendas. Mas a Braztoa afirma que as oportunidades para viajar no mês de julho serão boas. A essa altura, suas malas já devem estar pulando do armário sozinhas.
Um pacote para a Europa custava US$ 900 e passou a valer uns US$ 600. A viagem para Nova York está, em média, 40% mais barata. Se o destino for "mi Buenos Aires querido", o final de semana sai por cerca de US$ 450. Custava US$ 650.
A CVC, maior operadora de turismo do país, espera vender 15% mais pacotes do que no ano passado. A expectativa é levar cerca de 300 mil turistas para o exterior durante as férias. A Associação Brasileira das Agências de Viagem, por enquanto, usa as estimativas da empresa para projetar a expansão de todo o setor no período.
Acostumado a fazer os outros rirem, o humorista e redator Bruno Motta é quem está rindo de uma orelha a outra. "Estou indo para a Disney com amigos. Justamente por causa do dólar e de uma promoção incrível da própria Disney", comemora.
Férias parceladas
Passado o receio de viajar criado pelo aparecimento da gripe suína, os brasileiros ganharam mais um motivo para fazer as malas. No fim de abril, a Caixa Econômica Federal anunciou o financiamento de viagens de no máximo R$ 10 mil em até 24 vezes. As condições facilitadas convidam ao embarque. Ponto para turistas e agências.
Cartão de crédito
Todo o cuidado é pouco na hora de usar o cartão de crédito nas compras em viagens ao exterior. O mesmo dólar que contribui para a redução dos preços das passagens pode dar dor de cabeça na volta. O cálculo dos valores devidos é feito com base na cotação do dia do fechamento da fatura do cartão e não da compra.
Embora os economistas apostem na desvalorização da moeda americana, nunca se sabe. Se houver mudanças nas cotações, as dívidas em dólar ficam salgadas. O mercado de câmbio sempre sofre oscilações e, em tempos de crise, elas podem se intensificar. Quem decidir encaixar o passeio ao exterior num orçamento apertado precisa ter mais cautela.