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Nos últimos cinco anos, uma questão que antes era encarada como coadjuvante ganhou status de protagonista na hora de os investidores decidirem onde aplicar seu dinheiro: a responsabilidade social. Empresas que desenvolvem programas socioambientais são as maiores chamarizes de investimentos. Como o mercado reagiu a essa tendência e quais têm sido os resultados dessa nova demanda?
Cobrança social
Segundo o investidor Carlos Martins, especialista em desenvolvimento de softwares que auxiliam investimentos, a necessidade da mudança partiu da própria sociedade que, ao enxergar a importância do debate sobre o clima e as desigualdades sociais, passou a cobrar de todos os setores medidas que favorecessem o crescimento sustentável e a preservação do meio ambiente.
"As mudanças climáticas estão sendo sentidas por todo mundo, não é mais uma promessa. As pessoas veem que está cada vez mais difícil respirar em grandes centros como São Paulo, por exemplo. A população mundial está preocupada", diz o empresário. Marcos Vaz, gerente da área de sustentabilidade da Natura Cosméticos, faz coro com o investidor: "O consumidor está mais preocupado e mais consciente. E isso, sem dúvida, está causando este movimento de valorização de produtos sustentáveis, de baixo impacto ambiental".
O desejo da sociedade, continua Vaz, acaba por influenciar no comportamento das corporações: "Cada vez mais, as organizações se preocupam com a economia de água, a preservação das florestas e, mais recentemente, com a redução das emissões de gases do efeito estufa por conta do aquecimento global". Na visão do gerente de relações com os investidores da Light, Gustavo Werneck Souza, "Os investidores estão preocupados em minimizar seus riscos em todas as áreas. A empresa é mais bem vista por seu investidor porque consegue entregar resultados em diversos setores, contribuir com a sustentabilidade passou a ser um deles".
Novos investidores
O perfil desses novos investidores, segundo Carlos Martins, está ligado ao crescimento da classe média brasileira: uma classe assalariada, ligada aos noticiários e antenada com o que acontece no mundo. São pessoas com poder aquisitivo alto e que estão preocupadas com o futuro do planeta, principalmente, do lugar onde moram. "O dinheiro está pulverizado com a classe média maior. E essa classe média é aquela que não pode se proteger das mudanças climáticas porque não tem uma facilidade de se transferir para um lugar mais seguro. Ela quer colocar os seus recursos em algo que seja uma necessidade coletiva", explica o especialista.
A partir da demanda por projetos de sustentabilidade, o mercado se esforça para atrair esses pequenos investidores conscientes. Um bom exemplo , de acordo com Carlos Martins, foi a criação, em 2005, do Índice de Sustentabilidade da Bovespa (ISE), que avalia sob critérios rígidos as empresas com projetos ligados à área social. Percebeu-se que essa tendência, além dos recursos financeiros, favorecia a imagem das companhias por contribuírem para a criação de um cenário social consciente.
"Criou-se um produto. Os investidores pulverizados precisam ser atraídos de alguma forma, é um mercado que precisa de visibilidade. Essa pressão dos investidores ainda não sobrepõe os motivos financeiros, mas tem forçado as empresas a investir cada vez mais na área", diz Carlos Martins. "As empresas têm que ocupar esse lugar, caso contrário ela fica mal vista. Participar é positivo, não participar é um ponto negativo aos olhos do investidor. E tudo na Bolsa de Valores tem uma explicação prática, nada fica na teoria".
Paulo Mauricio Senra, gerente de planejamento, ambiente e inovação da Light, que integra o ISE, avalia que investir em sustentabilidade é garantir a sobrevivência da própria companhia. "Nós entendemos que a sustentabilidade hoje é o caminho a ser seguido para garantir a sua continuidade no longo prazo", defende.
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