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Dinheiro jóia

por Renata Agostini | 26/09/2006

O tradicional penhor é a forma mais fácil de conseguir um empréstimo


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Dinheiro jóia

Conta corrente no vermelho, cartão de crédito no limite e muitas dívidas à vista. Quando a situação está assim, tão preta, pedir um empréstimo é quase inevitável. Mas além das taxas de juros do mercado não andarem nada convidativas, restrições cadastrais podem impedir o acesso ao dinheiro. Antes que o desespero se instaure, surge uma luz no fim do túnel, dourada e reluzente. A velha jóia deixada pela vovó e a mais tradicional forma de empréstimo: o penhor.

A estudante de administração Joana Bastos, 21 anos, já precisou apelar para o "prego" para sair de um sufoco financeiro. Dois anos atrás, sem conseguir encontrar alternativas para saldar suas dívidas, ela teve de recorrer ao empréstimo bancário. "Achei que seria fácil. As jóias eram minhas e ninguém ia sentir falta delas. Não queria pedir o dinheiro para meus pais nem para ninguém", lembra.

Joana conta que foi realmente bem simples levantar a quantia. A estudante levou seus bens a uma agência da Caixa Econômica Federal e com o documento de identidade, CPF e comprovante de residência em mãos, para dar entrada no empréstimo. "Não sabia do valor das jóias e me surpreendi. Era mais dinheiro do eu precisava, mas, como já havia me disposto a separar aquelas jóias e ir até lá, fiz o empréstimo no valor total", conta a jovem.

“Não é necessária análise de crédito ou fiador, já que a jóia é a própria garantia do pagamento”



A operação de penhor é realizada na Caixa desde a abertura do estabelecimento, em 1861. Até hoje, é o único local que oferece o serviço. É uma das formas mais simples de empréstimo e também a que oferece taxas de juros mais acessíveis. Não é necessária análise de crédito ou fiador, já que a jóia é a própria garantia do pagamento. Após a avaliação do bem, o tomador retira 80% do valor estabelecido como empréstimo, que tem mínimo de R$ 50 e pode chegar até R$50 mil.

Joana Bastos deixou seus bens junto à Caixa Econômica Federal durante um ano e, periodicamente, renovava o contrato de penhor. Só conseguiu resgatar as jóias quando sua avó decidiu ajudá-la. "Quando tinha mais dinheiro, renovava para 60 dias e ficava livre de me preocupar com isso no mês seguinte. Mas quando o orçamento estava mais apertado, refazia para apenas 30 dias depois", explica a jovem.

Toda vez que Joana renovava seu contrato de penhor, tinha de lidar novamente com encargos e taxas que pagou quando entregou suas jóias. Os juros são pré-fixados e cobrados no ato de concessão e renovação: 2,30% para empréstimos de até R$ 300 e 3,05%, para valores superiores. É necessário pagar ainda a Tarifa de Risco, que custa R$ 0,50, e a Tarifa de Abertura e Renovação de Crédito, a TARC, que varia de 0,5% a 2% sobre o valor do empréstimo, de acordo com o prazo contratado - 30, 60, 90 ou 120 dias. O tomador ou cessionário deve pagar também o Seguro de Vida, calculado sobre a quantia emprestada e que garante o ressarcimento do valor do objeto penhorado no caso de roubo ou dano.

Segundo Joana, foi a forma simples de conseguir o dinheiro e administrar a dívida que a atraiu para a operação de penhora: "Para quem não tem como conseguir o dinheiro e não tem acesso à linha de crédito, é uma ótima solução. Até porque a jóia é algo que você não precisa no dia-a-dia. Dá para abrir mão por uns tempos".
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