De pai, para filho. Entende-se por essa famosa sentença uma transferência em diversos aspectos, que vão além dos traços genéticos. Heranças que podem ser literais, já que, pela ordem natural das coisas, tudo o que o pai construiu deve seguir nas mãos das crias em determinado momento - que elas, crias, não nos leiam - ou surgidas pela identificação, voluntária ou não. É assim na personalidade, nos gostos e, como não poderia deixar de ser, negócios. Afinal, os pais são as maiores influências na formação das crianças. E, quando o assunto é
business familiar, como toda a relação dentro do clã, existem os prós e os contras que todos aqueles que passam pela experiência conhecem muito bem.
Bruno Dorfman sempre nutriu forte admiração pelo pai. Ainda pequeno, lá ia ele para a empresa de importação e representações construída pelo progenitor. "Posso falar que cresci naquele ambiente", afirma Bruno. De fato, ele dava as caras não só no escritório do Rio de Janeiro, local da organização aqui no Brasil, mas as viagens com o pai o faziam figurar na sede de Miami, de onde distribuem marcas para os Estados Unidos.
Na hora de escolher a profissão, ele não titubeou. Foi fazer faculdade de Administração de Empresas. Já no começo, Bruno conta que a escolha de trabalhar no negócio do pai foi fruto de exigências superiores na hierarquia familiar. "Ele me dizia que eu tinha que trabalhar com ele. Fui um pouco forçado no início. Mas depois, eu já vinha porque queria mesmo. Descobri que era a minha vocação", lembra.
“Se tivesse hierarquia aqui na empresa, meu pai seria o presidente e eu, o vice. Quem é do mercado já não me vê como iniciante”
Se, na época, Bruno era um mero iniciante, hoje, ele já é tratado com respeito, que conquistou ao longo dos anos, apesar do preconceito com o fato de ele ser filho do chefe, o que ele afirma não ligar para sua condição de "filho do dono". "Se tivesse hierarquia aqui na empresa, meu pai seria o presidente e eu, o vice. Quem é do mercado já não me vê como iniciante", garante.
O caminho de Ricardo de Oliveira Rosa foi diferente, apesar do início parecido. Assim como Bruno, ele entrou na empresa de engenharia do pai, montada há vinte anos, por "livre e espontânea pressão", de acordo com as próprias palavras dele, que conta ainda infinidade de promessas que lhe foram feitas se um dia assumisse o patrimônio da família. "Como eu não sabia o que queria para o meu futuro, resolvi embarcar no mais fácil", diz Ricardo.
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