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A chegada da mulher ao mercado de trabalho não serviu para aproximá-la dos homens somente em relação ao status e ao nível profissional. Algumas delas realmente passaram a acompanhar de perto seus companheiros, conquistando um lugar ao sol nas mesmas empresas e, de quebra, um tempinho a mais com eles. Mas será que essa "overdose" de proximidade entre os casais que trabalham juntos não prejudica a relação, ou mesmo o profissionalismo? Para a publicitária Laila*, o desgaste provocado pela rotina de um trabalho estressante ao lado do marido foi o que minou seu casamento. "No início, eu achava o máximo. Estava perto do homem que amava, íamos e voltávamos juntinhos, nos ajudávamos... Achei que, passando mais tempo com ele, o conheceria melhor e nunca sentiria saudades. Mas, hoje, vejo que a saudade dá um tempero na relação, a gente fica com vontade de chegar logo em casa para ver o outro", avalia.
Laila confessa que outros fatores como a inveja, o ciúme e a falta de paciência de ambos também pesaram na sua decisão de pôr um fim no casamento. "Já nos conhecíamos de vista no tempo em que fizemos faculdade de comunicação, mas só começamos a namorar quando eu fui contratada pela mesma empresa em que ele trabalhava. Como o relacionamento evoluiu rápido, muita gente até achou que ele 'me colocou' lá dentro. E isso já causou algumas pequenas picuinhas com alguns colegas", relata Laila, de 40 anos. O parceiro não era seu chefe direto, mas era mais influente que ela na companhia, o que também contribuiu para discussões entre o casal. "Depois de sete anos, já estávamos tão cansados da cara um do outro que qualquer coisa se transformava em briga. Em casa, nem nos falávamos direito. E ainda havia intrigas no trabalho, de gente que queria nos separar. Acabaram conseguindo, mas só porque eu não agüentava mais a arrogância do meu ex", desabafa a publicitária, que se separou há dois anos e atualmente namora um médico. "Minha produtividade no emprego acabou sendo afetada com isso e eu pedi demissão", completa.
Juntos na TV
Embora a experiência de Laila não tenha sido feliz, muitos outros casais dão certo dividindo a vida pessoal e a profissional. O segredo deles? Variar as atividades e respeitar a individualidade dentro da relação e da carreira. Casal bem conhecido dos telespectadores, os atores Roger Gobeth e Juliana Silveira vão começar a gravar a segunda novela em que contracenam juntos. Os dois se conheceram enquanto interpretavam o par romântico principal em "Floribella", da Band, e, depois que Roger saiu da trama, engataram o namoro que já dura mais de um ano e meio. "Agora, vamos fazer parte do mesmo núcleo em 'Chamas da Vida' (novela da Record que substituirá 'Amor e Intrigas'). Estamos achando essa oportunidade ótima, pois vamos poder nos ver mais durante o dia e passar férias juntos, quando a novela acabar. Casais de atores, mesmo quando fazem o mesmo trabalho, muitas vezes não têm muito contato, e se estão em novelas diferentes é pior, pois não conseguem aproveitar as férias para viajar na companhia um do outro, por exemplo", afirma Roger, destacando que o dinamismo, o ritmo intenso de gravações e a falta de horário fixo de sua profissão não costuma favorecer a rotina a dois.
No entanto, a aproximação torna-se muito maior quando os atores fazem parte do mesmo núcleo do mesmo programa. Aliás, foi justamente isso que fez com que Roger e Juliana se conhecessem melhor em "Floribella" e ficassem mais próximos, o que resultou na paixão. Para ele, mesmo trabalhando juntos diariamente, como deve acontecer na próxima novela, cada um precisa ter seu espaço, em casa e no trabalho: "Não acredito nesse 'desgaste' de que falam. O fato de estar juntos não pode influir negativamente no relacionamento; se influir, é porque a relação não está embasada em um sentimento sólido, de amor. É claro que ambos têm que preservar sua liberdade e individualidade, como buscar sair com grupos de amigos diferentes, por exemplo. Isso dá "fôlego" ao relacionamento", comenta o ator, de 34 anos.
O apoio no trabalho, segundo ele, também deve fazer parte da convivência. "Como a Juliana vai fazer par com outro ator na novela, certamente vou sentir ciúmes de algumas cenas, o que é uma coisa normal. Mas sei que esse ciúme é fruto do trabalho bem feito que ela está fazendo. Por isso, é importante que haja essa liberdade também dentro da profissão, para que os dois possam atuar bem, passando veracidade", completa. "Não dá pra ficar encucado, ou sufocando o outro. Isso prejudica tanto o envolvimento pessoal quanto o profissional. Eu estou me divertindo e adorando ter essa chance de trabalhar com ela de novo, e quando estivermos de férias vamos, finalmente, viajar e passarmos mais tempo junto", anima-se Roger Gobeth.
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