comentários (0)Mas apesar da boa demanda de cursos, o mercado de trabalho é bem restrito. "A graduação pode garantir uma boa formação teórica e técnica e tornar o profissional mais preparado para os desafios na carreira. Só que há uma questão que deve ser discutida no próprio meio acadêmico: o fato de as universidades estarem formando mais profissionais do que o mercado pode absorver. O mercado ainda é muito pequeno", alerta Elis Galvão. Sem contar que o canudo da graduação ainda é um assunto bastante discutido e polêmico neste meio. Grandes cineastas não tinham diploma e, segundo Elis, "a experiência com o cinema era o 'fazer cinema'".
De acordo com Rafael Saar, o mercado é um pouco mais aberto para os profissionais que trabalham com edição de imagem. "Para eles, o mercado é mais amplo do que para quem quer seguir carreira de direção", explica. A função, porém, requer alguns pré-requisitos. "O trabalho com edição exige, além da sensibilidade e estudo teórico, conhecimentos técnicos específicos", conta o recém-formado.
Mil e uma utilidades
Se você está pensando em seguir esta carreira, é bom abrir seus horizontes. Um profissional formado em cinema pode trabalhar em diversas áreas. "É comum atuar em TVs, em instituições públicas ou privadas. A televisão digital é mais uma área de atuação. Quem se forma em cinema também tem como opção atuar em produtoras de vídeo e publicidade", esclarece Elis.
O grande diferencial da carreira de Cinema, segundo Rafael Saar, é a instabilidade, que pode ser encarada como um ponto positivo. "Num mesmo período, posso fazer inúmeros trabalhos e eles serem completamente opostos em todos os níveis. Posso trabalhar em um festival de cinema, escrevendo críticas, fazendo filmes, teatro, trabalhos institucionais, publicidade, videoclipes", enumera. Com certeza, é uma lista de possibilidades enorme e que inclui tudo o que se relaciona com o campo audiovisual.
Mas vida de quem trabalha com cinema não é moleza. Não é qualquer pessoa que pode se habilitar. Elis Galvão identifica o perfil do profissional: "Em primeiro lugar, tem que ser criativo. Além disso, deve saber e gostar de trabalhar em equipe, e estar preparado para trabalhar muitas horas em cada projeto, pois o ritmo de trabalho é puxado", alerta.
Como você pode perceber, nem tudo são flores. De acordo com a especialista, ainda há muito para ser feito e regularizado nessa área. "A primeira coisa - como colocou João Moreira Salles em um debate, certa vez - é as universidades, especialmente as que estão abrindo novos cursos, informar aos jovens que no Brasil ainda não dá para viver apenas de cinema", analisa.
E quanto ganha?
O retorno financeiro para quem faz cinema é limitado. Não existe um piso fixo, o mercado varia muito. "Um assistente de direção pode ganhar R$ 1.129,70; um continuísta, R$ 955,90; um diretor, R$ 2.259,41; um diretor de arte e fotografia, R$1.564,20. Esses valores são propostos pelo Sindicato Interestadual dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual. Mas, na prática, o salário varia conforme o projeto e a função exercida por cada um", explica Elis.
Apesar do crescimento, o Brasil ainda não possui uma indústria cinematográfica. Os poucos filmes aqui produzidos esbarram em um outro problema: "Uma parcela dos cinemas não cumprem a lei de obrigatoriedade de exibição do produto brasileiro", conta Elis. No fim das contas, falta uma mãozinha. "As grandes redes de televisão ainda não participam de forma efetiva da produção cinematográfica e não existe nenhuma lei que as obrigue a exibir filmes nacionais", queixa-se.
Ainda assim, a perspectiva é animadora e, daqui para frente, é só comemorar. A previsão para o mercado é bastante otimista. As produções para a telona têm crescido a cada ano e, aos poucos, o cinema brasileiro vai ganhando o mundo e concorrendo a prêmios internacionais. Quantidade e qualidade devem andar juntas para fazer com que os filmes nacionais ocupem o devido lugar entre os grandes.
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