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Carreira de mãe

por Laura Cavallieri | 22/08/2006

Você abriria mão da sua carreira pela maternidade? Elas sim.


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Carreira de mãe

Mal eles nasceram, já é chegada a hora de voltar ao batente. Os quatro meses de licença-maternidade passaram voando e a vontade de deixar o filhinho nas mãos da babá é nenhuma. Tão pequeno, indefeso, carente e cheio de vontade de mamar! Voltar ou não ao trabalho depois de ter um filho é uma das escolhas mais difíceis que uma mãe pode tomar. Repletas de angústia e insegurança, elas precisam tomar uma decisão. Mas apesar de o mercado de trabalho estar cada vez mais competitivo, algumas mulheres não titubeiam na resposta. Elas querem é curtir a maternidade.

Trabalhar sempre foi prioridade para a psicóloga Beatriz Helena Bonin Leal. Quando sua primeira filha, Sofia, nasceu, ela continuou insistindo na carreira e fez uma pausa de seis meses para cuidar da filha. Este ano, porém, a psicóloga se rendeu à maternidade e comemora o tempo que tem para se dedicar a Sofia, hoje com 4 anos. "Parei de trabalhar para curtir minha filha. Chegava tarde em casa, às vezes quando ela já estava pegando no sono. Meu marido também trabalha muito e recentemente abriu negócio próprio, o que requer ainda mais dedicação. Sempre pensamos que quando tivéssemos um filho seria para educar, dar atenção, crescer com nossas experiências. Conversamos sobre o assunto e ele me apoiou. Foi uma decisão acertada", afirma Beatriz.

Em casa há três meses, a psicóloga não descarta a possibilidade de um dia voltar a trabalhar, mas por enquanto está adorando ter tempo para Sofia e para si mesma. "Agora consigo fazer uma ginástica, ler um livro com calma, ver a cor do dia. Foi um presente que me dei. Como trabalhei a vida inteira, algumas pessoas me disseram que eu não iria agüentar, que ficaria deprimida. Mas enquanto eu achar que está legal, continuo assim. Não posso dizer que é para sempre, mas no momento é isso o que eu quero", diz a psicóloga.

Durante os quatro anos em que deixou a filha com uma babá, Beatriz saía de casa com o coração apertado. "Me sentia dividida. Mas foi quando voltei o olhar para mim que percebi que precisava prestar atenção nela. Mesmo com uma boa babá, sentia falta de educar, dizer como fazer as coisas, o que é certo e errado. A educação se dá no dia-a-dia", acredita Beatriz.

“Não deve-se ter a expectativa de que o filho retribua de alguma forma a decisão tomada”


Momento decisivo

A psicoterapeuta Vera Soumar explica que, antes de abrir mão da carreira para dar ao pequeno tudo do bom e do melhor, é importante ter em mente que a decisão deve ser tomada levando em consideração a satisfação própria e não a dele. "Não deve-se ter a expectativa de que o filho retribua de alguma forma a decisão tomada", diz ela. Mais cedo ou mais tarde, eles crescem e passam a dispensar essa dedicação. Frente ao vazio que aparece, começam as cobranças. "Sem querer, as mães acabam esperando alguma retribuição dos filhos. É como se devessem juros eternos pela culpa que a mãe sente por ter deixado o emprego. Isso pode gerar um relacionamento complicado entre os dois", alerta Vera.

Para evitar o problema, a psicoterapeuta sugere uma análise de si mesma. "Tudo tem de estar bem transado consigo, na própria cabeça. Saber que fez a escolha por você, porque quis colocar o papel de mãe na frente. Não caia no erro de achar que está abrindo mão em troca de alguma coisa no futuro. É muito importante esclarecer para si a decisão", recomenda Vera.

Se a resolução tomada for mesmo trocar o mercado pelas mamadeiras, o importante é curtir o momento. "Ter um filho é o momento mais bonito da vida de uma mulher. Se ela pode se dedicar a isso, ótimo. Portanto, dê o melhor de si pelo momento que está vivendo. Aproveite sem culpa seu lado mãe", sugere a psicoterapeuta. O maior incentivo de todos é saber que nunca é tarde demais para voltar ao batente. "Por mais difícil que seja retomar uma carreira, sempre é possível. Já a maternidade, não pode ser adiada a vida inteira. O mercado cobra muito de nós, mas a pior cobrança é a interna", acredita ela.
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