Curso de extensão, especialização, MBA (Master in Business Administration), mestrado, doutorado. Se não bastasse o esforço para, finalmente, ter o tão sonhado diploma na mão, o mercado de trabalho agora quer mais. Mas, uma boa notícia, o que não faltam são opções para aquelas que querem continuar estudando depois de terminar a faculdade. Na hora de escolher o curso, no entanto, deve-se levar em consideração o que deseja de fato para sua carreira profissional no futuro. Enquanto mestrado e doutorado têm um caráter mais acadêmico, o MBA e o mestrado profissionalizante são sob medida para as moçoilas que já trabalham ou querem ingressar no meio corporativo.
O momento escolhido para cursar a especialização é outro fator que deve ser levado em consideração pela profissional. A maioria dos consultores não recomenda emendar a pós-graduação à faculdade. A dica é esperar, pelo menos, dois anos entre um curso e outro. "Depois que termina a graduação, a recém-formada deve ter uma vivência profissional. Independentemente do curso e do rumo que pretende dar para sua carreira", aconselha Maria Emilia de Lima Leme, diretora da Mell Coaching e Desenvolvimento.
Uma pós-graduação lato sensu, acredita Maria Emilia, ajuda a profissional, principalmente aquela sem muita experiência, a definir melhor o que quer fazer da carreira. Ou então a se especializar mais no que está atuando no momento. "Mas é fundamental que, mesmo fazendo o curso, as recém-formadas procurem adquirir experiência profissional", reforça.
Mesmo tendo concluído recentemente o curso de Comunicação Social, a assessora de imprensa Beatriz Gagliardo optou por emendar em uma pós-graduação. Interessada na área de política, a profissional escolheu o curso de especialização política e estratégia, na Universidade de São Paulo (USP). "Na época, trabalhava na área e queria saber mais sobre assunto. Além do conhecimento teórico, um dos principais benefícios de ter feito o curso foram os contatos. Não só com os colegas de turma, mas também com os professores, todos muito conceituados", conta Beatriz, que recebeu uma proposta para trabalhar na área depois de concluir o curso.
Os contatos e a troca de experiência são alguns dos pontos fortes dos cursos de MBA. Voltados para profissionais que atuam ou desejam atuar na área de gestão, os programas costumam ter ênfase no aspecto prático, focando em cases de sucesso e na própria experiência profissional dos participantes. "No MBA Executivo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) exigimos pelo menos três anos de experiência gerencial. É necessário que o aluno possa participar das discussões de caso e trocar idéias com os outros participantes. Sem vivência profissional, não há como fazer isso", justifica Alexandre Mathias, diretor da ESPM.
Depois de três anos de formada como administradora, a gerente de planejamento Marcella Bordallo decidiu fazer um MBA em Marketing para atender aos objetivos profissionais. "Trabalhava em uma empresa cuja área de marketing estava em crescimento. Achei que poderia ter aproveitado melhor a oportunidade se tivesse o curso. Apesar da parte de conteúdo ser importante, acredito que a troca com os outros profissionais foi que mais valeu na especialização", analisa Marcella, que estudou na Fundação Getulio Vargas (FGV).
O mestrado e o doutorado são as opções certas para aquelas profissionais que desejam dar aulas ou seguir a carreira acadêmica. Consultores ressaltam, porém, que a aluna deve tentar se manter no mercado durante o curso, para não perder o contato com a prática. "Apesar de as universidades insistirem em desvincular a teoria da prática, acredito que a profissional deve tentar levar o curso paralelamente ao trabalho", opina Andrea Ramal, diretora da ID Projetos Educacionais. Ao abandonar a vida profissional para cursar mestrado, diz Andrea, a profissional corre risco de perder espaço no mercado. "Isso é péssimo, pois a pessoa acaba restrita ao ambiente teórico", justifica.
Fazer um mestrado está nos planos de Beatriz Gagliardo. A assessora, que quer fazer o curso para dar aulas, não pretende abrir mão de sua vida profissional. "Acho que os dois mundos se complementam. Não adianta ir para uma sala de aula sem ter experiência prática", acredita. Antes de se decidir por um mestrado ou doutorado, a profissional deve estar ciente de que são cursos que exigem pelo menos uma idéia prévia do que se quer estudar. Andrea Ramal comenta que essa é opção comum na área de humanas.
No caso de profissões mais técnicas, como Informática e Engenharia, os cursos de extensão funcionam como complementação para o profissional. Segundo Maria Amelia, da Mell Coaching, os cursos de curta duração oferecem a possibilidade de a pessoa aprender mais sobre assuntos específicos, mas que não demandam uma pós-graduação mais longa. "Ainda assim, o profissional deve ter cuidado ao escolher a instituição e verificar quem são os professores. A qualidade do curso é fundamental", conclui.
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