Xô chulé!

Na hora de escolher sua vítima, ele não tem preferência por sexo, raça, credo ou cor. O chulé é uma praga que, traiçoeiramente escondida dentro dos sapatos, transforma pés em assombrosas armas de guerra.
por admin

Não tem troço mais chato que tirar o sapato num ambiente fechado (imagine no motel!) e empestear o local com aquele odor de fungos em festa. O mau cheiro dos pés, cientificamente chamando de bromidose, mas popularmente conhecido como chulé, é causado pelo excesso de suor, que leva à proliferação de bactérias. É verdade que algumas pessoas têm uma tendência natural a suar mais e, assim, desenvolver mais bactérias e fungos nos pés. Mas qualquer um pode ter chulé. Aprenda a se defender desta praga e evite pagar mico por aí.

Ele não tem preferência por sexo, raça, cor ou credo, mas são os jovens as principais vítimas desse constrangedor problema. "É que nessa fase a secreção hormonal é maior, o que estimula a transpiração e facilita o aparecimento de fungos e bactérias", explica o dermatologista Ronaldo Lerer. Se, além de jovem, o escolhido for homem, pior ainda. Taí um problema predominantemente masculino. "As mulheres também podem ser atingidas pelo chulé, mas em menor número. Isso porque elas costumam utilizar sandálias mais abertas e trocam os sapatos com maior freqüência do que os homens", completa.

A podóloga Lucília Nunes, do Spé, revela as principais causas do chulé. "Sapatos muito apertados fazem com que os pés tenham mais tendência a suar e o pé suado é o ambiente ideal para bactérias e, consequentemente, para o mau cheiro. Outra causa está relacionada ao uso de meias. Elas devem ser trocadas diariamente e ser, de preferência, de algodão. As meias com material sintético, como poliéster e náilon, fazem o pé transpirar mais", adverte. Outro fator que pode levar ao mau cheiro não tem nada a ver com os seus pés, mas sim, com os tênis. "Usar continuamente um determinado tipo de tênis e guardá-lo, logo após tirar do pé, em um armário fechado não é bom. O ideal é tirar o tênis e colocá-lo um pouco no sol para respirar", recomenda. No entanto, se você é daquelas que procura lavar o tênis uma vez por semana e acredita que assim está livre desse risco, fique esperta! "Lavar regularmente o tênis é uma excelente medida de prevenção, mas um tênis, para estar totalmente seco, leva aproximadamente cinco dias. Portanto, lavá-los e calçá-los dois dias depois pouco adianta", aconselha a podóloga.

Agora que você já sabe o que pode provocar o mau cheiro nos pés, vamos aos meios de prevenção. Não que o alvo sejam os seus pezinhos, mas você pode conhecer alguém que tenha chulé e não custa nada informar, né? O primeiro passo é cuidar da higiene dos pés. É como uma receita de bolo: fácil, fácil. "Lave os pés durante o banho e, ao enxugá-los, certifique-se de que os espaços entre os dedos estão bem sequinhos. Dê preferência às meias de algodão, mantenha seus calçados limpos e use cremes, loções ou talcos específicos para os pés. Eles ajudam a evitar a proliferação de bactérias e fungos", ensina Ronaldo Lerer.

A também dermatologista Teresa Soutelo acrescenta algumas dicas, não tão convencionais, para evitar que as pessoas torçam o nariz cada vez que alguém com chulé apareça. Para as que acham que o formol serve somente para fazer piada com pessoas bem conservadas ou para embalsamar múmias no antigo Egito, aí vai o recado. "Usar formal nos pés é tiro e queda contra o problema. A maioria dos desodorantes para o mau cheiro nos pés contém formol. Além disso, pastilhas com formalina também são excelentes. Basta colocá-las no sapato, ou no armário. Elas evitam o desenvolvimento dos fungos", afirma.

Para quem sofre com o problema, os tratamentos são feitos de duas formas, dependendo do estado do pé de cada um. "Se o pé apresenta somente mau cheiro, o problema é mais ligado à higiene mesmo. No entanto, pode acontecer de o mau cheiro ser proveniente de pequenas micoses e então o tratamento é mais específico", explica Teresa. Os calinhos também podem ser os vilões dessa história. "O ideal á remover o excesso de calosidade, limpando bem os cantos das unhas e enxugando bem entre os dedos. Dessa forma, fica mais difícil a proliferação das bactérias", explica Lucília.

O maior problema do chulé, e talvez o mais desconhecido, é que, dependendo da causa, ele pode evoluir para outras complicações. "A bromidose, que é o excesso de suor que leva ao chulé, associada às calosidades e rachaduras que retêm a umidade, pode até levar ao surgimento de uma erisipela. Por isso, quem, além do chulé, tem algum desses outros problemas, deve procurar um especialista para fazer um exame. Não se deve procurar ajuda somente quando os processos de dor e desconforto aparecerem", recomenda Ronaldo Lerer.

Acreditem! Em alguns casos, o desconforto de uns é o prazer de outros. Pode parecer bastante estranho (e é), mas algumas pessoas adoram quando outra guarda o esgoto dentro do tênis e leva pra dentro de casa. A engenheira Flávia de Moraes, 27 anos, jura de pés juntos (e com chulé) que o namorado dela gosta – e muito - do cheiro que seus pezinhos exalam. De preferência, depois de ela usar um determinado tênis o dia inteiro. "Eu não tenho chulé em todos os meus tênis, somente em alguns. Como eu não gosto de usar meias, os tênis mais usados ficam com aquele cheiro e o meu namorado adora. Basta ele me ver com ele que já pergunta: 'ficou com ele o dia inteiro?'. Se digo que sim, ele fica supercontente, tira o meu tênis e fica cheirando o meu pé. Ele chega, inclusive, a pedir para eu não tomar banho, só pra que ele fique cheirando mais um pouquinho", confessa.

Há ainda as simpatias populares para acabar com o problema. Claro que a eficácia é duvidosa, mas, se você tomar os cuidados necessários, nem precisará recorrer a elas. Mas se você desconhece a razão do seu chulé e não tem vocação para "gambá ambulante", faça o seguinte: sempre que for lavar os pés, seque a sola dele com o retalho de uma roupa velha de sua mãe, se você for mulher, ou de seu pai, se você for homem. Já a crença nordestina diz que é bom lavar os pés com a urina de uma criança. Quem viver (e sentir o cheiro) verá.

Agradecimentos:

Dr. Teresa Soutelo – Dermatologista

Centro Médico Energia Vital

Av. Nossa Senhora de Copacabana, 1133 – 10º andar

Copacabana – Rio de Janeiro

Tel.: (21) – 2267 6714

Lucília Nunes – Podóloga

Spé – O spá do pé

Largo do Machado, 8 – Loja F

Largo do Machado – Rio de Janeiro

Tel.: (21) – 2285 6468

Dr. Ronaldo Lerer – Dermatologista

Av. Rio Branco, 133/904

Centro – Rio de Janeiro

Tel.: (21) – 2232 7530

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