comentários (1)
Qual foi a última vez que você mediu a sua pressão? Se já faz mais de um ano, melhor se preocupar, porque a hipertensão - ou pressão alta - é uma doença danada que chega de mansinho, silenciosa, como quem não quer nada, elevando a pressão do sangue nas artérias e desequilibrando o sistema circulatório. O Ministério da Saúde estima que cerca de 15 milhões de hipertensos desconhecem que sofrem do mal. E, por conta das complicações da decorrentes da hipertensão, muitos homens e mulheres se tornam vítimas fatais. Portanto, todo cuidado é pouco quando o assunto é a vida. O Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial é 26 de abril, mas pela saúde devemos lutar todos os dias.
O que é
Existem, na verdade, dois tipos de hipertensão: a primária e a secundária. "A primária, ou familiar, tem causa desconhecida, geralmente associada à hereditariedade, e é a mais comum, representando 95% dos casos", afirma o cardiologista Ivan Cordovil, do Instituto Nacional de Cardiologia. Já os outros 5%, segundo ele, ficam por conta da hipertensão secundária, que surge por motivos específicos, como obesidade, gravidez, uso de drogas e de álcool e sal em excesso etc.
"Até os contraceptivos orais podem contribuir para a elevação da pressão", afirma o cardiologista Fernando Nobre, coordenador da unidade de hipertensão do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto - USP. E completa: "Há, também, alguns outros medicamentos que podem elevar a pressão, como os que contêm corticóides e anfetaminas - usualmente, e erradamente, usados para o emagrecimento". E até mesmo os remédios de nariz, aparentemente inofensivos, quando em excesso, podem aumentar a pressão!
"A hipertensão primária vai surgindo aos poucos e acomete mais mulheres acima de 50 anos, ou seja, naquelas que já enfrentam a menopausa. A pressão alta secundária ataca, em contrapartida, as mais jovens", explica o Dr. Ivan. Ele revela que uma das secundárias mais comuns é o que os médicos chamam de displasia fibromuscular, nome dado à hipertensão nas artérias dos rins. "Ela pega mulheres em torno de 20, 30 anos", alerta o cardiologista. Um outro dado muito curioso, segundo ele, é que a hipertensão afeta mais as mulheres negras, que já têm, naturalmente, a pressão mais alta.
Perigo invisível
"O perigo da hipertensão é que ela não se manifesta logo no início", alerta o Dr. Ivan Cordovil. "E quando surgem os sintomas - como dores de cabeça - é sinal de que a doença já fez algum estrago no organismo", completa. Fique calma! Ainda assim, é possível reverter a situação e voltar a ficar com a saúde em dia. Mas se você sente dores de cabeça, na nuca, tem sangramento nasal, tonturas, visão turva e vermelhidão facial, corra para o médico, porque é sinal de que você pode estar hipertensa e, ainda por cima, num estágio muito avançado da doença. "As pessoas hipertensas também podem encontrar muita dificuldade para caminhar", revela o Dr. Ivan.
Para saber a que pé anda o bombeamento de sangue no seu sistema circulatório, acompanhe a tabela abaixo:
Pressão até 12 por 8 - normal
Pressão entre 13 por 8 e 14 por 9 - limite
Pressão acima de 14 por 9 - hipertensão
Se um belo dia o seu aparelho marcar 14 por 9 ou mais, não se desespere, até porque o estresse pode aumentar a sua pressão! Existem alguns fatores que alteram o resultado - como o que você comeu no dia - e, por isso, é recomendado que a pressão seja medida mais de uma vez no mesmo dia.
Para o cardiologista Fernando Nobre, a pressão arterial deve ser medida pelo médico, no consultório, e em casa. "Pelo menos uma vez ao ano e também em toda consulta médica realizada, qualquer que seja o motivo", recomenda o Dr. Fernando. De acordo com o ele, tudo bem que as mulheres, em geral, tornam-se hipertensas mais tardiamente que os homens - elas, a partir dos 50 anos; eles, a partir dos 40 -, mas ter hipertensão significa sérios riscos para os dois sexos.
Mais do que maiores chances de infarto (duas vezes mais do que uma pessoa normal) e acidente vascular cerebral (quatro vezes mais), há perigo de lesão de vários outros órgãos, como rins, cérebro, olhos e as próprias artérias.
Se for o caso de uma pré-eclâmpsia, ou seja, pressão alta na segunda metade da gravidez, a atenção deve ser redobrada, porque, se não tratada, a hipertensão da futura mamãe pode levar à morte dela e do bebê. "Nesse caso, os sintomas costumam ser inchaços e excesso de proteínas na urina", esclarece o Dr. Ivan.
Pesquisas mostram, ainda, que doenças como hipertensão, depressão e diabetes prejudicam a mulherada na hora H. Segundo dados do International Journal of Impotence Research, a pressão alta dificulta o orgasmo, porque danifica os vasos sanguíneos do clitóris e da vagina, além de interferir na disseminação de substâncias responsáveis pela fase de excitação, fundamentais para se alcançar o clímax.
"Um estudo das companhias de seguro americanas mostram, ainda, que quando a pressão arterial de mulheres na faixa etária de 55 anos passa de 12 x 8 para 15 x 10, elas perderão aproximadamente cinco anos de vida se não se tratarem", acrescenta o Dr. Fernando Nobre.
Percebeu que não dá para marcar bobeira, certo? "95% dos casos de hipertensão não têm cura, mas têm, sim, controle", alerta o Dr. Fernando. Fique de olho nas dicas e saiba como controlar e prevenir a hipertensão!
Você
Bolsa de mulher © 2000/2012 | Direitos Reservados
ou Cadastre-se