comentários (30)Como atua sobre o sistema nervoso central, a Sibutramina pode provocar transtornos psíquicos em quem tenha predisposição a eles ou agravar um quadro já existente. Pessoas obesas que sofrem com problemas mentais ou bipolaridade, por exemplo, não podem usar o medicamento, pois ele pode resultar em desestabilização do humor.
Muito antes de toda a polêmica sobre a Sibutramina começar, o setor de Farmacovigilância do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo soltou, em 2002, um alerta terapêutico para informar sobre esses riscos. Naquele ano, havia recebido 29 notificações de efeitos psíquicos provavelmente causados pela substância, 11 desses pacientes mostraram problemas psiquiátricos. Entre as reações percebidas houve depressão, alucinações, sensação de morte iminente, desvios de conduta, pensamento acelerado, redução do senso crítico e comportamentos de risco, entre outros.
Apesar dos efeitos colaterais, o uso cauteloso do medicamento é defendido pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. "A Sibutramina é comercializada há mais de dez anos e não há evidências de que sua prescrição criteriosa, apenas para pacientes sem contraindicações formais, ocasione o aumento de eventos cardiovasculares. Como a obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública é necessário lançar mão de todos os recursos terapêuticos seguros e consagrados por pesquisas científicas com o objetivo de combatê-la", afirma o presidente da Sociedade, Dr. Ricardo Meirelles. Segundo ele, os pacientes que participaram do estudo europeu já tinham predisposição a doenças cardiovasculares e, portanto, não seriam normalmente indicados para o tratamento com a Sibutramina.
Teste: Você sabe se alimentar?
Já o Dr. Ricardo Botticini Peres, do Hospital Albert Einstein, diz que é possível que a Sibutramina cause problemas cardiovasculares até em quem não apresenta predisposição para eles. "A substância também pode causar alterações nesses pacientes pois aumenta a freqüência cardíaca e a pressão arterial sistêmica", diz. Ainda assim, ressalta que é preciso esperar novos estudos. "Existem estudos americanos em andamento que divergem do europeu, mas a cautela é não indicar a Sibutramina em pacientes com risco coronariano ou hipertensão arterial não controlada. Os pacientes precisam ser alertados sobre estes problemas até que haja uma definição da ANVISA ou do FDA americano", afirma.
O remédio é indispensável ao tratamento?
Segundo os médicos entrevistados, não. Ambos defendem que o tratamento deve ser personalizado, com a adoção de hábitos saudáveis de vida, com alimentação equilibrada e prática de atividades físicas. "Os medicamentos, quando necessários, devem ser considerados apenas como coadjuvantes terapêuticos e prescritos criteriosamente", ressalta o Dr. Ricardo Meirelles. O mesmo raciocínio é adotado pelo Dr. Ricardo Botticini, do Einstein. "Toda a abordagem para o tratamento da obesidade passa pela reeducação alimentar e a prática de exercícios. O uso de medicação pode ser necessário, mas é secundário no tratamento", sublinha.
Então, se você acha que está bem acima do peso e precisa fazer as pazes urgentemente com a balança, procure um médico especializado. E um alerta: automedicação, especialmente com Sibutramina, jamais.
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