Endometriose é assunto sério. Responsável por 50% dos casos de infertilidade, é considerada um problema de saúde pública no mundo. Os principais sintomas são cólica menstrual intensa, sangramentos na urina ou nas fezes e dor forte durante o
ato sexual. É bom estar atenta!
Aproveite a
Semana de Divulgação da Endometriose, realizada de 13 a 18 de junho, para se informar mais a fundo sobre a doença. A campanha traz
esclarecimentos e palestras gratuitas em hospitais até o final do mês de junho, e tem como madrinha, este ano, a atriz
Deborah Bloch.
Segundo o
Dr. Cláudio Crispi, especialista no assunto e um dos coordenadores da campanha, a endometriose é uma doença conhecida há anos, mas a grande dificuldade sempre foi obter o seu diagnóstico correto. O uso de métodos diagnósticos como a ultrassonografia, ressonância nuclear magnética e exames de sangue não conseguem definir com certeza a presença desta doença.
No entanto, com a maior aplicação das cirurgias vídeo-laparoscópicas, foi possível olhar a cavidade abdominal através de pequenos orifícios, com pequeno trauma para a paciente, o que motivou mulheres com dor de longa data a submeterem-se a estes procedimentos.
Observou-se, então, que uma grande porcentagem de pacientes que sofrem de dor pélvica (em baixo ventre) que se intensificam progressivamente, como cólicas menstruais intensas, dor em cólica fora do período menstrual, dor profunda na relação sexual e esterilidade, são portadoras da endometriose. "Nas pacientes com queixas de dor pélvica, alguns estudos científicos já observam a presença da doença em 60 a 70% dos casos", ressalta Dr. Crispi.
O que vem a ser esta doença? O endométrio é um tecido que reveste internamente o útero e quando estimulado pelos hormônios femininos, cresce mensalmente, preparando o útero para uma gravidez. Quando esta não ocorre é eliminado como menstruação.
"Por alguns motivos, como o refluxo da menstruação pelas trompas, diferenciação de tecidos embrionários adormecidos e propagação pela corrente sanguínea, este endométrio pode se localizar em outros órgãos como as trompas, ovário, peritônio (membrana que reveste o abdome internamente), bexiga, intestinos, no fundo da vagina etc. Estes locais são também estimulados pelos hormônios femininos, sofrendo pequenos sangramentos e causando intensa reação inflamatória local, o que explica a dor de grande intensidade", explica Dr. Cláudio Crispi.
Quando não diagnosticada, a doença progride, intensificando a reação inflamatória e a dor. E pode invadir a bexiga causando sintoma urinários como cistites e sangue na urina, podendo ainda invadir o intestino e o reto, causando sintomas intestinais no período menstrual. Toda essa reação inflamatória acarreta deformação dos órgãos do aparelho reprodutor, diminuindo a capacidade da mulher engravidar.
Estamos diante de uma doença que traz grande sofrimento à mulher, incapacitando-a para suas atividades sociais e profissionais por vários dias mensalmente ou impedindo-a de engravidar. A vídeo-laparoscopia trouxe não só a possibilidade de diagnosticar com exatidão a endometriose, como possibilita parte da retirada destes tecidos, permitindo posteriormente um tratamento medicamentoso. A necessidade de um diagnóstico precoce é essencial não só para o sucesso do alívio da dor, como para preservar a capacidade reprodutiva da mulher.
Se você souber de campanhas sobre Endometriose na sua cidade, compartilhe com a gente.
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